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Nem só de Fiat viveu a Abarth

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A marca Abarth é tão ligada à Fiat quanto a Mopar é ligada à Chrysler, a AC Delco à GM e a Fomoco à Ford. Mas nem sempre foi assim. Este ano a Abarth comemora o seu 74º aniversário, sempre motivo de celebração e de conhecer nove modelos da sua história que não são Fiat. Criada pelo italo-austríaco Carlo Abarth em 1949, a Abarth se celebrizou por duas coisas: primeiro, por ter como símbolo um escorpião, e segundo, pelo fato de, ao longo de quase toda sua história, ter se dedicado a transformar pacatos Fiat em carros capazes de oferecer elevado desempenho e generosas doses de adrenalina.

por Ricardo Caruso

Entretanto, não se engane pela longa ligação entre a Abarth e a Fiat (hoje a Fiat é dona da marca Abarth, mas isso é outra história). Apesar de praticamente desde o seu nascimento a Abarth ter se dedicado à transformação de modelos da marca italiana, e de ter sido comprada pela empresa de Turim em 1971, a verdade é que a relação entre ambas não foi de absoluta exclusividade.

A Abarth algumas vezes foi infiel. Tanto como preparadora como construtora, pudemos assistir o escorpião picar marcas como a Porsche, Ferrari, Simca ou Alfa Romeo, e sem esquecer que até fez modelos próprios. No Brasil, ficou para a história três Simca Abarth 2000 que foram trazidos em 1964 pelo piloto Ciro Cayres e George Perrot, chefão da área de competições da Simca foram para a França comprar três Abarth Simca 2000, carro esportivo que tinha sido lançado recentemente.

Os Abarth eram carros bem construídos por Carlo Abarth, com carroceria tipo berlinetta, rodas de liga-leve (novidade na época), motor com cabeçote de alumínio, duplo comando de válvulas, 2000 cm³ e câmbio de quatro ou seis marchas. Era o necessário para enfrentar nas provas de Turismo as equipes Willys e Vemag, e outros modelos importados que desembarcaram por aqui.

Foram trazidos para o Brasil três desses Simca Abarth, chassis números 136/0080, 136/0085 e 136/0090, na condição de carros de teste, ou seja, deveriam permanecer no país por um determinado tempo e depois disso retornarem à origem. Correram entre 1964 e 1965 em 12 provas, vencendo nove, mais três segundo-lugares e dois terceiros. Os carros ficaram anos abandonados num porto italiano e felizmente foram resgatados por um colecionador.

Conheça a seguir 10 carros Abarth não-Fiat, e mais um interessante extra:

Cisitalia 204A Abarth Spider Corsa

Curiosamente, o primeiro modelo a ostentar o nome Abarth foi, ao mesmo tempo, o último a ser batizado pela Cisitalia (marca que faliu pouco tempo depois). Apresentado em 1948, seriam feitas no total cinco unidades deste esportivo.

Desenvolvido para competição, o Cisitalia 204A Abarth Spider Corsa venceu no total de 19 provas, sendo que o lendário piloto Tazio Nuvolari obteve a sua última vitória ao volante de um desses carros.

Debaixo do capô estava um motor derivado do usado pelo Fiat 1100, mas com dois carburadores Weber e 83 cv de potência máxima associado a uma caixa de câmbio manual de quatro velocidades, que permitia levar o modelo, de apenas 510 kg até aos 190 km/h.

Abarth 205 Vignale Berlinetta

Depois de encerrado o vínculo com a Cisitalia, Carlo Abarth dedicou-se à criação dos seus próprios modelos. O primeiro de todos foi este belíssimo 205 Vignale Berlinetta, que recorria ao mesmo motor de quatro cilindros Fiat usado pelo Cisitalia 204A Abarth Spider Corsa.

A carroceria ficou a cargo de Alfredo Vignale enquanto a tarefa de a desenhar foi entregue a Giovanni Michelotti. No total foram apenas produzidas três unidades deste pequeno cupê, cujo peso ficava na casa dos 800 kg.

Ferrari-Abarth 166 MM/53

Desenhado por Carlo Abarth e desenvolvido com base na Ferrari 166, a Ferrari-Abarth 166 MM/53 continua a ser o único carro da marca Ferrari com algum trabalho da Abarth. Foi um pedido feito pelo piloto Giulio Musitelli que com ele corria. Debaixo da carroçaria desenhada por Abarth estava um 2.0V12 da Ferrari com 160 cv.

Porsche 356 Carrera Abarth GTL

Em setembro de 1959, a Porsche juntou-se a Carlo Abarth para criar, inicialmente, 20 carros de competição baseados no 356B. O resultado foi o 356 Carrera Abarth GTL, pronto a enfrentar a concorrência nas provas da categoria GT. Mais leve que o modelo que lhe servia de base e com uma carroceria diferente, desenhada e produzida na Itália, o “Porsche-Abarth” recorria a motores 1.6 de quatro cilindros boxer, com potências de 128 cv a 135 cv e 2.0 com potências de 155 cv a 180 cv.

Apesar do 356 Carrera Abarth GTL ter tido sucesso nas provas que disputou, a Porsche decidiu cancelar o contrato com a Abarth depois dos primeiros 21 carros estarem prontos. A razão para a desistência foi simples: a falta de qualidade dos primeiros protótipos e os atrasos iniciais acabaram por incomodar a Porsche e levar fim da relação.

Abarth Simca 1300 GT

Quando a Simca decidiu criar uma versão mais rápida do modesto 1000, a marca francesa não pensou duas vezes e recorreu aos serviços de Carlo Abarth. O acordo era para a Abarth fazer alguns protótipos baseados no Simca 1000 e o resultado foi algo bem diferente do carro original, o Abarth Simca 1300 produzido entre 1962 e 1965.

Com uma nova carroceria muito mais aerodinâmica (e mais esportiva), um novo motor —o pequeno 900 cm3 de 35 cv deu lugar ao 1.3 de 125 cv— sendo que do Simca 1000 restou pouco mais que o chassi, suspensão e direção, uma vez que os freios passaram a ser a disco nas quatro rodas.

O resultado foi um pequeno esportivo com apenas 600 kg (200 kg a menos que que o Simca 1000) e capaz de atingir impressionantes 230 km/h. A este seguiram-se ainda os 1600 GT e 2000 GT (o mesmo que veio correr no Brasil, sendo que o 2000 usava motor 2.0 de 202 cv, que permitia atingir os 270 km/h.

Simca Abarth 1150

A segunda aparição na nossa lista da parceria entre a Abarth e a Simca é a versão mais sedutora do Simca 1000. Ao contrário do que aconteceu no caso do 1300 GT, neste a receita foi um pouco menos radical e o Simca 1150 é uma versão melhorada do modesto modelinho francês.

Lançado no final de 1964, ficou pouco tempo à venda no mercadi, uma vez que a compra da Simca pela Chrysler -exatamente como aconteceu aqui- decretou o seu desaparecimento em 1965. Disponível em quatro versões, a potência ia dos 55 até 85 cv, estando disponíveis versões intermediárias com 58 cv e 65 cv.

Autobianchi A112 Abarth

Produzido entre 1971 e 1985, o Autobianchi A112 Abarth tinha como principal objetivo fazer frente ao Mini Cooper e à sua versão italiana, o Innocenti Mini.

Ao todo existiram sete versões do Autobianchi A112 Abarth, tendo sido produzidas 121 600 unidades do endiabrado carrinho urbano. Inicialmente equipado -em 1971- com um motor 1.0 de 58 cv, o A112 Abarth conheceu várias versões, destacando-se as equipadas com caixa de câmbiomanual de cinco velocidades ou com um 1.0 de 70 cv.

Abarth 1300 Scorpione SS

Produzido entre 1968 e 1972 pela empresa italiana Carrozzeria Francis Lombardi, o Abarth 1300 Scorpione SS teve vários nomes. Foi OTAS 820, Giannini e, claro, Abarth Grand Prix e Scorpione ao longo da sua vida.

Apresentado no Salão de Genebra de 1968, o Abarth 1300 Scorpione SS foi o último produto desenvolvido pela Abarth como marca independente, antes de ser comprada pela Fiat em 1971.

Em nível técnicos contava com motor 1.3 de quatro cilindros em linha, dois carburadores Weber, 100 cv, caixa manual de quatro velocidades, suspensão independente nas quatro rodas e quatro discos de freio.

Lancia 037

epois de ter sido incorporada pela Fiat, a Abarth ficou responsável por preparar e desenvolver os modelos de competição do Grupo italiano. Um desses exemplos foi o Lancia 037, o último tração traseira a ser campeão mundial de ralis.

Com motor central traseiro, sub-chassis tubular, suspensão independente, e enormes capô e tampa traseira, este monstro desenvolvido pela Abarth -em conjunto com a Lancia e a Dallara- teve ainda uma uma versão de rua para efeitos de homologação, o 037 Rally Stradale, que teve 217 unidades.

Outro dos Lancia desenvolvidos pela Abarth seria foi o sucessor do 037 nos ralis, o poderoso Delta S4, que como o antecessor, também teve uma versão de rua para homologação, a S4 Stradale.

Abarth 1000 Monoposto

Totalmente desenvolvido por Carlo Abarth em 1965, o Abarth 1000 Monoposto foi o responsável por oferecer o 100o. recorde mundial à marca e por estabelecer quatro recordes mundiais. Ao seu comando ia o próprio Carlo Abarth que, aos 57 anos, se sujeitou a uma severa dieta que o levou a perder 30 kg para poder caber cockpit.

A animar este monoposto fortemente focalizado na aerodinâmica, estava um motor 1.0 Fiat, derivado do usado na Fórmula 2 em 1964. O motor de duplo comando entregava impressionantes 105 cv, que serviam para impulsionar os apenas 500 kg de peso do carro.

Abarth 2400 Coupé Allemano

Tudo bem que este último exemplar de nossa lista é derivado de um Fiat, o 2300, mas a carroceria de desenho único e o fato de ser um dos preferidos de Carlo Abarth —foi o seu carro de uso no dia-a-dia durante vários anos—, fez com que ingressasse nesta matéria.

Mostrado em 1961, o Abarth 2400 Coupé Allemano era a evolução do 2200 Coupé baseado no Fiat 2100. O desenho ficou a cargo de Giovanni Michelotti e a produção coube ao estúdio Allemano (daí o nome…).

Debaixo do capô havia um motor de seis cilindros em linha com três carburadores de corpo duplo Weber capaz de debitar gerar 142 cv de potência máxima, sendo que o Abarth 2400 Coupé Allemano contava também com um sistema de escapamento completamente redesenhado.

Curiosamente, apesar da produção ter terminado em 1962, Carlo Abarth decidiu levar um exemplar do Abarth 2400 Coupé Allemano até ao Salão de Genebra de 1964, tal era a ligação que tinha com o carro.


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