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Dos arquivos da Chrysler: o impressionante Turboflite 1961

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Conceito Chrysler Turboflite 1961 (imagens dos arquivos da Chrysler)

O desenho do show car (que antecedeu os concept cars, ou carros conceito) do Chrysler Turboflite 1961 parece ter saído de um filme de ficção científica daquele final de anos 1950 e início da década de 1960. Alguns consumidores da época imaginaram que aquele carro poderia ser o visual do futuro, mas outros, mais ponderados, acreditaram que era um modelo demasiado radical para o mercado. Mas é um importante registro na história do automóvel, pois aquele Chrysler Turboflite 1961 foi o último protótipo criado no mandato de Virgil Exner, chefão de desenho, na empresa.

por Ricardo Caruso, fotos arquivo Chrysler

Foto promocional do conceito Turboflite 1961

Virgil Exner foi contratado em 1949 pelo então presidente da Chrysler, KT Kelle. Ele projetou o show car K-310, que foi um grande sucesso. O K-310 foi feito para apresentar o revolucionário motor Hemi V8 da Chrysler em 1951, e exibir a primeira expressão da filosofia de desenho, chamada “Pure Automobile”, de Exner. Em 1953, foi nomeado Diretor de Estilo e mais tarde, em 1957, tornou-se o primeiro Vice-Presidente de Estilo da Chrysler.

O protótipo Turboflite era equipado com um motor a turbina que pesava metade de um motor V8 de combustão interna convencional. O estilo do teto de vidro foi um dos principais temas de desenho que atraiu a atenção dos consumidores. A cobertura de vidro, incluindo o pára-brisas, levantava-se automaticamente quando as portas se abriam, e as janelas laterais eram articuladas no teto.

Chrysler Turboflite REDIMENSIONADO

Como muitos carros feitos para exibição em Salões da era Exner, o Turboflite 1961 foi projetado e construído para a marca pelos estúdios Ghia, de Torino, Itália. Foi desenhado por Maury Baldwin.

Compartimento do motor Chrysler Turboflite

O compartimento da turbina.

O Turboflite era movido pela turbina C2A, de terceira geração, da própria Chrysler, que estava pesquisando essa alternativa. Embora não tivesse o powertrain funcional, estava disponível uma extensão elétrica de 110 volts, que foi usada para alimentar a parte elétrica do carro e operar os vários recursos de demonstração, incluindo a movimentação do teto e a iluminação eletro-luminescente; o interior tinha iluminação indireta, também futurista na época, com a luz gerada por corrente elétrica e não por filamentos incandescentes. O desenho interior oferecia estilo dos bancos de inspiração claramente aeronáutica, painel de instrumentos com enorme contagiros à direita da coluna de direção com um termômetro e outros instrumentos de dimensões generosas.

Interior do conceito Chrysler Turboflite

O interior do Turboflite e seus grandes instrumentos.

Dos primeiros esboços nas pranchetas ao processo de construção, o Turboflite era diferente de tudo que se conhecia na época em termos de desenho e aplicações aeronáuticas. O desenho da traseira foi desenvolvido para obter maior velocidade em rodovias. Alguns jornalistas especializados na época descreviam o carro com “desenho radical de um cupê de duas portas, com cobertura de teto retrátil em estilo de cabine de avião e que apresentava um aerofólio proeminente posicionado no alto da traseira”.

Este recurso aerodinâmico não foi de todo esquecido, e mais tarde acabou sendo usado com sucesso nas competições, equipando os legendários Dodge Charger Daytona e Plymouth Road Runner da NASCAR (1969-1970).

Duas vistas do Chrysler Turboflite RESIZED

Duas vistas do Chrysler Turboflite em material de divulgação.

Baldwin disse o seguinte sobre o desenho do Turboflite 1961: “Acho que este foi o último show car da Exner. Incorporamos muitas coisas interessantes nele. Em termos de acesso, toda a cabine acima da linha da cintura foi elevada para permitir a entrada de passageiros. Montado entre as aletas da traseira havia uma aba de desaceleração (que era parte do aerofólio), como as usadas em carros de corrida como freio aerodinâmico, e os faróis eram retráteis. O carro foi construído pela Ghia, fizemos um modelo em escala e depois desenhos em tamanho real. Foi provavelmente um dos carros mais bem projetados que já fizemos”.

O freio aerodinâmico na asa traseira.

Concluindo, o Chrysler Turboflite 1961 tinha um desenho único e totalmente diferenciado, que incorporou muitos recursos interessantes que foram usados depois ​​em futuros modelos da Chrysler. Exner, que hoje faz parte dos livros de história automotiva, será sempre lembrado como um grande desenhista de automóveis. Ele foi desenhista-chefe da Chrysler de 1953 a 1962. Certa vez, disse que seu maior orgulho não estava nos desenhos que criou, mas na montagem do departamento de estilo da Chrysler. O show car Chrysler Turboflite 1961, junto com todos os conceitos da Chrysler da era Exner, serão sempre lembrados e celebrados por muitas gerações futuras.     


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