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Chevrolet Zafira, o Porsche mais barato que você pode comprar.

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Você sabe o que o Chevrolet Zafira e a Porsche têm em comum? Muito mais do que você pode imaginar.

por Ricardo Caruso

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Como todos sabem, a Porsche Engineering –departamento da marca alemã dedicado à pesquisa e desenvolvimento de soluções de engenharia para a indústria automotiva (principalmente…)– sempre foi uma das áreas de negócios bastante forte da marca alemã ao longo da sua história. A história da Porsche enquanto empresa prestadora de serviços de engenharia é muito anterior à sua história de fabricante de automóveis.

Em 1995 começaram as conversas entre a Porsche e a Opel para o desenvolvimento de uma minivan”.

Antes do lançamento do 356, que foi o primeiro modelo a ostentar o nome da marca, a Porsche já existia há anos. Para se ter uma ideia, o Porsche 356 tem esse nome devido ao fato de ter sido o projeto de número 356 da marca. Resumindo: antes do Porsche 356, já tinham sido desenvolvidos 355 outros projetos na empresa, não necessariamente de automóveis.

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Se recuarmos até a década de 1990, a Porsche como fabricante de automóveis estava rumando ao fracasso, destinada ao calabouço onde jazem marcas que viraram pó. Até metade daquela década, a Porsche vivia em plena ressaca de uma década de fracasso de vendas. Nas décadas anteriores, de 1970 e 1980, pelo contrário, ter um Porsche 911 na garagem era sinal de sucesso, sofisticação e bom gosto.

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Mas como qualquer ressaca, essa também foi sofrida, e quase levou a Porsche à falência. O que mantinha os sinais vitais da marca alemã preservados vinha do seu departamento de engenharia, que continuava a oferecer um know-how impressionante, por conta da aposta constante no automobilismo e na contratação dos engenheiros mais talentosos que existiam no mercado.

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Ao longo da história, foram muitas as marcas que recorreram aos serviços da Porsche para desenvolver soluções de engenharia. A Volkswagen é um desses clientes históricos (o Gol a ar teve alguma influência da Porsche, mas isso é outra história), e também podemos lembrar da SEAT (antes de ser do Grupo VW), Lada, Peugeot e até a Mercedes-Benz (graças ao E500, o que também é outra história).

chevrolet zafira 2006 2.0 8v

Entre estes clientes, há um que passou praticamente despercebido ao longo dos anos, e até mesmo na Internet essa informação é mínima. Mas AUTO&TÉCNICA gosta de desenterrar histórias para seus leitores, que como já devem ter percebido, estamos falando da Opel, quando subsidiária da General Motors.

Em 1995 começaram as negociações entre a Porsche e a Opel para o desenvolvimento de uma minivan. Estávamos no auge do segmento dos monovolumes, e toda marca que se prezava tinha um no catálogo. Mais ou menos o que ocorre hoje com os SUVs. Todos queriam ter um, por conta da praticidade e espaço para ocupantes e bagagem. Até a Audi quase teve a sua, que seria uma versão do Volkswagen Sharan com o emblema das argolas do “VW de luxo”.

Opel Zafira Porsche
O Opel Zafira em corte, em exposição no Museu da Porsche: não é à toa…

A Opel precisava de uma minivan compacta, com sete lugares e não muito cara de produzir; por isso, tanto os motores como outros componentes deveriam ser compartilhados de outros modelos. Uma lista de exigências fáceis de entender, mas muito difíceis de atender. Foi então que a Opel recorreu à Porsche Engineering. Devem ter mandado um email nos seguintes termos: “Queridos amigos, precisamos urgente de uma minivan compacta, barata, prática, confortável, com sete lugares e que se comporte com um mínimo de dignidade nas ruas e estradas. Vocês conseguem?”.

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A Porsche, que na época não podia se dar ao luxo de perder serviço, não só foi capaz de fazer tudo isso, como ainda conseguiu a façanha de acomodar a terceira fileira de bancos no piso do porta-malas. O Opel Zafira foi o primeiro monovolume compacto a ter essa solução. Tanto a plataforma como as suspensões do Zafira também tinham assinatura da Porsche. As peças mecânicas eram praticamente todas vindas do Opel Astra, e a produção começou em 1998.

Sua fabricação no Brasil pela Chevrolet começou em 2001 e terminou em 2012. Em 2005 sofreu sua primeira remodelação na Alemanha e, em 2011, mais uma atualização. Mas o modelo brasileiro continuou com a mesma carroceria lançada em 2001, apenas com pequenos retoques de estilo, até ser sucedido pela Chevrolet Spin, bem mais barato de produzir. Foi o primeiro modelo desse porte fabricado no Brasil a oferecer sete lugares, utilizando um sistema criado pela Opel, o Flex7.

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Opel Zafira OPC: 220 km/h

O Zafira tinha uma estrutura tão boa, que a marca alemã decidiu lançar uma versão esportiva. Isso mesmo, uma minivan esportiva. Era o Zafira OPC (imagem acima), com motor 2.0 turbo de 192 cv. Era a minivan mais rápida do mercado, pois atingia os 220 km/h de velocidade máxima e precisava de apenas 8,2 segundos para acelerar de zero a 100 km/h. 

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Opel Zafira

A superioridade do Zafira em todos os sentidos era tamanha, que quando foi lançado, deixou toda a concorrência em pânico. O Citroën Picasso foi um deles. O Renault Scénic, também contemporâneo, foi uma dessas vítimas. Vale lembrar que a Renault foi a criadora do segmento moderno dos monovolumes na Europa (muito tempoi antes a Fiat havia tentado o Multipla, enquanto os Chrysler Town & Country eram maiores, voltados para o mercadoi americano), e assim não é exagero dizer que a marca francesa foi vencida no seu próprio quintal pela Porsche!

A minivan foi vendida como Chevrolet Zafira (Brasil), Opel Zafira (Europa), Vauxhall Zafira (Reino Unido), Holden Zafira (Austrália), Subaru Traviq (Japão), Chevrolet Nabira (Malásia) e Chevrolet Zafira (Filipinas)ç

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A versão vendida pela Subaru.

Agora, por favor, não vá trocar a “gravatinha” da Chevrolet da sua Zafira pelo clássico emblema da Porsche. Ninguém vai entender essa história…


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