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Imbrochável! Novo Ford Mustang ganha reforço digital, mas V8 e câmbio manual permanecem

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A Ford está se mantendo fiel ao público do Mustang, e a nova geração de seu cupê esportivo -fabricado desde 1964- recebeu um reforço digital, mas manteve-se fiel ao motor V8 e à caixa de câmbio manual. Com ol fim próximo e anunciado do Chevrolet Camaro e Dodge Challenger, provavelmente é uma espécie de “último dos moicanos” do que da melhor os automóveis ofereceram para a humanidade, os muscle cars. Hoje, inúteis SUVs e carros derivados de tablets fazem a alegria da “geração mimimi”.

por Ricardo Caruso

Ford Mustang GT em movimento vista traseira 3/4

Há muito tempo aguardada, a nova geração do Ford Mustang foi revelada e, ao contrário do que muitos antecipavam, não traz com ela nenhuma versão eletrificada, alegrando o mundo apenas com motores a combustão. A justificativa deve-se ao fato de continuar a usar a mesma plataforma do antecessor, ainda que ela tenha sido atualizada.

Entre os motores oferecidos, destaca-se, claro, o V8 aspirado, uma evolução do Coyote 5.0 — o único que realmente interessa neste pony car—, e o quatro cilindros sobrealimentado 2.3 EcoBoost, profundamente revisto e que a Ford garante tratar-se de um motor novo.

A marca disse que o 5.0V8 será mais potente aplicado no carro até agora, tendo recebido um novo sistema de admissão com dupla entrada de ar e uma borboleta de admissão de corpo duplo. E como se não bastasse a boa notícia da sobrevida do V8, este pode ser associado a uma caixa de câmbio manual de seis velocidades. Como alternativa, existe a caixa automática de 10 velocidades, a única disponível para o motor 2.3 EcoBoost.

Tal como acontece desde a primeira geração do Ford Mustang, o torque continua a ser enviado apenas às rodas traseiras. Isso encerra os boatos de que um inédito Mustang de tração integral seria oferecido.

Visualmente, o Ford Mustang também se recusou a romper com o passado, mas a evolução não deixa de ser evidente. As proporções e as linhas continuam inconfundíveis. É um daqueles carros que você reconhece, sem precisar ler o nome na traseira. Mesmo assim os volumes e superfícies foram redefinidos, e há novos elementos como os faróis em LED que lhe conferem uma imagem ainda mais agressiva, e as lanternas traseiras que se aproximam das do SUV elétrico Mustang Mach-E, considerado uma heresia dupla ao associar o nome Mustang a algo elétrico e ainda por cima SUV.

Avançando para a traseira, as aberturas dos para-lamas mais largos proporcionam um visual mais “musculoso” ao novo Mustang, seja na versão cupê ou conversível, nas quais o Mustang continua a se apresentar.

Ford Mustang versões coupé e descapotável
Como já acontecia, o novo Ford Mustang estará disponível com carrocerias cupê e conversível.

Além disto as versões com o 2.3 Ecoboost e o V8 vão ser facilmente identificáveis. Os Mustang GT V8 recebem uma dianteira diferente, com a grade dividida em três partes, entradas de ar ampliadas, novas aberturas no capô e spoiler dianteiro redesenhado.

Além disso, há vários “pacotes” de equipamentos disponíveis para o Mustang GT V8, que incluí um equipamento que promete dar que falar: freio de estacionamento eletrônico preparado para drift, o “Performance Electronic Parking Brake”.

Ford Mustang vista dianteira 3/4
O Mustang 2.3 Ecoboost passa a ser facilmente identificado e diferenciado das versões com o V8, com sua frente mais discreta.

Apesar de parecer um freio “de mão” normal, uma vez acionado ele controla os freios traseiros por meio de motores elétricos. O objetivo? Ajudar os motoristas mais inexperientes a melhorar as suas capacidades de drift e oferecer aos mais experientes um sistema pronto para a competição.

Além, desse sistema, e pensando em quem tem o exibicionismo como foco de vida, o novo Mustang conta ainda com um sistema que permite ligar o carro à distância e acelerar o motor (para fazer barulho e impressionar a plateia) a partir do comando da chave.

Se até agora o novo Ford Mustang parece ser sido um exercício de evolução da engenharia da Ford, é no interior que a proposta da marca norte-americana mais se desta do seu antecessor.

Ford Mustang vista geral interior
É no interior que o novo Mustang mostra onde mais evoluiu comparado com o antecessor.

O foco na tecnologia passa a ser muito maior e o destaque são as duas telas que agora dominam o interior: uma de 12,4 polegadas, que serve de painel de instrumentos, ao lado da qual reside uma outra tela, do sistema de multimídia, que chega às 13,2 polegadas. Maior que muitas TVs do passado recente… Por falar no sistema de multimídia, o seu software une o sistema SYNC4 da Ford com o Unreal Engine 3D, que permite usufruir de gráficos de melhor qualidade. A tudo isso se soma o assistente Amazon Alexa.

Ford Mustang pormenor volante
Por trás do volante (de base plana), temos o painel de instrumentos digital, que permite várias configurações, onde até podemos visualizar mostradores inspirados nos do Mustang de terceira geração (os chamados Fox body).

A Ford promete ainda consideráveis melhorias no campo da qualidade e qualidade dos materiais, mas quanto a esses só os podemos confirmar quando conhecermos ao vivo o novo Mustang, como fizemos com o seu antecessor.

Apesar de ter acabado de apresentar a nova geração do Mustang, a Ford já mostrou uma versão mais esportiva. Batizado de Mustang Dark Horse, vem tomar o lugar do Mustang Mach 1 —versão que fazia parte do portfólio anterior— e traz consigo uma série de equipamentos de desempenho que são opcionais nos demais Mustang.

Ford Mustang Dark Horse vista dianteira 3/4
O Mustang Dark Horse distingue-se pelos faróis e lanternas com LED escurecidos, grade exclusiva em preto brilhante, saias laterais, asa traseira, difusor traseiro exclusivo e saídas de escapamento escurecidas. Há também o “Dark Horse” nos para-lamas dianteiros, tampa do porta-malas e soleiras. A pintura metálica não é preta, e sim “Blue Ember”, exclusiva da versão.

Entre eles encontramos um diferencial autoblocante Torsen e barra estabilizadora mais grossa no eixo traseiro, amortecedores revistos e freios Brembo de maiores dimensões. Debaixo do capô repousa o mesmo 5.0V8 do Mustang GT, que neste Dark Horse deverá contar com mais potência, mas a Ford ainda não revelou quaisquer valores.

Ford Mustang Dark Horse vista traseira 3/4
Motor V8 aspirado no melhor jeitão americano e um túnel: a receita para colocar a casa abaixo…

A expectativa é que este motor tenha cerca de 500 cv, acima dos 480 cv do Mustang Mach 1″

O Mustang Dark Horse contará ainda com duas versões adicionais, destinadas aos circuitos: o Dark Horse S e o ainda mais radical Dark Horse R. Se o primeiro é uma espécie de brinquedo caro para os amantes dos track-days, o segundo pode até mesmo participar de competições oficiais.

O Mustang Dark Horse S traz um banco de competição tipo “concha”, volante amovível, “santoantonio” homologado pela FIA entre outros equipamentos, com o Dark Horse R a adicionar um tanque de combustível especial e vários componentes da Ford Performance Parts. Ou seja, haverá um Ford Mustang de competição para todos os gostos e bolsos.

O novo Mustang vai marcar também o regresso oficial da Ford aos campeonatos de GT3, a começar pelo IMSA, com a prova de estreia acontecendo na “24 Horas de Daytona” em 2024, e também vai correr na “24 Horas de Le Mans” daquele mesmo ano. Usará uma versão do Coyote, com 5.400 cm3 de capacidade. Antes disso veremos um Mustang GT4, que correrá já a partir de 2023, e participará em múltiplos campeonatos, como IMSA, SRO e FIA GT.

Resumindo: o Ford Mustang continua imbrochável. Seja lá o que isso signifique no mundo automotivo…


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