Blog dos Caruso

GM: Mark Hogan, o presidente “fora da curva”

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Na indústria automotiva, em especial no Brasil, existiram executivos realmente inesquecíveis. A maioria pelos erros e até crimes cometidos, e a minoria pela alta eficiência profissional, trato com seus funcionários e concessionários, relação com a imprensa e outras qualidades hoje praticamente desaparecidas. Vivemos um momento estranho, onde muitas montadoras veem jornalistas como inimigos, sabe-se lá por qual motivo.

Mas um desses executivos, em especial, merece ser lembrado. Mark Hogan, que presidiu a General Motors do Brasil de 1992 a 1997. Hogan era o que se chama por aqui de “cara do bem”. Extremamente competente, calmo, afável no trato com os jornalistas, ele se identificou com o Brasil nos cinco anos que esteve aqui. Tamanha empatia que chegou até a desfilar pela Portela e, mais que isso, fez parte da bateria da escola de samba, onde manejava como ninguém um tamborim. Nos anos depois de sua volta para os Estados Unidos, era comum ele vir para o Brasil para o Carnaval. E antes de ir embora, adotou duas crianças brasileiras…

Durante sua gestão, a GM realmente acelerou. Era uma empresa com características americanas, e não espelhada no sistema chinês, como acontece hoje. Os lançamentos de carros eram grandes eventos, a ponto do Omega (1992) ter sido apresentado no Epcot Center, o Corsa (1994) na Espanha e a S10 (1995) no Arizona. Festas memoráveis. Lançou ainda o projeto “Blue Macaw” (Arara Azul), que deu origem ao Celta, e à então revolucionária fábrica de Gravataí (RS). Visionário, enxergou na época que o futuro das vendas de automóveis passaria direto pela internet.

Ele também trouxe para o Brasil o Vectra e o Astra importados da Bélgica, e colocou nas ruas a Blazer e a Silverado, entre outros. Tudo sempre acompanhado pelos vice-presidentes, André Beer (já falecido) e Jose Carlos Pinheiro Neto (uma lenda nesse setor) e Marcos Munoz, outras figuras de enorme grandeza nesse meio, e por uma área de comunicação (assessoria de imprensa, hoje comandada pelo Nelson Silveira) de eficiência incontestável, com nomes como Luiz Fanfa, Pedro Luis Dias, Chico Lelis, Renato Luti e outros. Era uma época em que tudo funcionava, mesmo a marca lidando com cerca de 150 jornalistas de todo o Brasil.

Hogan, em 1995, no lançamento de AUTO&TÉCNICA.

Quando foi nomeado presidente e diretor administrativo das operações da GM no Brasil, tinha apenas 41 anos e uma longa carreira na empresa, onde começou em 1973 e era diretor executivo de Planejamento de Operações da América do Norte e Gerenciamento de Informações Corporativas, sucedendo Richard Wagoner Jr., que passou a ser vice-presidente executivo e diretor financeiro da GM em Detroit. Da GM foi para a Magna em 2004 e depois para a Toyota, onde assumiu cargos altíssimos.

Para nós, de AUTO&TÉCNICA, foi um período de relacionamento muito tranquilo com a marca. Mais que isso, Hogan foi o único presidente de montadora que atendeu ao convite para o coquetel de lançamento da revista, em 1995. Existiam dezenas de importadores no mercado e as quatro montadoras tradicionais, e só ele estava lá. Uma reverência que jamais iremos esquecer. Como não vamos esquecer seu bom humor, seu carisma, sua atenção. Foram muitos encontros, muitas viagens, muitas entrevistas e muita atenção de sua parte.

Recebemos a triste notícia de que ele faleceu na manhã deste o dia 16 de abril, após enfrentar -em Chicago- um gravíssimo problema de saúde. Nos unimos em orações à sua família e pedimos em nossas preces pela sua merecida e tranquila passagem. Pedimos também para que os Espíritos de Luz não o desamparem. Como dissemos, ele era um “cara do bem” e merecia tudo de melhor. Força, família Hogan.

Ricardo Caruso.


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