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TESTE: Ford Bronco Sport Wildtrack

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O Bronco era um utilitário, precursor dos SUVs atuais, que foi produzido pela Ford com estrondoso sucesso por 30 anos -entre 1966 e 1996- e que reencarnou em 2021. Teve seis diferentes gerações. O Ford Bronco original foi produzido para ser concorrente do Jeep CJ5, sendo mais confortável e equipado que ele; na real, era uma espécie de “jipe da Ford”. Algumas pouquíssimas unidades do modelo vieram para o Brasil entre 1966-1967, doadas pelo governo norte-americano ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e não se sabe que destino tiveram depois. Uma ou outra unidade deve ter sobrevivido.

por Ricardo Caruso

Na longa história do Bronco, uma curiosidade macabra: um Ford Bronco branco ficou famoso em 1994, por ser o veículo da famosa fuga de Orenthal James Simpson, o O. J. Simpson, ex-jogador de futebol americano que se tornou ator, quando foi acusado do homicídio de sua ex-esposa Nicole Brown Simpson, que foi assassinada em sua casa em Los Angeles, Califórnia, junto com um amigo.

Mas vamos voltar ao carro, que é o que interessa. Em abril de 2021, o Bronco voltou ao catálogo de utilitários leves da Ford, após 25 anos. O visual traz linhas retas, meio quadradão, com muitas referências de estilo do Ford Bronco original. Traduz robustez, com faróis grandes e grade idem. Não dá para negar que o SUV tem muita personalidade e se destaca da mesmice dos concorrentes.

Outra curiosidade na história do Bronco. A volta à vida do modelo acabou gerando dois Bronco diferentes. Há um Bronco mais raiz, com chassi de Ranger e apto ao off road pesado, concorrente do Jeep Wrangler, e há este Bronco Sport que AUTO&TÉCNICA avaliou, mais “civilizado” e voltado para o uso no dia a dia. O Sport tem carroceria monobloco.

Nesse caso, o alvo é o Jeep Compass. O Bronco Sport desembarcou no Brasil apenas na versão Wildtrak, e custa R$ 252.790 (no lançamento era R$ 264.690). Mais barato que seu rival direto, o Jeep Compass Trailhawk TD350 (R$ 269.990), ele não deixa de incomodar modelos da Audi, BMW, Mercedes-Benz, Volvo e Land Rover, entre outros. Afinal, a marca Ford ainda é forte por aqui -mesmo restrita a veículos importados- e tem seus incontáveis admiradores.

Após uma semana de avaliações e agradável convivência (não tão agradável foi ter um motoboy estampado no pára-choque traseiro em São Paulo), rodando em cidade e estradas boas e ruins, o Bronco Sport se mostrou bem mais valente que os SUVs das marcas europeias citadas. Não é o mais luxuoso, tecnológico ou mesmo econômico (quem compra um SUV desses não se preocupa com consumo),mas tem excelente dirigibilidade, boa dinâmica e equilíbrio mecânico, somada à boa disposição para o fora de estrada. Teríamos um fácil… Foge da mesmice e é um SUV para todos os usos, cheio de estilo e personalidade.

AO VOLANTE

Ao assumir o volante do Bronco Sport, é fácil encontrar a melhor posição para dirigir, com os ajustes elétricos do banco e posição alta, como tem que ser num SUV As portas e painel (e outros componentes) trazem linhas retas, o que reforça a certeza de que estamos a bordo de um SUV cheio de disposição, lembrando os modelos mais antigos. Isso traz o motorista e ocupantes para o necessário clima “jipe”. Outro detalhe que remete ao passado dos SUVs e utilitários é o revestimento dos bancos em duas cores, preto e marrom claro, com couro perfurado e alcântara. Atrás dos encostos dos bancos dianteiros temos práticos porta-mapas com zíper.

O sistema de som é muito bom, perfeito para ouvir John Denver, Creedence Clearwater Revival e Willie Nelson pelo caminho (os mais velhos sabem do que estou falando). O acabamento interno traz muito plástico rígido e alguns revestimentos macios nas áreas mais altas. Isso tem explicação, pois fica mais fácil de limpar. O piso tem cobertura de plástico, também fácil de limpar.

A lista de equipamentos é longa e inclui, entre outras, condicionador de ar dual-zone (com modo automático e saídas de ar traseiras), partida remota, o já citado sistema de áudio Bang & Olufsen com 10 alto-falantes e 1.000 W de potência, wifi a bordo, duas uteis tomadas de 120 volts (uma para o banco traseiro e outra no porta-malas) e teto-solar.

Botão de partida premido, a tela do multimídia “saúda” o motorista com uma animação que mostra cavalos (o bronco, cavalo selvagem), pedras e lama. A tela é touchscreen de oito polegadas, até pequena em relação ao que se encontra hoje no mercado, mas suficiente e funcional. O sistema Sync 3 é fácil de operar, e os instrumentos -analógicos- tem entre eles uma outra tela digital, de 6,5 polegadas, que traz mais informações. Abaixo do multimídia há um porta-objetos e, abaixo desse, o recarregador sem fio de celular.

A cabine é ampla e bem iluminada, e acomoda com conforto quatro ocupantes. O porta-malas tem 580 litros de capacidade (até o teto) e conta com uma divisória bastante interessante, rígida, que divide o espaço, pode ser reposicionada e ainda desliza e se transforma em uma prática mesinha, iluminada pelas luzes que ficam na tampa. Legado das station wagon Taurus, que traziam esse tipo de mesinha como opcional. A tampa traseira permite abertura total ou apenas do vidro.

Ao volante, com a posição ajustada, som ligado e ar condicionado bombando, a impressão é de que estamos mesmo a bordo de um SUV raiz, “de verdade”. As suspensões são macias e confortáveis, sem a “moleza” tradicional dos carros americanos mais antigos; ajudam a garantir a boa rodagem os pneus 225/65 que calçam belas rodas de aro 17. Olhando para a frente, o capô apresenta dois grandes ressaltos, que ajudam a reforçar a sensação de robustez. O comando do câmbio automático é giratório (existem ainda paddle shifts junto ao volante), e depois que você acostuma com ele, não quer saber de outro sistema. Mais atrás desse seletor fica outro, também giratório, dos modos de condução disponíveis. O freio de mão é elétrico, automático e traz a função autohold.

Para enfrentar terrenos de diversos graus de dificuldade, o Bronco Sport traz sete modos de condução, sendo quatro off road . Tudo para se garantir no fora de estrada. O “jipe” da Ford tem tração integral sob demanda, bloqueio do diferencial traseiro e vetorização de torque, mais chapas de aço na parte inferior da carroceria e os quatro modos de condução, acionados pelo seletor G.O.A.T. (goat significa cabra em inglês, e nesse caso é a sigla para “Greatest Of All Time”, ou  “ O Melhor o Tempo Todo”). Essas funções modificam parâmetros da direção, transmissão, motor e controles de tração e de estabilidade, entre outros.

Outro recurso interessante é a câmera frontal de 180º (que é acionada de maneira automática a até os 25 km/h em alguns programas), para mostrar o caminho e obstáculos à frente. O Bronco Sport não se inibe diante de buracos, lombadas e valetas: são 22,3 cm de vão livre do solo, ângulos de entrada de 30,4º e de saída de 33,1º e de transposição de rampa de 24,4º. O Bronco Sport está apto a enfrentar ainda inclinações laterais de até 20º e longitudinais de 25º, e tem capacidade de imersão de até 60 cm. Se for abatido pelo terreno, ganchos de reboque no para-choque dianteiro ajudam a recuperá-lo do susto.

A direção é com assistência elétrica, com calibragem e peso correto em qualquer situação, e as suspensões contam com sistema McPherson na dianteira e multilink na traseira. Os freios, bastante eficientes, são com discos ventilados na frente e discos sólidos atrás. No quesito “dimensões”, o Bronco Sport tem : 4,38 metros de comprimento, 1,94 m de largura, 1, 80 m de altura e entre-eixos de 2,67 m

Para quem gosta de tecnologias a bordo, o Bronco Sport tem alerta de colisão, sistema de leitura de placas de trânsito, comutação da luz alta automática e assistente de permanência na faixa (atua quando o cruise control adaptativo está acionado); com o cruise control desativado, o alerta de mudança de faixa vibra o volante para alertar o motorista.

A MECÂNICA

Na parte mecânica, o excelente powertrain, com motor 2.0 turbo de 240 cv e 38 mkgf a 3.000 rpm e câmbio automático de oito marchas com tração integral (sob demanda e com diferencial traseiro com dupla embreagem) faz do Bronco um SUV delicioso de se guiar e de acelerar: de zero a 100 km/h gasta apenas 8 segundos, e estamos falando de um SUV que pesa 1.800 kg! A velocidade máxima é limitada em 180 km/h. Quem paga a conta é o consumo: na cidade, ficamos no máximo nos 7,9 km/litro de gasolina, e na estrada chegamos a 11,5 km/litro.

CONCLUSÂO

Na verdade, o Ford Bronco Sport é um SUV que vive numa espécia de “universo paralelo” no mercado, sem concorrentes, combinando estilo, disposição para o off-road e esportividade como nenhum outro modelo na sua categoria. Vai agradar quem busca um SUV genuíno, quem gosta de bom desempenho e quem gosta de impressionar onde chega. Difícil alguém se arrepender de ter um na garagem.



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