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Lançamento: o impressionante BYD Dolphin elétrico

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Se você torce o nariz para carros chineses, está na hora de rever conceitos. O mesmo vale para quem ainda vê com desconfiança os carros elétricos. Os chineses aprenderam rapidamente a fazer carros de qualidade: o que os japoneses levaram 30 anos e os sul-coreanos, 20 anos, para os chineses 10 anos bastaram. Essa é a nova realidade, e ainda por cima estão na liderança mundial no quesito “carro elétrico”. Os modelos elétricos mais baratos do Brasil ganharam um concorrente realmente de peso, que mudou a “nota de corte” no assunto. É que a BYD -maior fabricante mundial de carros elétricos- lançou o Dolphin, um hatch praticamente do mesmo porte do Chevrolet Bolt ( que custa R$ 329 mil), mas o chinês desembarcou aqui por R$ 149.800, ou seja, menos da metade do preço do Chevrolet. Com esse preço, o Dolphin tem preço para enfrentar também o Renault Kwid E-Tech (R$ 149.990) e o JAC e-JS1 (R$ 145.900), que são atualmente os dois elétricos mais baratos à venda no Brasil, mas bastante distantes em porte e tecnologia. O BYD seria também um concorrente do sorumbático Nissan Leaf (R$ 298.490), que tem bateria de 40 Kwh – menor que os 44,9 Kwh do Dolphin, e custa o dobro. 

por Ricardo Caruso

Isso mesmo. O BYD Dolphin é mais sofisticado e maior que os rivais da JAC e da Renault, oferecendo distância entre-eixos de 2,70 metros (quase a mesma medida do Toyota Corolla, por exemplo), que se reflete em maior espaço interno e interior muito atual, com duas telas no painel.

Como chamariz, os faróis são por LEDs, há um filete que contorna a grade dianteira e a identidade visual projetada pela lanterna traseira é excepcional. O conjunto é interligado e tem iluminação também por LEDs.

AUTO&TÉCNICA fez uma breve avaliação do carro no evento de lançamento, suficiente para notar que ele chama atenção por onde passa. Sua carroceria é hatch, capô curto e boa área envidraçada; o parabrisa é bem inclinado. O BYD Dolphin tem rodas aro 16 com desenho mais fechado e acabamento diamantado. Detalhes na cor laranja dão um toque diferente ao modelo (estes detalhes podem ser em outras cores), aliás, podem vir em outras cores. Já as colunas “C”, traseiras, trazem um acabamento que reforça a ideia do “teto flutuante”, hoje um recurso comum, mas que estreou no Brasil no Chevrolet Agile.

No interior, o modelo é bem acabado, com um ambiente moderno, sofisticado e jovial. Usa materiais de qualidade, macios onde é preciso e traz os bancos revestidos com material que imita couro e detalhes em três tons, Mark Orange, Angel Pink e Boba Brown. ), bastante confortáveis, tanto na frente quanto na parte de trás. A traseira, aliás, merece destaque, por conta do espaço oferecido aos ocupantes. Palmas para a boa distância entre-eixos, que citamos antes.

Se o espaço é grande, o quadro de instrumentos é bem pequeno, com só 5 polegadas, mas nada que prejudique, pois traz de forma correta as informações necessárias ao motorista. O indicador da carga das baterias fica no canto inferior direito e pode trazer a informação tanto em quilômetros quanto em porcentagem. O painel também traz as posições do câmbio. Tempos modernos: não há alavanca de câmbio, e para mudar as posições (Ré, Neutro e Drive), o motorista precisa apenas acionar um botão giratório no painel, e na hora de colocar em “Parking”, basta acionar um outro botão.

Em termos de conectividade, existem tomadas USB também para quem vai atrás, mas quem rouba o espetáculo sem a menor cerimônia é a grande tela central, de 12,8 polegadas, que é rotativa: pode ficar tanto na horizontal como na vertical. Para movê-la, basta acionar um dos botões junto ao volante, ou tocar em um ícone na tela. O sistema tem espelhamento com Android Auto e Apple CarPlay, Bluetooth e internet a bordo. Além disso, exibe imagens das câmeras 360° posicionadas nos quatro cantos do carro.

E como ele anda? Nos primeiros quilômetros rodados, é fácil perceber Dolphin é muito bem acertado em termos dinâmicos. As suspensões tem calibragem correta, confortável sem perder a sensação de segurança e a ergonomia é digna de elogios, sendo a posição de dirigir muito fácil de encontra, por conta dos ajustes de banco e volante (nesse, só de inclinação, não de profundidade).

O Dolphin é equipado com um motor elétrico dianteiro de 95 cv de potência, com torque de 18,3 mkgf. Com isso, a aceleração de zero a 100 km/h desse BYD é feita em bons 10,9 segundos e a velocidade máxima é limitada em 150 km/h. Lembrando que é um carro com vocação urbana. É montado na base E-platform 3.0 da marca e tem 285 km autonomia. Ops. Depois de uma atualização, passou para 291 km, valor reconhecido pelo INMETRO.

O modelo usa bateria “LFP Blade” (abaixo), da própria BYD, e seu consumo é equivalente a 69 km/litro se funcionasse com um motor térmico. Essa bateria ajuda no preço baixo do modelo. O principal componentes do preços final dos carros elétricos é a bateria. A BYD tem vantagem com a sua “Bateria Blade de Fosfato de Ferro de Lítio “, que adota uma química (LFP), 30% mais barata do que as opções que adotam íon de lítio. Além disso, os materiais necessários para essa química são mais abundantes, o que minimiza o risco de escassez futura de recursos, em especial níquel e cobalto.

Abaixo, a comparação de autonomia do Dolphin, oficial do INMETRO, com os seus principais concorrentes (preços e dimensões). Confira:

BYD DolphinChevy Bolt EVNissan LeafKwid E-TechJAC s-JS1
Bateria (Kwh)44,9664026,830,2
Autonomia (km)291390192186161

Na lista de mimos, temos, o “BYD App”, que incorpora diversas funções; comando de voz; possibilidade de atualização remota; cruise control; assistente de frenagem; seis airbags e sistema de limpeza do disco de freio, entre os itens. O sistema multimídia permite até para jogar videogame (com o carro parado, claro), arriscar uma cantoria no karaokê (para isso já vem com um microfone e um joystick no porta-luvas) e abrir as portas usando um cartão ou um anel específico. O “pacote” de internet 5G vale por um ano e, muito importante, o carregador “Wallbox” vem junto com o carro, sem que se cobre a mais por isso.

Como vimos antes, o Dolphin tem autonomia adequada para um carro de uso urbano, com 291 km. Em um carregador rápido DC (corrente contínua), com potência de 60 Kw, são necessários 30 minutos para a bateria ir de 30% para 80% da sua carga máxima. Isso impressiona, ainda mais considerando que se trata de um elétrico “quase popular”. Mas o Dolphin é vendido com um carregador Wallbox para ser instalado em sua casa ou escritório (de corrente alternada), com 7 Kw de potencia de saída de 7 Kw, que precisa de 7h15m para ir do zero até autonomia total (291 km). Como afirmou a BYD, é como um smartphone, que você chega em casa, conecta ao carregador e, no dia seguinte, ele estará com a carga completa.

CONCLUSÃO

Com preço ligeiramente abaixo de R$ 150 mil (R$ 149.800), com o Dolphin a BYD mostra enorme potencial para levar o mercado de carros elétricos para um público maior, tornando o carro elétrico mais acessível e atraente para muitas pessoas que, pelo mesmo valor, teriam acesso a um carro médio nacional e a combustível fóssil. O uso da bateria Blade da BYD, com alta segurança e longa vida útil (oito anos de garantia), e a arquitetura eletrônica moderna, tela central de 12,8 polegadas e chave “no anel”, dão ao Dolphin a certeza de se estar a bordo de um carro elétrico como deve ser.

Resumo da ópera: é um belo “pacote” de recursos e soluções por um preço interessante, que justifica seu valor. Quem quiser se iniciar no mundo do carro elétrico, sem ser explorado ou dirigir um produto superado, tem no Dolphin hoje a melhor opção aqui no Brasil. A marca garante que o preço não vai subir. Os concessionários dizem o contrário. Mas uma coisa é certa, se mantido no atual patamar, vai fazer um enorme estrago no mercado.


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