Classic Cars

Surreal: existiu um Honda Civic AMG produzido pela Mercedes

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Antes da AMG ser comprada pela Mercedes-Benz, ela preparava mais do que apenas carros alemães. Por isso já citamos aqui no site casos de Land Rover AMG e Mitsubishi AMG, algo que hoje soa estranho. Aqui vai mais uma história que você pode não conhecer: os Honda Civic AMG.

por Marcos Cesar Silva

A sigla AMG pode agora ser sinônimo de Mercedes-Benz devidamente preparados, mas antes dessa marca ser trazida para dentro da fábrica alemã, ela colocava suas mãos em muito mais do que apenas Mercedes-Benz. Por um período entre as décadas de 1980 e 1990, a AMG também deu jeito em um punhado de carros japoneses, entre os quais estava um obscuro modelo, de desempenho modesto, o Honda Civic, numa versão que nunca foi vendido nos Estados Unidos, Europa ou Japão. Estamos falando do Civc rebatizado de Ballade AMG. que era exclusivo do mercado da África do Sul.

As informações sobre a Balada AMG são bastante escassas, espalhadas pela internet e quase sempre em histórias mal contadas. No entanto, AUTO&TÉCNICA tem informações suficientes para contar a história desse carro.

Tudo começa na década de 1980, quando a Mercedes-Benz da África do Sul, a MBSA -(Nota da Redação: o Josias Silveira chegou a ter uma 280S “africana”, branca de volante na direita que foi modificada lá nos anos 1980 para preta com volante na esquerda)- queria um modelo mais acessível do que o 190 em seus showrooms. Ao mesmo tempo, relatórios a Honda estava tentando entrar no mercado da África do Sul, mas não tinha revendedores ou rede de fabricantes interessada nos seus carros. Por estas razões, as duas empresas fecharam um acordo em que a Mercedes licenciaria a construção do Honda Ballade.

Também licenciado pela British Leyland no Reino Unido, o Honda Ballade era basicamente um Civic mais luxuoso, com ênfase em generosos equipamentos padrão, como ar-condicionado e revestimentos de couro (na época couro de verdade, nada de materiais sintéticos). Ele se encaixava perfeitamente abaixo do Mercedes 190, e para se misturar ainda mais dentro da marca alemã, foi oferecido com dois “pacotes” de acabamento AMG. Havia o 180i, com motor 1.8 litros B18B4 de quatro cilindros, e o 160i com o motor menor 1.6. Exatamente qual motor 1.6 litros foi usado não está claro; uns afirmam que foi o D16A, enquanto outras fontes relatam que era uma série B -possivelmente o B16A6- como sugerido pelo proprietário de um Ballade AMG.

Sendo AMG, eles estavam sujeitos a melhorias diversas, que no caso do humilde Ballade eram o uso molas Eibach que os baixavam a suspensão em 4 cm; spoilers e aerofólios maiores e rodas de alumínio Remotec (marca alemã que desapareceu). Há também a possibilidade de que a AMG ajustou o motor 1.8 para para 173 cv de potência, embora isso também não se confirme.

Os Honda Ballade AMG foram vendidos na quarta e quinta gerações do Civic. Novamente, a informação é difícil de encontrar, mas sabemos que a produção desses carros cessou no final de 2001, quando a plaqueta de identificação da empresa alemã foi descontinuada globalmente. Muito sobre a versão AMG da Honda, incluindo quantos foram feitos, permanece um grande mistério, e provavelmente será assim para sempre: nenhum de nossos questionamentos à Honda da África do Sul ou à Mercedes-AMG foram respondidos. Talvez nenhuma das duas empresas queira lembrar esse pedaço de suas histórias compartilhada –a Honda por terceirizar um modelo de melhor desempenho e a Mercedes por deixar um emblema AMG coroar outra marca.

Mas não importa como os pais do Honda Ballade AMG se sintam hoje sobre isso, pois foram eles a trouxeram para o mundo, e isso não dá para esquecer. Não temos razão para isso: é só uma estranheza histórica.


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