Classic Cars

E o incrível Mullin Automotive Museum vai desaparecer…

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Nos últimos 13 anos, o Mullin Automotive Museum (em Oxnard, California) tem sido local obrigatório para quem aprecia automóveis realmente clássicos, exibindo carros e projetos franceses do século XX. Abrigando a maior coleção particular de automóveis Bugatti do mundo em sua extensa área de 4.400 m2 de espaço de exposição em estilo “Art Déco”, o Mullin é um local diferente de qualquer outro.

por Ricardo Caruso

Infelizmente, Peter Mullin, fundador do museu e dono da coleção, faleceu em setembro último aos 82 anos, e agora o museu anunciou que fechará para sempre as portas em apenas algumas poucas semanas. Quatro de seus espantosos clássicos já foram doados ao Museu Petersen Automotive Museum, que fica nas proximidades, em Los Angeles: Talbot-Lago T150 CS “Teardrop” 1937, Hispano Suiza H6B Dubonnet Xenia 1938, Delahaye 165 1939 e Delahaye 145 1938.

um carro estacionado dentro de um prédioHispano Suiza H6B Dubonnet Xenia 1938

Mesmo entre estes quatro exemplares, seria difícil escolher um favorito. No prestigiado evento “Pebble Beach Concours d’Elegance” em agosto passado, o Delahaye 1939 fico entre os quatro primeiros na escolha do melhor carro da exposição. O Petersen Automotive Museum, que tem mais que o dobro da área útil do museu de Mullin, cuidará bem dessas verdadeiras obras de arte rolantes, como homenagem a Mullin. Ainda não há informações sobre o destino dos outros veículos da coleção.

Peter W. Mullin era colecionador, filantropo e empresário, nascido no início dos anos 40, fundador do Mullin Automotive Museum, presidente do American Bugatti Club e membro do Bugatti Trust (o fundo de caridade independente que tem como objetivo preservar e disponibilizar para estudo as obras de Ettore Bugatti).



O Mullin Automotive Museum prestava homenagem às eras “Art Déco” e “Machine Age”, num tempo em que obras de arte e automóveis criados e celebrados se confundiam num conceito só. Com mais de 140 veículos, peças de arte e artefatos, o acervo do museu estava focalizado em verdadeiras obras-primas, com foco principal nos automóveis franceses de fabricantes, como a Bugatti, Delage, Delahaye, Hispano-Suiza, Talbot-Lago e Voisin, com exemplares únicos como o Bugatti Type 57SC Atlantic.

Uma curiosidade era a Bugatti Brescia Type 22 Roadster, de 1925, que passou mais de 70 anos no fundo do Lago Maggiore, localizado na fronteira entre Suiça e Itália. Foi comprado em 2010 por US$ 360 mil e mantido em seu estado original (imagem abaixo)


Ao longo dos anos, vários dos automóveis da coleção venceram prêmios de prestígio em concursos por todo o mundo (como o “Best of Show” no “Pebble Beach Concours d’Elegance” em 2011, com o Voisin C-25 Aerodyne de 1934), enquanto participam igualmente em corridas históricas como o GP de Pau e a “24 Horas de Le Mans”, com vitórias memoráveis.


Mullin partiu após oito décadas de vida, deixando um inestimável legado na preservação do automóvel como bem artístico, social e patrimonial, numa sociedade em contínua transformação que já não liga tanto para isso.

Embora o museu estivesse aberto para visitação apenas às sextas e sábados nos últimos anos, ele abrigava uma coleção incrível que talvez nunca mais vejamos. Quem pode visitar, não esquecerá. Infelizmente é a hora do adeus ao Mullin Museum.


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