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TESTE: o elétrico Chevrolet Bolt EV

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A General Motors tem certeza de que o futuro do automóvel a curto prazo será elétricos, e já há tempos trabalha pesado nessa direção. Uma de suas experiências nesse segmento foi o EV1, que foi produzido entre 1996 e 1999, oferecido por um sistema de assinatura apenas em Los Angeles (California) e Tucson (no Arizona), nos Estados Unidos. Apesar de ter sido um programa de testes e bastante elogiado, a GM naquele momento não detectou lucratividade nos carros elétricos, que eram caros demais para serem produzidos e mantidos, decidiu destruir as 1117 unidades fabricadas (uma ou outra sobreviveu para contar história). E dessa forma ficou fora do segmento por anos, como a grande maioria das montadoras.

por Ricardo Caruso

Mas com o passar do tempo, o cenário mudou e todo o mundo civilizado passou a investir na eletrificação de seus modelos. Entre 1912 e 1919 a marca vendeu o Chevrolet Volt, híbrido plug-in onde o motor a combustão atuava como gerador para as baterias (algumas unidades vieram para o Brasil, para avaliação e testes da imprensa especializada). Fez sucesso, vendeu 177.000 carros em diversos mercados (além dos Estados Unidos, foi vendido como Buick Velite, Holden Volt, Opel Ampera e Vauxhall Ampera), mas saiu de linha em 2019, por causa da queda na procura dos sedãs, da invasão de SUVs e o aumento de interesse dos clientes pelos elétricos. A GM já havia previsto isso antes e trabalhou em um veículo 100% elétrico, o Chevrolet Bolt EV, que foi lançado em 2016 e que chegou aqui em 2019.

No ano passado foi apresentada a linha 2023 a nova linha do Bolt EV, com mudanças no visual na dianteira e traseira, mais tecnologia. Por enquanto, e a aposta da marca para popularizar o carro elétrico. Isso funciona bem no mercado americano, onde ele é vendido por preços entre US$ 26.500 e U$29.700, totalmente acessível ao público daquele mercado; no Brasil é vendido por absurdos R$ 329.000.

MECÂNICA IGUAL

Toda parte mecânica e o sistema de propulsão elétrico não foi alterado.  Utiliza o mesmo motor trifásico de 203 cv de potência máxima e 36,7 mkgf de torque máximo, e chega a 8.810 rpm. A potência é levada para as rodas por meio de um redutor, e acelera de zero a 100 km/h em 7,3 segundos, com velocidade máxima de 146 km/h.

A tração é dianteira e o Bolt utiliza sub-chassi de alumínio; a suspensão usa sistema McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. Tudo bem calibrado, dentro da proposta do modelo. O sistema de direção tem assistência elétrica também com calibragem correta.

O Bolt perdeu para 2023 o botão que permitia condução mais esportiva (só alterava a atuação do pedal do acelerador), mas ganhou o botão de condução com um pedal, que permitindo usar a frenagem regenerativa aliviando o pedal do acelerador. Além disso, o Bolt EV tem uma tecla do lado esquerdo do volante, que aumenta a atuação de freio motor, e com isso desacelera mais rapidamente e regenerando mais energia para a bateria.

VISUAL

Na dianteira a atualização foi total, envolvendo para-choque, grade e capô, com os novos faróis que alojam a luz diurna junto à borda do capô, e farol principal abaixo, tudo em LED, o que deixou o carro muito mais moderno. A desnecessária grade desapareceu, e no seu lugar é aplicada uma “imitação” dessa peça, na cor do carro; as aberturas para arrefecimento e ventilação estão na parte inferior do pára-choque.

Na traseira as mudanças foram mais discretas, mas incluem novos para-choques e lanternas em LED, e um outro contorno no vidro. As laterais não foram modificadas e as mudanças introduzidas foram bem feitas, estando tudo em harmonia. Portas e vidros seguem os mesmos e as rodas aro 17 tem novo desenho, calçadas com pneus 215/50.

Por dentro, as alterações foram maiores mas preservam as características do desenho original do modelo, devidamente atualizado. A integração do painel com os forros das portas não é mais tão envolvente como no anterior, mas no novo modelo continua agradando. O painel de instrumentos incorporou novas tecnologias para facilitar o uso no dia-a-dia. O seletor agora usa quatro botões para as posições P-R-N-D, abandonando a pequena alavanca anterior. Carregador de celular sem fio fica no console e a central multimídia com tela de 10,5 polegadas pode fazer o pareamento -sem fio- para Android Auto e Apple CarPlay, e com internet (ainda 4G) a bordo. Os comandos do ar-condicionado digital também são novos, mas não há saídas de ar para a traseira; os bancos dianteiros tem aquecimento.

BEM EQUIPADO

O Bolt EV 2023 recebeu cruise control adaptativo e com função “para e anda”, o que permite maior nível de segurança nos trechos urbanos. E ainda no quesito segurança, há o sistema de permanência em faixa, muito bom para uso em estradas. Alertas de ponto cego e de colisão frontal com detecção de pedestres e frenagem automática, instrumentos com tela de 8 polegadas (personalizável) e sistema de áudio Bose são itens de série na versão única que chega ao Brasil.

A bateria de 66 kWh tem novo sistema de gerenciamento, o que permite autonomia de 459 km (ciclo WLTP) ou 416 km (ciclo EPA). No dia-a-dia, esse alcance dificilmente é atingido, e deve ficar na faixa dos 390 km. O carregamento pode ser feito pela tomada Type 2 de corrente alternada (AC) com potência máxima de carregamento de 7,4 kW (carga completa em cerca de nove horas), ou por tomada CCS de corrente contínua (DC) de 50 kW (carga máxima em 80 minutos).

CONCLUSÃO

O Bolt vale a pena? Como a quase totalidade dos carros elétricos vendidos no Brasil, não. O preço é muito elevado e a infra-estrutura exigida por esse tipo de veículo ainda está longe do ideal. Na verdade,neste momento o Bolt está em nosso mercado apenas para ter um carro elétrico no portfólio da Chevrolet no Brasil. Se você é fã da Chevrolet e quer um elétrico na garagem, é melhor esperar um pouco mais. A GM já anunciou para este ano outros produtos eletrificados da marca aqui no Brasil. O primeiro é o Bolt EUV, um SUV que deriva do Bolt atual. Outro que deve desembarcar aqui em 2023 é a picape Silverado e os SUVs Blazer EV e Equinox EV.

EV1: o Chevrolet elétrico dos anos 1990.

O caminho para os elétricos e híbridos da GM no Brasil está rascunhado, mas isso só vai ser interessante quando o governo reduzir impostos e, principalmente quando houver produção local de veículos eletrificados. Por enquanto, todas as montadoras fogem do assunto como os vampiros fogem das balas de prata…


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