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TESTE: Renault Duster Iconic Plus 1.3T

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Poucos perceberam, mas o Renault Duster é um corajoso sobrevivente no feroz mercado brasileiro dos SUVs. É o mais antigo SUV da categoria e foi lançado em outubro de 2011. Treze anos é uma eternidade na história de um automóvel, mas isso pode significar evolução, maturidade, e assim aconteceu com o Duster. Ele ganhou nova geração em 2020 e chega a 2024 como o SUV top de linha da marca francesa por aqui (na Europa, figura sempre entre os carros mais vendidos). Sem o Captur, que foi para o paraíso dos carros desativados em outubro último, e com o lançamento do Kardian, menor, seu status mudou e ele surpreende pelas qualidades que entrega.

por Ricardo Caruso

Para se a presentar bem em sua nova posição, o Duster está mais equipado e atraente, e mantém o excelente motor 1.3 turbo na versão de topo da linha, a Iconic Plus (que AUTO&TÉCNICA avaliou), e o 1.6 aspirado nas demais, com câmbio CVT ou manual.

A nova geração do Dacia Duster, como é vendido na Europa, talvez não chegue por aqui, mas foi na geração anterior a esta que a Renault foi buscar inspiração para atualizar o carro, incluindo os faróis e lanternas traseiras com LEDs, que já foram suficiente para atualizar e dar outra cara ao modelo. A grade também mudou, com estilo mais robusto e ostentando um emblema laranja que identifica o “Iconic”; nos faróis de neblina e de longo alcance (que vem com o “pacote” Outsider), as lâmpadas são comuns. O conjunto de rodagem é novo, aro 17, com acabamento diamantado, o que garante a impressão de robustez que todo SUV deve ostentar.

Renault Duster Iconic 1.3T 2024Renault Duster Iconic 1.3T 2024

No interior, poucas e boas novidades. O carro já usava nova central multimídia, com tela de oito polegadas e espelhamentos de smartphone sem fios. Mas agora o grafismo dos instrumentos é diferente e o console é mais alto, alojando carregador de celular por indução e duas tomadas USB direcionadas para a traseira. O SUV é equipados com seis airbags, novidade da mesma forma que o sensor de chuva.

O Duster entra na categoria dos SUVs compactos, mas é o maior do segmento, com 4.376 mm de comprimento e 2.673 mm de distância entre- os eixos, pouca coisa menor, por exemplo, que o Jeep Compass (4.404 mm de comprimento e; 2.636 mm de entre-eixos), que é um SUV de tamanho médio. Com isso, o Duster pesa 1353 kg e oferece espaço interno muito generoso. O único pecado é não ter saídas de ar condicionado na traseira. Acomoda muito bem, com conforto, os cinco ocupantes (o traseiro central é vítima em qualquer carro) e com isso se transforma em excelente opção para famílias mais numerosas e/ou com filhos grandes. O porta-malas é bom, com 475 litros de capacidade. Na relação preço/espaço, o Duster é praticamente imbatível.

O Duster chegou ao Brasil com a plataforma BO+ do Grupo e a proposta de ser um carro mais barato, formando a trinca com os outros romenos da Dacia, os Sandero e Logan. Aqui fica um exemplo correto de como um carro pode amadurecer bem com o passar dos anos. A partir de 2020, deixou o Captur na saudade e, se a Oroch fosse um Duster picape, com certeza teria feito muito mais sucesso.

Andando com ele, as suspensões continuam mostrando porque são um dos destaques do modelo. Curso correto, altura do solo de 24 cm, calibragem mais para o conforto e transmitindo a sensação de robustez, não se acanhando em valetas e lombadas. Usa McPherson na frente e eixo de torção atrás. Mesmo com os grandes pneus 215/60-17, enfrenta sem dificuldades o piso ruim, e fica num bom “mais que meio termo” entre os compactos SUVs de shopping center e os com alguma vocação para enfrentar dificuldades e vida dura. A direção com assistência elétrica tem boa calibragem em qualquer situação.

Debaixo do capô descansa uma pequena joia mecânica: o motor 1.3 turbo flex, de duplo comando de válvulas e injeção direta, desenvolvido em parceria com a Mercedes. A aplicação desse motor no Duster colocou o carro em outra categoria. Está disponível apenas nesta versão mais cara, e rende 162/170 cv de potência máxima com gasolina e etanol, e 27,5 mkgf de torque máximo, com qualquer combustível. Trabalha acoplado ao câmbio CVT que simula oito marchas e tem muita disposição em qualquer situação. Marcamos a aceleração de zero a 100 km/h em 9,7 segundos e chega aos 190 km/h, mas cobra um preço no consumo. Como Chico Landi nos disse certa vez, “cavalo come, cavalo anda; cavalo não come, cavalo não anda”. Alcançamos a média de 7 km/litro de etanol na cidade e 10,8 km/litro na estrada, que não [e de todo ruim pelo porte do modelo.

O câmbio CVT é tranquilo, trabalha com suavidade. Tem a função Eco, para otimizar as trocas de marchas em baixas rotações, e em situação normal deixa o acelerador mais sensível e permite rotações mais elevadas. É bastante eficiente no dia a dia . 

CONCLUSÃO

O SUV Duster é um veterano, com tudo o que isso pode trazer de bom, e está em sua melhor fase. Assumiu na Renault uma posição surpreendente de destaque sem abrir mão de nenhuma das qualidades que já trazia. Próximo passo deverá ser ganhar mais tecnologia embarcada e mimos eletrônicos.

Você pode até imaginar que o Renault Duster é quase um carro velho, mas a “harmonização facial” lhe fez muito bem; nos humanos nunca dá certo, mas nos carros traz surpresas positivas. Só estando ao volante de um para ter certeza de todas as suas virtudes e muito raras deficiências.

Claro que tantas qualidades e o bom motor 1.3 turbo do Duster mais sofisticado custam caro. O Iconic Plus sai por R$ 153.890, mais R$ 2 mil pelo pacote “Outsider” ( faróis auxiliares dianteiros com molduras na cor Cinza Megalith e frisos laterais com detalhes em laranja) e vem equipado com chave presencial e partida por botão, acendimento automático dos faróis, “cruise control” (“piloto automático”), alerta de ponto-cego e bancos em material sintético que imita couro. Tem apliques em laranja na grade, portas, espelhos e bancos. Se você não conhece, faça um test drive e se surpreenda.

 

 


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