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Coisas que você não sabia sobre o “General Lee”

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No Brasil, era chamada de “Os Gatões”. A série, cujo nome original era “The Dukes of Hazzard” se tornou clássica, atraindo em especial os fãs dos Dodge. Foi ao ar nos Estados Unidos, na CBS, de 26 de janeiro de 1979 a 8 de fevereiro de 1985, no total de 147 episódios. Foi uma das séries mais populares da televisão durante seis anos. A história girava em torno dos Duke (os irmãos Bo e Luke) e sua prima Daisy, sempre envolvidos em infindáveis confusões com vilões liderados pelo corrupto Jefferson Davis (J. D.) “Boss” Hogg  e pelo xerife Rosco P. Coltrane. Mas a verdadeira estrela da série nem era uma pessoa; a atração era o Dodge Charger 1969 laranja (Hemi Orange), que se tornou muito popular, chamado “General Lee”. Os atores Tom Wopat (como Luke Duke) e John Schneider (Bo Duke) não eram mais importantes do que o “General Lee”. 

por Ricardo Caruso

O Dodge Charger laranja se tornou um dos símbolos da cultura americana na época. O seriado acabou se tornando um enorme sucesso e, desde então, o carro manteve um lugar especial no coração dos entusiastas da marca. Mas existem muitos fatos surpreendentes que você pode não saber sobre o “General Lee”. Aproveite para saber mais sobre o icônico Dodge Charger a seguir.

O Dodge “General Lee” não era apenas um carro voador de programa de TV… Ele foi apresentado em todos os episódios da série. O período dos derradeiros anos da década de 1969 foi fundamental para o fim de ciclo dos muscle cars, e todos jovens eram loucos por esses Dodge Charger. “Dukes of Hazzard” é uma das poucas séries que apresentou o mesmo carro em todos os episódios que foram ao ar, outra delas é Batman. Não há um único episódio da série em que não apareça o famoso Dodge Charger (como personagem). A vantagem do Charger 1969 era ser um carro que os jovens já amavam naquela época.

O Charger foi parte importante do sucesso do show, e é por isso que ainda há legiões de fãs dos “Dukes” até hoje. A série foi tão icônica que houve um remake em um filme em 2005. Meio fraquinho, mas valeu. Havia tudo no “Dukes de Hazzard” para agradar, e por isso a série continua popular ainda hoje. O programa de TV também ajudou a popularizar ainda mais o próprio Charger, e muitos se lembram do modelo apenas por seu papel de protagonista na TV.

O filme “Dirty Mary Crazy Larry” de 1974 e a série de TV “Dukes of Hazzard” estão estão de alguma forma conectados. Ambas as produções compartilham um tema semelhante de carros rápidos e acrobacias perigosas. Além disso, eles apresentam veículos que se tornaram símbolos de suas respectivas histórias. Em “Dirty Mary Crazy Larry”, os protagonistas dirigiam um elegante e potente Dodge Charger, que também foi visto em “Dukes of Hazzard”.

Essa conexão entre as duas produções mostra a popularidade duradoura do Charger como símbolo de velocidade e aventura no imaginário americano. Além disso, tanto “Dirty Mary Crazy Larry” quanto “Dukes of Hazzard” capturam a emoção de perseguições em alta velocidade e direção ousada. A transição da tela grande para a tela pequena permitiu que o público experimentasse doses de adrenalina em diferentes formatos.

Durante as filmagens de “Dukes of Hazzard”, um dos Charger usados na série teve um destino infeliz. No entanto, o Charger destruído se tornou um símbolo inesperado de resiliência e uma prova da dedicação da série em entregar manobras emocionantes. Em primeiro lugar, ao realizar um salto ousado, conhecido como “salto dos Duke Boys”, o Charger usado na cena sofreu danos significativos ao pousar. As filmagens eram feitas em vários ângulos, e foram bastante usadas no correr dos episódios.

Voltando para o salto em si, o voo do carro foi um momento crucial, muitas vezes deixando o público espantado. Infelizmente, quando o Charger aterrizou, obviamente sofreu um acidente catastrófico, resultando em danos irreparáveis. Nesse ponto, só havia um Charger “General Lee”. e o acidente interrompeu temporariamente a produção e deixou a equipe de de filmagem enfrentando uma situação desafiadora.

Devido à escassez de Dodge Charger 1969 no mercado, uma solução inesperada foi encontrada durante as filmagens de “Dukes of Hazzard”: um AMC Ambassador foi usado como substituto. Essa circunstância única representou um desafio, mas também trouxe uma nova reviravolta na série. O Ambassador não era um carro normalmente associado ao mundo de alta octanagem dos “Duques de Hazzard”. No entanto, foi o escolhido para ficar como um “General Lee” reserva. Apesar dessa troca de urgência, as gravações conseguiram manter seu estilo e espírito característicos. O carro passou por modificações em fibra de vidro para se assemelhar ao “General Lee”, incluindo a pintura, a bandeira confederada no teto e o número “01” nas portas.

A ausência de Charger durante as filmagens da série causou uma situação para a qual os produtores não estavam preparados. Assim, pessoas andavam pelas ruas deixando bilhetes nos para-brisas dos Charger que encontravam pelo caminho, para ver se os proprietários estavam interessados em vender seus veículos. Houve algumas negociações e também muitos atritos, e por isso a escassez teve que ser resolvida emergencialmente usando os AMC Ambassador.

O Ambassador foi o mais próximo que eles poderiam encontrar para complementar as aparições dos Charger. O problema com o carro era que ele tinha que ser bastante modificado para funcionar de maneira correta nas filmagens. Mas o processo foi caro e demorado, atrapalhou as filmagens mais de uma vez e a solução foi continuar procurando os Charger no mercado.

A falta de Dodge Charger no set de filmagem tornou-se ainda um problema maior quando houve a falta de Ambassador também. Os carros eram usados para substituir os Charger, e quando isso não era mais suficiente, os produtores decidiram usar miniaturas para fazer o trabalho. Há certas cenas na série que usaram a magia de Hollywood para parecer realista, mas a verdade era que estavam sendo usados brinquedos. Por segurança, as portas eram soldadas e em alguns carros havia “santoantonio” no interior. Por padrão, as rodas eram modelo Cragar e os pneus preferencialmente BF Goodrich.

Isso é algo que muitos estúdios de cinema fazem hoje, mas na época não era tão simples assim, e o uso de miniaturas ajudou o programa a se manter no ar. Mas os fãs ainda se lembram da série pelo carro de produção real que apareceu e estrelou nela.

Quando a produção da temporada final terminou, foram contabilizados na série o uso de 325 Dodge Charger 1968 e 1969 (outros falam em 255 carros), mas havia 17 ou 18 autênticos “General Lee” que foram deixados para trás. Os carros estavam em vários estágios de avarias e alguns deles eram praticamente sucata. Os sobreviventes relevantes acabaram sendo vendidos em leilões e alguns deles foram restaurados. O carro em si era um dos estilos de carroceria mais populares da Dodge. Na verdade, ficaram abandonados por cerca de cinco anos até que alguém teve a ideia de vendê-los.

Como os carros estiveram envolvidos em várias acrobacias, apresentavam muitos danos: os carros foram vistos saltando, em perseguições em alta velocidade, batidas e uma variedade de outras manobras prejudiciais a qualquer modelo. Nada disso foi programado para o que o carro foi originalmente pensado. No entanto, o Charger foi uma escolha admirável para a série.

O golfista profissional Bubba Watson é o proprietário do carro original “Lee 1”, que foi o usado para o episódio-piloto. Em 2001, o “General Lee” original foi encontrado em um ferro-velho, comprado e restaurado, e vendido a Watson, por mais de US$ 100.000.Houve uma restauração completa do carro para garantir que ele voltasse às condições adequadas. Algumas mudanças foram feitas assim que o golfista o pegou. A bandeira confederada no capô foi removida e uma bandeira americana foi colocada em seu lugar. Recentemente houve uma espécie de “cancelamento” do General Lee (o militar) e dos símbolos dos confederados, que na sua época defendia a escravidão nos Estados Unidos. O resultado final foi um carro que estava longe do original e que não caiu bem entre os fãs.

Durante as filmagens, o “General Lee” teve que ter pesos colocados internamente para realizar algumas das acrobacias. Quando o carro batia no chão em alta velocidade, os pesos torciam a carroceria. Nos episódios onde parecia que o carro estava sofrendo muitos danos, na verdade não estava. O problema é que quase todos os carros usados nas filmagens foram danificados de alguma forma.

A carência de Charger 1969 chegou a tal ponto que modelos 1968, 1970 e 1971 foram modificados para se parecerem com a versão de 1969; carros que normalmente seriam sucateados eram consertados apenas o suficiente para uma cena de salto novamente. Alguns até tiveram o motor e a transmissão retirados e eram empurrados para o salto. Mais de 200 foram escrapeados em ferros-velhos.

O “General Lee” era um muscle car único, para dizer o mínimo. O fato de tantos deles terem sido destruídos foi bastante triste, mas necessário. O tema da série incluía danificar esses carros, então isso fazia sentido de certa forma, doesse a quem doesse. Mas foi uma pena ver esses Dodge indo para o ferro-velho no final das filmagens.

Confira aqui a buzina do General Lee.

Uma das coisas mais marcantes do “General Lee” era a “Horn Dixie”, ou “Buzina Dixie”, que tocava as primeiras 12 notas do hino Dixie. A buzina era um dos marcos do programa dos irmãos Duke, e indicava que o carro se preparava para algum salto. A coisa mais óbvia sobre a buzina era o fato de que não era uma opcional de fábrica naquele carro ou em nenhum outro. O som era diferente de tudo o que estava nas ruas na época. T Durante algum tempo, foram vendidas no mercado de acessórios essas buzinas e nos encontros de antigos nos Estados Unidos é comum ouvirmos ao longe o som de “Dixie”.


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