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Teste: JAC eJS-1 EXT, pequeno, aventureiro e elétrico

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A JAC Motors está comercializando o pequeno eJS-1 EXT, a versão aventureira de um dos carros carro elétricos mais baratos do Brasil. A sigla EXT adicionada ao nome significa “Extreme”, o que sinaliza a capacidade de enfrentar trechos leves no fora de estrada. Para isso, o EJS-1 ganhou 5 cm a mais de altura em sua suspensão; novas rodas, molas e amortecedores, e pneus apropriados.

por Ricardo Caruso

O modelo chegou ao mercado brasileiro substituindo o JAC iEV20, que já foi o modelo elétrico mais barato no Brasil. No visual, o EJS-1 EXT recebeu alguns itens para se diferenciar da versão urbana: rack no teto, rodas de liga-leve aro 14 e pneus de uso misto, faixas laterais decorativas e logotipo “e-JS1 EXT” na tampa traseira. O novo JAC é 100% elétrico, possui 302 km de autonomia (ciclo NEDC) e utiliza baterias de fosfato de ferro-lítio, com capacidade máxima de 30,2 kWh. O EXT tem 62 cv de potência e 15,3 mkgf de torque. A velocidade máxima do elétrico é de 110 km/h e a aceleração de zero a 100 km/h é feita em 14 segundos; o peso é de 1.180 kg, muito leve para um veículo com baterias. Custa R$ 174.990, R$ 15 mil a mais que a versão urbana.

O e-JS1 é uma boa surpresa. Lembra o Jac J2? Ele reencarnou em grande estilo. Elétrico, era chamado de iEV20, o carro elétrico mais barato do Brasil (R$ 159,9 mil, carregador não incluído). Agora, feito em parceria da chinesa com a Volkswagen, foi aprimorado e se chama JAC e-JS1. Foi apresentado ao mercado brasileiro e cumpriu a promessa de ser um dos carros elétricos mais barato do Brasil. Logo foi superado em valores pelo Caoa Chery iCar (R$ 139.990) e Renault Kwid E-TECH (R$ 146.990).

O e-JS1modelo foi assim o primeiro elétrico da marca chinesa a ser oferecido depois que a Volkswagen comprou 50% de participação da empresa e de 75% da joint-venture (JAC-VW) de carros elétricos, a Sol. O e-JS1 é uma boa evolução do iEV20, e deixa claro o “dedo” da Volkswagen em termos de acabamento, visual e ajuste de suspensão, entre outros. O modelo tem uma missão na nova vida: ser um carro urbano bonitinho e barato (quando impostos e taxas deixam isso acontecer). Tem acabamento simples, mas correto, ambiente interno claro e moderno e é equipado com o necessário o básico necessário.

Os mais atentos vão lembrar do VW Up no desenho dos bancos, faróis dianteiros, alavanca de comando das luzes e detalhes dos para-choques; na dianteira e na traseira, os para-choques tem um aplique em forma de “C”, semelhante ao que o Up ganhou na sua última edição brasileira.

Desde o primeiro contato que AUTO&TÉCNICA teve com o ex-J2, ficou claro que se trata de outro carro -claro- comparado com o térmico, mais bem cuidado nos detalhes e que o aporte de dinheiro alemão fez muito bem ao pequeno elétrico da JAC. Mas figurar entre os elétricos mais baratos do Brasil não torna necessariamente o carro acessível, como eram os “carros populares” de anos atrás. Ser elétrico barato do Brasil transforma de maneira automática qualquer modelo em “carro caro”, já que não há isenções ou maiores benefícios para esse tipo de veículo.

Com a mesma plataforma usada no JAC J2 -que já foi vendido aqui- e deu origem ao iEV20 -primeiro compacto elétrico compacto da JAC- o e-JS1 recebeu muitos cuidados na parte visual. Os faróis e o capô também têm novo desenho, mais próximo do que a VW aplica em seus modelos, o que se repete na traseira. A ideia de ser um carro mais divertido e descolado também está no interior, com detalhes em plástico bem explorados em cor e textura.

O espaço é razoável para quatro adultos. Com vocação tipicamente urbana. ele cumpre o que sugere, mesmo tendo porta-malas de 121 litros de capacidade, ruim para viagens, mas correto para uso no dia a dia das cidades.

JAC e-JS1

Dirigir um carro elétrico é sempre uma experiência diferente. Basta premir um botão no console e o motor entra em funcionamento. Sem barulhos ou ruídos do motor ou da partida. Tudo no mais absoluto silêncio. Só o painel denuncia que o carro está ligado, e você tem que se acostumar a isso. Aí você vai na alavanca seletora de marchas atrás do volante, engata “D”, acelera e vai ser feliz. O pequeno JAC tem um motor elétrico na frente, ligado ao eixo dianteiro, de 62 cv e 15,3 mkgf, o que garante excelentes acelerações. O câmbio tem uma marcha para frente e a ré. Em termos de desempenho, o elétrico entrega mais do que o necessário para o uso preferencialmente urbano, além de poder rodar tranquilo nas estradas, mesmo com 110 km/h de velocidade máxima. Apesar da pouca potência, a entrega do torque é instantânea, e oferece bons números de acelerações e retomadas, facilitando ultrapassagens no trânsito urbano.

Na tela central você pode escolher alguns modos de direção, que se refletem direto na autonomia. Num carro elétrico, tudo o que consome energia acaba, claro, interferindo na autonomia. Faróis, rádio, ar-condicionado, velocidade… Rodando a 90 km/h em estrada, tudo desligado, conseguimos autonomia de 300 km. E para recarregar? Primeiro tentamos uma tomada doméstica, de 220V. De 40 a 100% levaria cerca de 10 horas. Aí recorremos a um carregador oferecido num supermercado próximo. Sete horas de espera. A JAC promete um carregador rápido que faz essa recarga em menos de duas horas. Tudo é questão de planejamento e cuidados ao dirigir. O motorista pode usufruir do sistema de regeneração de freio em três níveis, e no nível mais alto, o carro não exige que seja preciso aplicar o freio; basta tirar o pé do acelerador que ele entra em processo de frenagem -e recuperação de energia- sozinho.

Na parte mecânica, notamos ainda outra interferência da Volkswagen, que recalibrou as suspensões. Comparado ao iEV20, ele ficou mais confortável e preciso, em especial no piso ruim que encontramos por aqui.

Como dissemos antes, o JAC tem o necessário para o uso urbano confortável. Vidros, travas e espelhos elétricos; direção elétrica bem calibrada e central multimídia com tela de 10,25 polegadas com acesso a Android Auto e Apple CarPlay. Conta ainda com dois airbags e painel de instrumentos em formato de tablet, com tela de 6,2 polegadas. Temos ainda câmera e sensor de estacionamento traseiro, controles de tração e estabilidade, iluminação com LEDs; chave presencial com partida por botão, luz diurna e sensor de pressão nos pneus. Um bom “pacote”, sem dúvida.

Como outros carros elétricos, ele tem um sistema que desativa todo o conjunto motriz e elétrico em caso de acidente, especialmente colisão, para evitar problemas de choque com a carga de energia.

Com preço de R$ 175 mil, não é o carro elétrico mais barato do País. Talvez um público muito grande não consiga ser atingido, mas pode atrair nichos e compradores que gostam de produtos diferenciados, ou mesmo empresas interessadas em contribuir com o meio ambiente. Carros elétricos, para se tornarem mais populares e conhecidos, precisam ter benefícios e isenções, como acontece no mundo civilizado, mas que não existem no Brasil.

E vale a pena? Depende. O preço inicial é elevado, mas vai se diluindo com o tempo. Um “tanque” cheio dele custa pouco mais de R$ 20 e roda até 300 km/h. Por outro lado, polui menos, e o ganho para o meio ambiente é interessante. Bem planejada, é uma excelente opção, basta você rever alguns conceitos ao volante, planejar cada saída e ter um bom carregador em casa..


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