Classic Cars

Concept car: o esquecido Lincoln Quicksilver

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Muitas vezes, quando você fica um tempo admirando um carro-conceito (ou concept car), de imediato reconhece a “assinatura” da marca que o criou. Mas outras vezes, o projeto é tão radical, que acontece o oposto enquanto nos esforçamos para encontrar “digitais” familiares no protótipo. É exatamente esse o caso do conceito Lincoln Quicksilver de 1983. Quando olhamos para seu desenho, nada nos faz pensar que estamos diante de um modelo da marca de luxo da Ford. A primeira ideia é de que se trata de um conceito da Citroën dos anos 1970.

por Ricardo Caruso

Uma coisa é certa, o conceito Quicksilver, que foi apresentado no Salão de Genebra há 40 anos, confundiu muitas cabeças. Construído em colaboração com a famosa casa italiana Ghia, então uma divisão da Ford, o estudo estava posicionado em algum lugar entre o SUV hatch de hoje e uma wagon da época. Sua distância entre-eixos era exageradamente longa e a linha de teto muito baixa, projetada para minimizar o arrasto aerodinâmico. Isso teria servido bem a um estudo de carro com motor elétrico atual. O veículo podia acomodar cinco pessoas.

Curosamente, foi apresentado pela primeira vez no Salão do Automóvel de Turim de 1982, como Ford Quicksilver e animado com um motor Ford 3.0V6 conectado a uma transmissão manual de cinco velocidades. Depois, foi retrabalhado para ser mostrado como Lincoln no ano seguinte. Surgiu pintado de prata, depois foi preto e voltou ao prata.Na imagem acima, ainda ostentando o logo da Ford.

O interessante é que o conceito Quicksilver não foi apenas um estudo de estilo. Era um modelo funcional. Curiosamente, seu chassi veio de um cupê esportivo de motor central, o AC 3000ME (AC, da AC Motors), alongado em quase 30 cm. O motor era 2.8V6, montado transversal atrás da segunda fileira de bancos, o que reduziu significativamente o volume de carga na traseira. Por outro lado, na dianteira seu porta-malas oferecia bastante espaço. O que a Ford estaria imaginando ao trabalhar num carro muito longo, com motor traseiro e interessante desenho lateral…

Por dentro, além do bom espaço interno, o que mais chamava atenção era o painel (acima) Formado por gomos, trazia os seis instrumentos alojados em cavidades circulares, todos alojados num semi-circulo. Volante multi-funcional de dois raios, bancos revestidos de tecido e câmbio automático completavam o “pacote”.

Ainda nos estúdios Ghia, como Ford. A principal diferença visual são as rodas.

O modelo, felizmente, foi parar nas mãos de colecionadores particulares. A última vez que este carro incomum foi colocado à venda foi em um leilão em 2014. Preço de venda: apenas US$ 27 mil.


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