Teste: Jeep Compass Latitude T270

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No ano passado, boa parte da indústria automotiva brasileira -assim como mundial- padeceu com a falta generalizada de semicondutores (chips) e outros itens, sem contar a Covid-19, que prejudicaram a produção. Mas para a Jeep brasileira, tudo foi alegria, pois a marca norte-americana terminou 2021 com o Renegade na liderança dos SUVs vendidos aqui (73.913 emplacamentos) e com o Compass em segundo lugar (70.906); mais para o final do ano passado, lançou o Commander, de sete lugares. Em maio de 2021, o Compass teve sua linha 2022 apresentada, onde a principal novidade foi o motor T270, com maiores torque e potência entre os motores flex fabricados no Brasil.

por Ricardo Caruso

É o mesmo motor usado na picape Fiat Toro linha 2022 da picape Fiat Toro. Trata-se do 1.3 turbo GSE (Global Small Engine) a gasolina e/ou etanol, acoplado a um câmbio automático de 6 velocidades. Está disponível nas versões Sport (a partir de R$ 158.990), Longitude (R$ 170.590), Limited (R$ 189.990) e Série S (R$ 209.990). A versão intermediária Longitude é a que AUTO&TÉCNICA avaliou. Ela tem a missão de oferecer custo/benefício mais equilibrado, pois as configurações com motor flex são responsáveis por liderar as vendas do Compass.

Este motor 1.3 tem bloco de alumínio e injeção direta de combustível, e faz parte da terceira geração dos MultiAir. Tem 185 cv de potência máxima a 5.750 rpm e torque máximo de 27,5 mkgf a 1.750 rpm (com etanol). Segundo a Jeep, o T270 tem o controle das válvulas programado para oferecer baixo consumo de combustível e nível de emissões de poluentes menor.

Mas novidades do Compass para 2022 não ficaram restritas ao motor. O modelo ganhou discretos retoques estéticos: por fora, novo para-choque dianteiro, entrada de ar com acabamento em preto, novas rodas em todas as versões (18 polegadas na Longitude testado), lanternas, pintura das partes plásticas, faróis full-led e auxiliares de neblina com led. De resto, o modelo preservou o que exibe desde o lançamento. No interior, foram mantidos o volante, forros de porta, console, painel de instrumentos e porta-objetos. Mas a central multimídia é nova, com tela de 10,1 polegadas Full-HD e os serviços conectados da plataforma “Adventure Intelligence”, que só não está presente apenas na versão de entrada Sport. Tem ainda sistema de navegação e espelha os Android Auto e Apple CarPlay. Na versão avaliada, a Longitude, o conjunto de instrumentos é de 7 polegadas e os espelhos retrovisores externos contam com rebatimento elétrico.

Outras novidades do remodelado Compass são os recursos de assistências à direção, como controle de velocidade (cruise cintrol) adaptativo, alerta de colisão com frenagem automática e aviso de mudança de faixa, Park Assist e comutação do farol alto automática. Em termos de segurança, além dos airbags frontais obrigatórios para motorista e passageiro, o Compass tem airbags laterais e de “cortina”; nas versões Limited, Trailhawk e Série S é adicionado mais um, para os joelhos do motorista. Disponível para todas as configurações Turbo 2022, o “Jeep Traction Control +” aplica força de frenagem na roda que está patinando e transfere a tração para outra roda que esteja em contato com o piso. Para isso, basta acessar a tecla “Asr Off”.


O Jeep Compass é espaçoso e confortável, e acomoda bem cinco ocupantes. O motorista tem à disposição regulagens no banco e de altura e profundidade do volante, e isso facilita encontrar a melhor posição para dirigir. O interior do modelo traz a mesma sensação de requinte que a marca adota em todos os seus modelos, com grande área envidraçada, que aumenta a sensação. Para quem quer um pouco de diversão, os “easter eggs” estão por toda parte (leia aqui).

O ar-condicionado é bizone e existem tomadas há tomadas USB-A e USB-C na dianteira. Quem vai atrás usufrui ainda de tomadas USB e de 12V, mais saídas de ar condicionado. Estão disponíveis ainda recursos e equipamentos como chave presencial, tampa traseira elétrica, alerta de obstáculos dianteiros e traseiros, assistente de saída em ladeiras (“Hill Holder”), alertas de tráfego cruzado na traseira e freio de estacionamento elétrico. A tela do multimídia, de 10,1 polegadas, está bem-posicionado e é fácil de usar. O Compass tem ainda diversos porta-objetos espalhados pelo interior.

COMO ANDA


Com o motor 1.3 turbo flex T270, o Compass Longitude mais parece um carro de passeio do que um valente fora de estrada; de cara, observamos que o novo motor tem funcionamento muito suave e silencioso, ainda mais se comparado com o antigo. Quem preferir abusar mais pelos caminhos ruins e de terra, tem à disposição as versões a diesel e 4×4;, as versões flex têm tração apenas na dianteira.

Com seus 180 cv (com gasolina) e 185 cv (com etanol) e excelente torque de 27,5 mkgf (é um motor 1.3!), disponível já a 1.750 rpm, o motor é mais agradável que o 2.0 Tigershark anterior, de 166 cv e 20,5 mkgf (etanol). A entrada do turbocompressor, é claro, é notada (diferente se usasse um compressor mecânico tipo “blower”) e acontece entre 1.500 a 2.000 rpm. A aceleração de zero a 100 km/h do Longitude 270 é feita em 8,8 segundos, quando abastecido com etanol. Nada mal.

O câmbio automático de seis marchas é da Aisin, com boa calibragem. Para quem busca outras sensções ao volante, é possível trocar as marchas manualmente na própria alavanca do câmbio ou nos “paddles shifts” (“borboletas”), junto ao volante. A tecla Sport permite alterar as reações do câmbio, fazendo as trocas de marchas em rotações mais elevadas, além de alterar a ação do acelerador e aumentar o peso da direção.

Apesar da carroceria alta e muitos vidros montados em posição superior (o que poderia desequilibrar o peso do veículo), o “rolling” (inclinações nas curvas) é bem discreto. As suspensões independentes, com sistema McPherson e o bom conjunto rodas/pneus -mais os sistemas de ajuda- ajudam a garantir a estabilidade.

Para ajudar a economizar combustível, importante nos dias de hoje poupar combustível, o “Start/Stop” desliga o motor ao parar o veículo no trânsito e religa assim que o motorista solta o freio. De acordo com o informado pelo Inmetro, no trânsito urbano a média de consumo do Compass Longitude 270T 2022 fica em 10,3 km/litro (gasolina) e 7,1 km/litro (etanol), e vai para 11,9 km/litro (gasolina) e 8,6 km/litro (etanol) na estrada. Apesar de não serem números de consumo baixos ainda mais para um motor novo, é uma evolução em relação aos índices do antigo Tigershark 2.0 Flex. A explicação para isso é simples: a opção da Jeep foi priorizar o desempenho, algo importante para seu consumidor, que valoriza mais isso do que a economia de combustível.

O Compass Longitude T270 parte de R$ 170.590. Mas o preço inicial vale somente para a cor Verde Recon, a mesma do modelo avaliado. As metálicas Prata Billet, Cinza Granite, Preto Carbon e Azul Jazz encarecem o modelo em R$ 2 mil e e a perolizada Branco Polar aumenta o preço em R$ 2.500. O único opcional da versão são os bancos Steelgray (mais R$ 1.600). Quem gosta e se pode pagar, tem uma longa lista de acessórios disponíveis nas concessionárias, o que pode elevar a nota fiscal para pouco mais de R$ 190 mil.


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