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TEST DRIVE: Ford Ranger Black 2.2, a urbanóide

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Apresentada no final de 2021, a picape Ranger Black foi o primeiro produto apresentado depois da marca ter deixado de fabricar seus carros aqui, fechado as fábricas e se tornado importadora. A argentina Ranger Black tem proposta urbana, motor diesel 2.2, câmbio automático, bom conjunto de equipamentos e tração apenas nas rodas traseiras. Como a maioria dos compradores de picapes médias (e de outros tamanhos) faz uso preferencial urbano delas, nesse caso a tração 4×4 é algo totalmente dispensável.

por Ricardo Caruso

Interessante notar que, nos últimos anos, as montadoras estão apostando em veículos totalmente pretos, em séries especiais ou versões como Midnight (Chevrolet), Night Eagle (Jeep Compass), Blackjack (Fiat Toro), Black (Range Rover), Seleção (Chevrolet, no Onix), Frozen Black (BMW), BlackFox (VW), Blackmotion (Fiat), Black (Ford, no Ka), Black Edition (Audi Q3), e por aí vai. Parece até escalação para festa de Halloween, mas o preto nos carros ainda traz uma aura de elegância, exclusividade e até luxo, que remete aos Cadillac dos anos 1940 e 1950 pintados de “black Cadillac”. E depois do Ka Black, a Ford retomou o tema com a Ranger. A picape ganhou esta configuração em 2021, mas um estudo sobre isso já havia sido apresentado como conceito no Salão do Automóvel de 2018. E ao que tudo indica, a reação do público foi boa, tanto que ela está no mercado 

A ideia da Black é seduzir os compradores que fazem uso urbano majoritário de suas picapes. Nada de transportar engradados de laranja no Ceasa ou ferramentas para consertar o trator na caçamba. A Ford aposta no lado oposto. Com preço inicial de R$ 238.490, o alvo é quem roda pelas cidades, leva filhos na escola, vai ao supermercado e adora um shopping center, pois ela traz visual diferenciado, câmbio automático e não conta com tração nas quatro rodas, algo desnecessário nesse tipo de aplicação. Para honrar o sobrenome Black, a Ranger ganhou acabamento interno e externo quase todo preto e detalhes exclusivos; nada de cromados, que são itens caros. Por um descuido ou contenção de custos, a Ford esqueceu de pretejar o logotipo oval, o forro do teto e as colunas dianteiras internas. Mas isso passa, com a justificativa de que o emblema Ford é tradicionalmente azul (por isso se chama “blue oval“) e o interior 100% preto poderia ser “sufocante” para alguns.

Por dentro, ela é bem acabada, espaçosa e com materiais simples mas de qualidade. Por fora, chama atenção a presença de itens próprios da versão, como o rack do teto e o “santoantônio” parrudo, diferente. Mas bastante interessante é a cobertura da caçamba, que é metálica e tem acionamento elétrico. É um acessório antigo nos Estados Unidos, mas muito funcional; a Black não tem opcionais, e as primeiras unidades traziam o trio cobertura da caçamba, protetor de caçamba e redinha , que agora podem ser adquiridos nas concessionárias por pouco mais de R$ 10 mil. A capota elétrica é bastante prática, e além de ser acionada por um controle remoto (que não pareceu ser de grande qualidade), pode ser trancada com chave. Mas há o inconveniente do mecanismo do sistema roubar algum espaço na caçamba.

A Black tem por base as versões de entrada da picape Ranger. Mas a lista de equipamentos e recursos é generosa. Ela traz, por exemplo, sete airbags, controles eletrônico de estabilidade e tração, controle de oscilação de reboque, controle anti-capotamento e adaptativo de carga, e assistente de partida em rampa mais frenagem de emergência. Em termos de conforto, ar-condicionado de duas zonas, cruise control, multimídia com tela de oito polegadas (com conexão com smartphones via Android Auto e Apple CarPlay), câmera de ré, sensor de estacionamento traseiro, bancos de material sintético imitando couro e FordPass Connect que, entre outras funções, trava e destrava as portas e aciona o motor de forma remota, além de indicar a localização do veículo, tudo via celular.

Quando a Ford divulga que a Black é uma picape mais urbana, na verdade ela não é apénas isso, pois se dá bem da mesma forma levando carga. Para uso “profissional”, o 4×4 pode até fazer falta em alguma situação extrema, mas não é algo imprescindível. O motor diesel 2.2 de 160 cv de potência máxima e 39,2 mkgf de torque máximo dá conta do recado, afinal sua proposta não é esportividade. Nas estradas, exige um pouco mais de atenção nas retomadas e ultrapassagens, se estiver cheia (de gente e de carga). Mas não vamos esquecer de seu foco urbano, e então nas cidades ela está tranquila. A justificativa da Ford para usar o motor 2.2 e não o 3.2 de 200 cv na Ranger Black é simples: o consumo, pois o motor menor é mais econômico. Fizemos com a Black 10,7 km/litro na cidade e 13,2 km/litro na estrada. São marcas excelentes.

A direção tem peso correto e as suspensões estão bem calibradas, rodando quase com a mesma maciez de um carro grande. Ela tem 1.848 mm de altura, 1.860 mm de largura, 5.354 mm de comprimento e 2.261 mm de distância entre-eixos.

CONCLUSÃO

É sempre interessante quando uma marca busca outras aplicações para seus produtos. Muitas vezes não dá certo, mas no caso da criação de uma picape para uso urbano, confortável, sem tração 4×4 (nada mais old school do que uma picape 4×2 com suas deliciosas saídas de traseira) e com visual diferenciado, a Ford acertou. Ela atende aquele público urbano, do tipo “cowboy do asfalto”, que precisa de um porta-malas generoso (quer dizer, uma caçamba generosa…), e não tem a menor ideia de quando e como acionar um sistema 4×4, pois não irá levar nunca sua picape para longe do asfalto.  

Dentro dessa filosofia de vida. a Black atende com louvor sua proposta. É bonita, agradável de dirigir, segura e traz boa lista de itens de conforto com baixo consumo. Pena que qualquer coisa que tenha quatro rodas no Brasil está com preço muito alto, fora da realidade da maioria dos consumidores.


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