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Como seu carro novo pode estar vigiando seus hábitos

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Tudo depende sempre da marca e do modelo de carro que você dirige, mas é bem provável que ele possa estar observando seus hábitos –nos sentidos literal e figurado– assim que você sai às ruas, por meio de câmeras que monitoram o interior e rastreiam, e com sensores para detectar a velocidade, posição na via e aceleração. Isso acontece em carros novos ou mais sofisticados, mas é uma realidade, sem que você tenha conhecimento.

da Redação

Estes dados são utilizados para tornar a sua viagem mais segura, conveniente e confortável. As câmeras, por exemplo, podem detectar quando você estiver distraído e é necessário a sua atenção de volta para a via. Pode também identificar quando estiver em excesso de velocidade, verificando o limite por meio da posição via GPS ou sinais de trânsito. Há marcas que começam a incorporar recursos semelhantes por conveniência, segundo o site StudyFinds, para destravar o carro depois de digitalizar o seu rosto ou impressão digital. O seu carro pode transmitir esses dados para os data centers do fabricante, onde a marca vai analisá-los para melhorar a sua experiência de condução ou fornecer serviços personalizados.

No entanto, essa recolha de dados é um potencial pesadelo para a privacidade. As informações podem revelar a sua identidade, os seus hábitos de condução, a sua forma de dirigir, onde esteve e para onde vai com regularidade… Como um relatório do “Mozilla Foundation” mostrou, as políticas de privacidade das marcas automóveis são extremamente frágeis e classificou os carros como “a pior categoria de produtos para a proteção da privacidade que já analisamos”.

Os carros inteligentes de hoje apresentam aos motoristas um compromisso entre conveniência e privacidade, assumindo que os usuários têm a opção de melhorar a privacidade dos dados dos seus automóveis. No entanto, há um longo caminho para garantir essa privacidade.

Os carros atuais usam uma ampla variedade de sensores para “entender” o ambiente, analisar os dados e garantir a segurança dos passageiros. Por exemplo, os carros estão equipados com sensores que medem a posição do pedal do freio, a velocidade do veículo, os movimentos do motorista, os veículos à volta e até mesmo os semáforos. Os dados recolhidos são transmitidos pelas unidades de controle eletrônico do carro para os softwares que operam os diversos sistemas do veículo. No Brasil, os dados armazenados nas centrais eletrônicas são usados por algumas montadoras para checar o mau uso do veículo em questões de garantia ou mesmo para dados jurídicos.

Existem dois tipos de sensores que monitorar e preveem de forma contínua o cansaço do motorista. O primeiro são os sensores de monitoramento do status do veículo, como detecção de faixa e rastreamento da posição do volante. Esses dados não estão diretamente relacionados a uma pessoa específica e podem ser considerados informações não identificáveis pessoalmente, a menos que estejam relacionados com outros dados que identifiquem o motorista.

O segundo tipo de sensores rastreia os próprios motoristas. Aqui estão incluídas câmeras para observar os movimento oculares do motorista para prever a fadiga; este tipo de sensor já está diretamente relacionado com a privacidade, uma vez que recolhe informações de identificação pessoal, como o rosto do motorista.

Existe um compromisso entre a qualidade da experiência de condução e a privacidade dos motoristas, dependendo do nível de serviços e recursos. Alguns motoristas podem preferir compartilhar os seus dados biométricos para facilitar o acesso às funções do automóvel e automatizar grande parte da sua experiência de condução. Outros podem preferir controlar manualmente os sistemas do carro.

À primeira vista, parece que a relação entre privacidade e conforto do motorista não pode ser evitada. Os fabricantes de automóveis tendem a tomar medidas para proteger os dados dos motoristas contra hackers, mas as próprias marcas recolhem e armazenam muitos de seus dados. E, de acordo com os relatórios apresentados, elas reservam para si o direito de vender esses dados.


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