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Scuderia Ferrari… só que de motos!

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Quando se fala ou pensa em Ferrari, as motos não são a primeira coisa que vêm à mente. Mas, na história da Scuderia Ferrari e do próprio Enzo Ferrari, elas estão bem presentes, já que ele era motociclista e chegou a competir com motos nos primeiros tempos da formação da Scuderia.

A Scuderia Ferrari em 1932; três Rudges TT Replica Rudges, duas com discos integrais nas rodas traseiras. Enzo Ferrari é o terceiro, da direita para a esquerda, de boina.

Enzo adquiriu a sua primeira moto, uma Henderson, após a Primeira Guerra Mundial, quando trabalhava para a CMN, empresa que se dedicava a transformar veículos militares em automóveis civis. Na CMN desenvolveu a paixão pela competição, já que era ele quem testava os automóveis.

Aldo Pigorini após vencer em 1934 a International Speed Trophy, em Roma, com uma Rudge 350, que tinha alguns cuidados aerodinâmicos. Esta foi a moto com que ganhou o campeonato italiano de 350 cc. 

Em 1919 começou a competir em provas, como a Targa Florio, quando a Alfa Romeo o contratou para ser piloto oficial da marca. No entanto, ele não queria competir no mais alto nível, e sim estava mais interessado em gerir a seu concessionária da Alfa Romeo, em Moden,a e na sua nova família, fazendo, ainda assim, algumas corridas menos importantes.

Uma das Rudge-Withworth da equipe Ferrari. Note o emblema do cavalinho no paralama dianteiro.

Em 1929 Enzo criou a Scuderia Ferrari, utilizando os Alfa Romeo de competição, numa época em que a marca italiana tinha se retirado temporariamente da competição. Os pilotos continuavam a ter o apoio da fábrica e os patrocínios da Pirelli, Shell e Bosch.

1932: a equipe da Scuderia Ferrari: Mario Ghersi (1) ao lado de Enzo Ferrari, Franco Severi (2) e Giordano Aldrighetti (3).

O lendário Tazio Nuvolari era um dos pilotos da equipe, e ele próprio também era motociclista tendo, inclusive, competido pela Bianchi com bastante sucesso. Desde 1925 até 1930 Nuvolari competiu em motos e automóveis, até se concentrar apenas no automobilismo. Nuvolari é dos poucos pilotos que foi vencedor em provas de duas e quatro rodas.

Vitória! A Scuderia Ferrari após vencer. Enzo está à direita da Rudge; o piloto é Aldrighetti.

A partir de 1932, a Scuderia Ferrari, uma equipe de grande sucesso, criou um departamento de competição para motos, fornecendo assistência completa aos pilotos. Enzo achava que o motociclismo era a melhor forma de treinar pilotos de automóveis, já que os seus dois pilotos -Tazio Nuvolari e Achille Varzi- foram campeões nas motos, antes de se mudarem para os automóveis.

Tazio Nuvolari (na moto) com a equipe da Moto Bianchi no começo dos anos 1920, com sua rápida Frecchia Celeste DOHC e os demais pilotos.

A Scuderia Moto, nome dado à equipe, adquiriu duas das melhores motos de competição disponíveis no mercado, uma Norton Internacional e uma Rudge TT Replica. Ambas as marcas, estavam tendo bastante sucesso por toda a Europa.

O jovem Nuvolari, com o uniforme da Norton.

A Norton prosseguia o caminho de 30 anos de vitórias, e a Rudge estava no auge de sucesso da sua carreira esportiva, nas 350 e 500 cc. Como curiosidade, os Alfa Romeo utilizavam rodas idênticas às das motos Rudge-Whitworth, isto porque, a fabricante inglesa inventou um sistema de montagem da roda muito eficaz e de troca rápida, o que beneficiava o uso destas em competição.

No galpão da Scuderia Ferrari, onde é possível observar várias motos Rudge.

Em 1922, Carlo Borrani comprou a licença para produzir estas jantes em Milão, e muitos automóveis de competição utilizaram este tipo de rodas, como a Alfa Romeo, Mercedes-Benz, Auto Union e Lancia, entre outros.

Achille Varzi em uma Sunbeam TT90 1928, antes de passar a competir com carros da marca.

O uso de motos inglesas numa equipe italiana gerou muita polêmica entre a mídia e a população em geral, porque todos acreditavam que as motos italianas eram as melhores. E não estavam enganados, pois tanto a Moto Guzzi, como a Gilera e a Benelli fabricavam as motos mais avançadas de competição nos anos 1930. Utilizavam motores de quatro cilindros com dupl comando de válvulas no cabeçote, fora motores com compressores, entre outras inovações.

As Rudge prontas para correr.

Enzo Ferrari estava acostumado a vencer corridas, e a sua equipe de motos precisava ganhar. Enzo era bastante patriótico e, de fato, tentou arranjar uma forma de competir com motos italianas. Modena era também a casa da fabricante de motos Mignon, com o talentoso engenheiro Vittorio Guerzoni à frente da empresa.

A Mignon DOHC, considerada por Enzo Ferrari para substituir Rudge, mas que necessitava muito desenvolvimento para ser competitiva.

Em 1931, a Mignon estava desenvolver\ndo um motor de competição monocilíndrico e duplo comando de válvulas no cabeçote, mas que não era tão competitiva como as máquinas inglesas. Naquele mesmo ano, Ferrari falou com Guerzoni, com a ideia de produzir um novo motor para as motos da Scuderia. Uma das Norton Internacional foi desmontada, e Guerzoni e Vittorio Bellentani (este último desenvolveu em 1940 a primeira Ferrari de competição), alteraram o motor, mas não era tão competitiva quanto as Norton e o projeto foi abandonado.

A Scuderia Ferrari, num momento de descontração.

Pouco tempo após a fundação, o departamento de motos igualou o sucesso dos automóveis da Scuderia. Giordano Aldrighetti teve bastante sucesso, em 1932, vencendo quase todas as provas de 250 e 350 cc. Em 1933, a Ferrari subiu de categoria, indo para as competições de 500 cc, com igual sucesso. Aldo Pigorini ganhou o campeonato de 1934 para as 350 cc, Mario Ghersi e Piero Taruffi também tiveram bastante sucesso em provas internacionais. A Scuderia Ferrari foi até os anos 1950 a única grande equipe privada do motociclismo mundial.

Após construir os seus próprios carros, Enzo Ferrari pouco ou nada falava ou escrevia sobre a sua equipe de motociclismo e, por esse motivo, existe pouca informação sobre esta equipe. Como destaque, todas as motos da Scuderia Ferrari, utilizavam o “Cavallino Rampante” no paralama dianteiro, para que não restasse duvidas…


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