Mobilidade: o automóvel está no “Corredor da Morte”

Estaria o automóvel numa espécie de “Corredor da Morte”? Até quando os veículos –na forma que conhecemos atualmente – irão resistir? Provavelmente não muito tempo. Carros elétricos, híbridos e, em especial, autônomos, em poucos anos –cinco anos talvez, 10 anos com certeza- irão mudar o cenário das grandes cidades. É provável que o carro deixe de ser uma propriedade cara para ser algo compartilhado.

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Isso será realmente uma necessidade. Imagine uma cidade vista de cima. Veículos (carros, ônibus, caminhões) circulando por todos os lados, trens indo e vindo, caminhões transportando mercadoria ou removendo toneladas de lixo. Bicicletas, motos, pedestres, trens, tudo convivendo num movimento frenético e incessante. Toda essa mobilidade demanda muita energia e estrutura para funcionar, sendo determinante para a vida das pessoas em grandes concentrações urbanas.

Mas isso tem um preço, e transforma o automóvel num grande vilão, mesmo com pouco mais de 100 anos de existência. Poluição, barulho, congestionamentos, cidades construídas em torno dele, níveis de stress elevados, acidentes, mortes, problemas de saúde, dívidas elevadas… Enfim, se o automóvel (ou qualquer outro veículo) leva e traz você de um ponto a outro, cobra caro por essa comodidade. Bem diferente da época –final dos anos 1800 e início dos 1900- em que os cavalos cuidavam dos deslocamentos e os trens a vapor rompiam grandes distâncias, com baixos danos ao ambiente e aos usuários.

MUDANÇAS

Mas a questão é que a mobilidade é sempre necessária. Para ir trabalhar ou ir à escola; para almoçar fora ou fazer uma viagem; para visitar amigos ou simplesmente rodar sem destino. Não dá para viver sem os recursos bons ou ruins oferecidos pelos veículos.

Em várias partes do mundo, este ambiente urbano está mudando. E rápido. O uso do automóvel aos poucos passa a ser mais racional, e o Uber e demais aplicativos do gênero são grandes exemplos disso. Não parece, mas estão começando a mudar padrões e hábitos de mobilidade, principalmente urbana. E isso é só o início da grande transformação que está sendo posta em prática.

Para os fabricantes de automóveis, uma encruzilhada. Qual será o momento de abdicar do carro tal como o conhecemos e partir para outro negócio, que ninguém sabe exatamente qual será? Quem já estiver investindo e se preparando para o futuro, irá sobreviver. Quem insistir nos velhos carros movidos a combustível fóssil ou vegetal, dificilmente sairá com vida dessa mudança.

NOVO NEGÓCIO

Existem estudos que apontam queda de 80% na produção mundial de automóveis nos próximos 20 anos, por conta do uso compartilhado –e não mais da necessidade de posse- de um automóvel. Então o negócio não será mais fabricar automóveis, e sim investir nos métodos de compartilhamento.

Não faz muito sentido você pagar caro por um bem que fica horas e horas parado na garagem. O correto será pagar pelo tempo de uso do veículo, sem a necessidade de grandes investimentos. No caso do Brasil, isso livrará o consumidor de uma longa cadeia negativa que atua contra quem tem automóvel: preço caro, impostos absurdos, taxas de financiamento indecentes, IPVA, pedágios, seguro, risco de assaltos, piso ruim, combustível idem, pós-vendas das marcas deficiente, desvalorização, congestionamentos… O carro servindo para a função básica de ir do ponto A ao ponto B resolve a questão.

Nos países mais adiantados, o ambiente urbano está realmente mudando, ou pelo menos se preparando para isso, em busca de mudanças radicais, onde o automóvel deixará de ser protagonista e passará a ser coadjuvante. Os padrões de mobilidade urbana passarão por verdadeira revolução, apoiada totalmente na tecnologia.

Mais importante do que ter um carro na garagem, será o trio conectividade, eletrificação e condução autônoma, o que vai facilitar a vida de milhões e milhões de pessoas. Qualquer cidade que tenha mais de 5 milhões de habitantes deve se preparar para isso, e cidades acima de 15 milhões de habitantes, obrigatoriamente deverão rever todos seus conceitos de mobilidade.

QUAL O CAMINHO?

Todas as previsões apontam que, nos próximos 13 anos, ou seja, até 2030, muita coisa vai mudar no cenário da mobilidade. Não se sabe exatamente qual a direção a ser seguida para o futuro da mobilidade urbana, mas buscar hoje uma resposta ou um caminho é mais do que importante, é decisivo, pois vai interferir até no nível social e econômico nas pessoas, e em toda estrutura financeira das grandes corporações, seja da área automotiva, seja do setor petrolífero ou comércio.

O foco será o usuário individual destes novos veículos, e é pensando nele que tudo irá se ajeitar. Abundância de energia e Internet de qualidade serão decisivas nos próximos anos. Impossível prever o futuro, mas várias dicas estão dadas. Os carros elétricos eram maioria no início dos anos 1900 (existiam mais de 300 marcas de veículos elétricos naquele período), mas a descoberta de petróleo no Texas popularizou a gasolina, e nos fez perder um precioso século de desenvolvimento na eletrificação de veículos. Agora estamos correndo atrás desse prejuízo.

Por outro lado, a Internet avança, e com ela a conectividade. Isso é determinante para o bom funcionamento dos sistemas de compartilhamento e dos veículos autônomos, que dispensam motoristas e servem de maneira perfeita para ir de um ponto a outro. A autonomia das baterias dos carros elétricos também tem seu peso nisso. O custo das baterias de íons de lítio caiu quase 70% em comparação com 2010, e devem cair ainda mais nos próximos anos. Tudo isso, mais os smartphones, estão orientando o futuro do automóvel.

INFRA-ESTRUTURA

Ao mesmo tempo em que a tecnologia avança, as cidades também precisam evoluir. No Brasil não há nenhum movimento nesse sentido. Uma não funciona sem a outra. É preciso criar estruturas e infra-estruturas, e rápido. As grandes cidades não param de crescer, e por isso é necessário não só pensar em tornar o dia a dia agradável, como também buscar soluções práticas de sustentabilidade. E aí o automóvel atual não se encaixa, seja um pequeno três-cilindros, seja um imenso SUV.

A necessária boa conectividade -que é capenga no Brasil- é o caminho para o compartilhamento dos meios de transporte, que vai principalmente desafogar o trânsito. De início, acontecerá um grande impulso nas vendas de carros elétricos, em que se apoiam todos os trabalhos e projetos de veículos compartilhados. Ao mesmo tempo em que são feitas pesquisas para baratear as baterias, é preciso criar e manter uma rede de fornecimento de eletricidade que atenda à demanda, incluindo produção, armazenamento e distribuição de eletricidade. Um benefício direto dos carros elétricos, por exemplo, é a redução do efeito-estufa.

Hoje, algumas poucas cidades fazem investimentos em mobilidade alternativa. Com diferentes níveis, incentivam as bicicletas, caminhadas e transporte público, para ajudar na redução do tráfego. Mas só isso não basta, e espera-se que, em cerca de 15 anos, outros recursos estejam sendo aplicados, já na etapa de mobilidade mais avançada, compartilhada, elétrica e conectada (autônoma).

Não há como escapar desse trio mobilidade compartilhamento-eletrificação-conexão, atuando em conjunto com as necessárias infra-estruturas. Cada cidade vai buscar seu caminho, de acordo com as necessidades e possibilidades. Densidade populacional, capacidade econômica, infra-estrutura, nível de qualidade do transporte público, maior ou menor poluição, engenharia de tráfego e boa vontade dos governos é que vão determinar a rapidez ou não com que essas mudanças irão acontecer.

NECESSIDADES

No futuro próximo isso já será visto nas cidades que investirem nisso. Em maior ou menor intensidade em cada uma delas, a mobilidade seguirá sempre o roteiro do compartilhamento, veículos autônomos e eletrificação. Juntos ou separados, conforme as características de cada área urbana. As necessidades da Cidade do México ou Tóquio são diferentes das de São Paulo ou Rio de janeiro, por exemplo.

Para essa revolução, no mínimo já deveriam estar em andamento programas de reurbanização e cuidados com a qualidade do ar. Para cidades de Terceiro Mundo, o uso indiscriminado de automóveis dificulta a opção pelos autônomos, por absoluta falta de infra-estrutura. Para elas, o primeiro passo seria a adoção de meios de transporte mais limpos, ou seja, modelos elétricos. Mas isso só não basta: é preciso restringir o acesso e uso dos carros com motor a combustão a determinadas áreas, oferecendo em contra-partida transporte público de qualidade.

Para as cidades do Primeiro Mundo que estão se preparando para as mudanças, a previsão é de que, já por volta de 2030, metade dos deslocamentos serão feita em veículos elétricos e compartilhados.

PREJUÍZO

Existem muitas cidades que foram desenvolvidas tendo o automóvel como centro de tudo. Ou você tem um carro ou seu deslocamento será sempre complicado. Isso é muito comum nos Estados Unidos. Mas o preço disso é elevado. A cada ano, os congestionamentos de Los Angeles, na California, por exemplo, custam mais de US$ 20 bilhões.

Para viverem melhor, é fácil imaginar que os usuários de veículos nesse tipo de cidade não terá nenhum tipo de restrição às novas tecnologias, incluindo carros autônomos, compartilhados e elétricos. O inconveniente é que, a busca por essas alternativas pode ser tão grande que, em dado momento, provoquem novos congestionamentos. Só que congestionamentos mais baratos e sem maiores danos ao meio ambiente.

A curto prazo, cidades ricas e mais povoadas, como Londres ou Chicago, irão oferecer transporte ponto a ponto e sob demanda. Os usuários terão várias maneiras “limpas” e baratas para se moverem, mas por enquanto não há uma definição sobre o que é mais importante: transporte particular, compartilhado ou público.

A mobilidade terá que ser oferecida por meio da correta combinação de transporte individual, veículos compartilhados, trânsito de qualidade e modelos autônomos. No Brasil não, mas em vários mercados desenvolvidos os carros elétricos estão cada vez mais comuns e eficientes, estimulados pelo interesse do consumidor, pela economia que proporcionam, pelos incentivos governamentais, pelo acesso a áreas restritas a outros veículos e pela infra-estrutura oferecida.

UBER, O INÍCIO

Na Argentina, por exemplo, todos usam táxi, porque é barato. No mundo mais desenvolvido e conectado, a opção é utilizar aplicativos tipo Uber, que na prática é o início do compartilhamento dos automóveis. Mas no futuro que está se aproximando, computadores e Internet irão gerenciar o tráfego, facilitando a mobilidade. Com isso as pessoas usariam mais esse meio de transporte -até 50% a mais!- pois é barato e de fácil acesso.

Mas teremos menos carros nas ruas? Provavelmente não, por conta do alto nível de compartilhamento e utilização maior e mais barata dos veículos, teremos o mesmo número –ou até mais- de veículos nas ruas. Só que de forma organizada, econômica, racional e funcional. Se os carros elétricos, compartilhados e conectados forem usados em 50 grandes cidades do mundo, podem atingir 500 milhões de usuários, reduzindo o número de veículos nas ruas em mais de 30%.

Cada modelo de mobilidade urbana pode trazer benefícios importantes para o dia a dia das pessoas, como economia de tempo nos deslocamentos (e tempo maior para se fazer outras coisas mais produtivas), reduzir congestionamentos e melhorar de maneira significativa a qualidade do ar.

Para que todos se beneficiem, é preciso evitar falhas, e por isso os setores público e privado precisariam trabalhar juntos. Isso tem reflexos em diversos outros tipos de negócio. Aos governos cabe rever a forma de tributar combustíveis e energia, e usar a necessidade da conectividade como pretexto para rever suas infra-estruturas.

Esses novos sistemas de mobilidade também exigirão soluções rápidas de outros setores. Na área de energia, carros elétricos podem significar algo em torno de 3% da demanda de eletricidade em todo o planeta, ou 4% na Europa, no já não tão distante 2030.

QUAL A SAÍDA?

Como dissemos antes, o setor automotivo está numa sinuca, e deve se preparar para enfrentar o futuro -que será totalmente diferente do seu passado- e a forma do negócio automotivo com certeza vai exigir profunda adaptação para deixar de produzir e vender um produto de propriedade pura para passar a fornecer uma série de serviços de transporte.

Os carros elétricos também irão representar papel fundamental na redução da produção de energia solar e fotovoltaica. Obvio que são ameaça gigante aos motores de combustão interna. Os donos de postos de abastecimento devem estar pensando em como transformar o atual negócio que tem em mãos num mecanismo de sobreviver com novas propostas, incluindo aí o atendimento a carros conectados e sistemas de recarga de baterias.

Para as empresas de tecnologia, os três modelos de mobilidade –elétrica, autônoma e conectada- oferecem outro universo de oportunidades. Conforme o uso da conectividade e da autonomia se expandem, também cresce a necessidade de utilização de novos e mais sofisticados sensores e softwares.

Em poucas cidades a realidade de mudar o sistema de mobilidade já é realidade, e mais mudanças estão sendo pesquisadas. Novidades estas que irão permitir aos usuários viajarem de modo mais eficiente, mais barato, com maior frequência e de diferentes maneiras.

E O FUTURO?

A verdade é que o futuro ainda não está definido. Será preciso forte interação entre os setores público e privado para driblar riscos de aumentar congestionamentos, piorar a qualidade do ar e outros eventuais resultados negativos. Por isso, público e privado precisam se preparar para o futuro, e não apenas esperar por ele. Os governos devem antecipar esses novos padrões de mobilidade criando legislação pertinente, e divulgando projetos para melhorar a qualidade do ar e reduzir o trânsito. É necessário ainda pensar na perda de receitas de imposto sobre vendas de carros e combustíveis.

Esta será uma boa chance de melhorar o dia a dia, ou seja, a vida de bilhões de pessoas, antes que o planeta entre em colapso. A mobilidade urbana é a força vital das grandes e médias cidades. A mobilidade é que mantém tudo em funcionamento. Ao mesmo tempo, a mobilidade é um fator vital na economia de cada país, seja como um setor importante seja como instrumento de progresso para todo tipo de indústria, e aí se incluem áreas automotivas, de engenharia, tecnologia, eletrônica, energia e telecomunicações, entre outras. Uma cadeia imensa.

As vendas globais de veículos elétricos aumentaram rapidamente nos últimos cinco anos, impulsionadas por generosos subsídios de compras e custos de bateria em queda, mais os compromissos assumidos pelas empresas de automóveis e o crescente interesse dos consumidores e fabricantes.

LOBBY E INTERESSES

As vendas globais subiram 60% em 2015, indo para 450.000 unidades, contra 50.000 em 2011. No Brasil não há nada nesse sentido, nem por parte das montadoras, muito menos por parte do governo. A impressão é que há um grande lobby das montadoras aqui instaladas para que o carro elétrico não aconteça, pois assim fogem dos pesados investimentos necessários.

Estados Unidos, Europa e China, por sua vez, investem pesado nisso. Na maioria dos mercados, os carros elétricos representam menos de 1% do total de veículos em circulação, mas na Noruega, por exemplo, os veículos elétricos já representam mais de 25% das vendas de veículos novos.

O preço médio das baterias de íon de lítio usadas em veículos elétricos caiu 65% entre 2010/2015 -de US$ 1000/kWh para US$ 350/kWh- e continua despencando por conta da maior escala de produção, melhorias na tecnologia aplicada nas baterias e melhores sistemas de gerenciamento de carga.

Os custos das baterias caíram mais rápido do que o previsto. Elas agora estão a caminho dos US$ 100/kWh na próxima década, e abaixo dos US$ 50/kWh a médio prazo, com o uso novas técnicas. Essas mudanças tornarão os veículos elétricos totalmente competitivos com veículos semelhantes ​​de motores de combustão interna até o início da próxima década, ou seja, daqui há três anos no caso de modelos particulares, e ainda mais cedo para veículos de frotas e táxis.

DIESELGATE

As normas locais e globais sobre dados de economia de combustível –desencadeadas depois do “Dieselgate” da Volkswagen- estão desempenhando papel importante na popularização de híbridos e elétricos. Estados Unidos, Europa e China tem objetivos definidos e rígidos para as montadoras atenderem. Grande parte disso será alcançada por meio de melhorias nos veículos com motores de combustão interna, mas é provável que se tornem cada vez mais difíceis atualizar os motores ainda na década de 2020. Por isso todos os tipos de veículos elétricos se beneficiarão da crescente ênfase na constante busca da economia de combustível.

A grande revolução do automóvel será mesmo a condução autônoma, cujas pesquisas estão avançando rapidamente, já contornando as preocupações com segurança nas vias, legislações atualizadas, economia de custos e inovações tecnológicas.

O status atual desta tecnologia é o seguinte: os veículos de condução autônoma estarão disponíveis nos primeiros anos da década de 2020. O Brasil está fora disso também. Fabricantes e novos participantes do mercado estão competindo para lançar logo esta tecnologia, disponível para uso generalizado.

Tesla, Apple e Google, entre outras, investem nisso, e a Tesla anunciou que seus clientes serão capazes de usar carros autônomos em todos os Estados Unidos já em 2018. Sabe-se que fabricantes como BMW, Ford, General Motors e Volkswagen estão preparando seus primeiros carros de condução autônoma (nível 3 ou 4, os mais altos) no mercado em 2020 ou 2021. Além disso, muitas marcas já estão testando nas vias seus primeiros protótipos. E com resultados assombrosos.

CUSTOS EM QUEDA

Os veículos elétricos têm custos iniciais altos –por culpa das baterias- mas compensados ​​por menores custos paralelos: a eletricidade em geral custa muitas vezes menos que a gasolina ou do etanol, e os custos de manutenção são mais baixos. Nos Estados Unidos, veículos elétricos usados ​​para passeio acumulam quilometragem anual similar ou mesmo mais elevada do que os táxis –cerca de 112.000 km– contra 21.600 km para um veículo particular com motor de combustão interna.

Ao mesmo tempo, a maior quilometragem atingida pelos veículos elétricos de passeio também aumentam sua vida útil, pois aceleram a evolução dos veículos de próxima geração, inclusive os autônomos.

Como vimos antes, especialistas garantem que a chegada destas novas formas de mobilidade poderá reduzir a produção mundial de automóveis em até 80%. Ninguém mais precisará ter a posse do veículo, e sim pagar apenas pelo uso.  Os veículos de condução autônoma usados sob demanda também podem substituir a maioria dos modelos atuais de mobilidade.

Se um usuário estiver disposto a compartilhar um trajeto com outro usuário, a economia seria ainda mais atraente, pois a previsão é de que, usar um táxi autônomo, por exemplo, elétrico e compartilhado, poderia ser até 60% mais barato do que um veículo particular.

Em 2025, um carro privado deverá custar US$ 0,30/km (média mundial) enquanto um consumidor poderia usar um taxi autônomo por algo como US$ 0,10/km. Os veículos autônomos, particulares ou compartilhados, serão responsáveis por aumentar o acesso à mobilidade, nos quais os veículos elétricos podem dispensar o custo de propriedade.

Resumindo, haverá uma mudança radical no sistema da mobilidade, em poucos anos, e o automóvel precisará se reinventar. Há várias vantagens imediatas a serem obtidas com a introdução de novos sistemas, como:

Questão ambiental/poluição reduzida: as emissões de todo o processo e uso de carros elétricos podem reduzir as emissões de CO2 em até 60% em 2030 em áreas urbanas específicas. Outras emissões que trazem sérios impactos prejudiciais na saúde,  também podem ser reduzidos pela eletrificação.

Segurança: a falha humana é responsável por aproximadamente 94% dos acidentes de veículos. A automação pode eliminar muitos erros humanos que anteriormente contribuíram para acidentes. Por outro lado, a condução autônoma pode introduzir novos padrões de acidentes, incluindo falhas de sensores e softwares, manutenção inadequada e má interpretação dos algoritmos. A Organização Mundial da Saúde afirma que 1,25 milhão de pessoas morreram em acidentes rodoviários em 2015 e que o potencial para reduzir acidentes de trânsito representa um bem-vindo e necessário benefício para a sociedade.

Ganho social: os veículos autônomos permitirão que horas gastas inutilmente hoje dirigindo ou parado em congestionamento sejam usadas de formas mais saudáveis e úteis.

CONCLUSÃO

Para os países mais avançados, ou que querem ser avançados no quesito “mobilidade urbana”, a receita está definida: carros elétricos, autônomos e compartilhados. Para o Brasil e seus companheiros de Terceiro Mundo, só há uma chance: investir rápido e muito em infra-estrutura, legislações necessárias e incentivos. Isso pelo menos para carros elétricos. É o primeiro passo para depois trabalhar compartilhamento, condução autônoma e conectividade.

Em definitivo, o automóvel e outros veículos movidos por motores de combustão interna foram condenados à morte e estão com os dias contados. Cabem até alguns recursos, mas a pena capital é inevitável. Pelo bem da humanidade.

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