Classic Cars

Adam Opel fundou sua marca há 160 anos

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A Opel está comemorando aniversário de forma muito especial. Foi há 160 anos que Adam Opel fundou a sua empresa em Rüsselsheim, na Alemanha. Ao fazer isso, não sabia, mas estava lançando a base de uma empresa de abrangência internacional ativa e bem-sucedida em vários setores. Começou com a produção de máquinas de costura em 1862, depois a Opel se tornou a maior fabricante mundial de bicicletas e, finalmente, uma marca automóvel de respeito.

por Ricardo Caruso

O objetivo inicial e que sempre diferenciou todos os produtos “by Opel” foi o de tornar as inovações acessíveis a todos, o que continua a ser verdadeiro hoje em dia. A Opel está totalmente empenhada na eletrificação e oferece aos clientes uma vasta gama de modelos com diferentes possibilidades de propulsão eletrificada. Só para lembrar, excelentes carros da Chevrolet do Brasil, como Opala, Chevette, Kadett, Astra, Monza, Corsa, Zafira, Meriva, Omega e outros eram projetos Opel. Depois a marca foi desprezada pela GM, vendida para a Peugeot e hoje faz parte da Stellantis.

Começo difícil

Como filho mais velho do serralheiro Philipp Wilhelm Opel, o caminho de Adam foi, na realidade, pré-definido: ele deveria um dia assumir e continuar o negócio do seu pai. Mas Adam tinha outros planos e o seu grande sonho era a cidade de Paris. Depois de passagens por Liège, Bruxelas e Londres, chegou finalmente ao seu desejado destino, onde tomou a importante decisão de entrar no negócio das máquinas de costura.

No final de agosto de 1862, o jovem de 25 anos regressou à sua cidade natal, Rüsselsheim, e montou a sua própria porém modesta oficina na casa dos seus pais; na época, contra a vontade do seu pai, que não tinha o menor interesse em máquinas de costura. Depois de passar algum tempo em cidades grandes, o regresso à sua terra natal significou uma grande mudança para o jovem Opel. Mas foi ali, na então vila de Rüsselsheim -com os seus 2.000 habitantes- que Adam lançou as bases para a empresa global Opel.

A montagem da primeira máquina de costura demorou meses. Depois de concluída, o mestre alfaiate Hummel -de Rüsselsheim mesmo- a comprou e manteve em funcionamento durante 40 anos. Já naqueles tempos, o slogan era “Opel, a confiável”. Em 1863, Adam Opel estabeleceu as suas primeiras instalações de produção própria no sítio desativado de um tio. A partir de Paris, o seu irmão Georg forneceu a Adam aço, carretéis, agulhas e máquinas de costura completas para revenda. Foi feito um primeiro anúncio e Adam contratou o seu primeiro funcionário. A Opel não só construiu máquinas de costura, como também as comercializou com grande sucesso.

Nos anos seguintes, o negócio das máquinas de costura cresceu e a Opel expandiu-se. Em 1868 construiu um novo prédio fabril com um galpão de produção de dois andares, motores a vapor e edifício residencial e de escritórios na área.

Após a sua mudança, 40 pessoas já trabalhavam para a jovem empresa. No mesmo ano, casou-se com a sua esposa Sophie, que não só cuidava da casa, mas também da contabilidade da empresa, trazendo assim alguma tranquilidade para a mesma. Os números da produção aumentaram rapidamente, até porque a Opel atendia os desejos individuais dos clientes e fornecia concebia máquinas de costura especiais para requisitos específicos. Em 1886, 18.000 máquinas deixaram a fábrica. A empresa tornou-se um dos maiores fabricantes de máquinas de costura na Alemanha e exportou para toda a Europa.

De máquinas de costura a bicicletas

A industrialização ofereceu à família Opel mais oportunidades de negócio na década de 1880. Numa viagem a Paris em 1884, Adam Opel familiarizou-se com o “penny-farthing”, aquelas bicicletas altas e com uma enorme roda dianteira (na capital francesa, as bicicletas já eram um meio de transporte comum). O empresário decidiu comprar uma, mas isso aconteceu vários meses antes do primeiro dos seus próprios modelos sairem da fábrica em Rüsselsheim, em 1886. No outono de 1887, uma lista de preços ilustrada de bicicletas marcou o início oficial de um período significativo na história da empresa.

Tal como as máquinas de costura anteriormente, a Opel foi rápida a adotar tecnologia moderna para as suas bicicletas. Em 1888, o “penny-farthing”, que marcou o início do fabrico de bicicletas em Rüsselsheim, foi substituído pelas mais modernas bicicletas de rodas baixas. Em 1890, 2.200 veículos de duas rodas tinham sido vendidos. Os cinco filhos de Adam e Sophie eram os melhores divulgadores da sua própria causa, com mais de 550 vitórias em corridas de bicicleta. Nos anos 1920, a Opel tornou-se o maior fabricante mundial de bicicletas; 15.000 concessionários vendiam as bicicletas de Rüsselsheim. Após a introdução da linha de montagem em 1923, uma bicicleta nova deixava a linha de produção a cada sete segundos.

A Opel começa a construir automóveis

O passo decisivo na história da empresa –impulsionado pelos cinco filhos após a morte de Adam Opel em 1895– foi o início da produção automóvel em 1899. A Opel é assim uma das pioneiras nesta indústria e uma das fabricantes de automóveis com uma das histórias mais ricas do mundo. Em 21 de janeiro de 1899, a Opel adquiriu a “Anhaltische Motorwagenfabrik” de Friedrich Lutzmann, de Dessau. No mesmo ano, a produção de automóveis em Rüsselsheim começou com o “Patent-Motorwagen System Lutzmann” da Opel. Em 1906 foi construído o 1.000º veículo e a evolução seguinte surgiu um ano depois, quando o construtor de automóveis de Rüsselsheim foi nomeado fornecedor oficial da corte imperial. Contudo, a Opel estava também empenhada na democratização do automóvel, por exemplo, com o pequeno 4/8 hp “Doktorwagen”, em 1909.

Nas décadas seguintes, a Opel tornou-se num regular criadora de tendências. O conforto, a segurança e as mais recentes tecnologias sempre desempenharam um papel importante nos seus projetos. No processo, a marca desenvolveu-se continuamente sem perder o contato com a sua filosofia inicial, a de tornar a mobilidade acessível a todos.

Há 160 anos, Adam Opel encantou os clientes com as suas primeiras máquinas de costura. Da mesma forma, a Opel traz hoje ao mercado uma mobilidade moderna e orientada para o futuro. A marca já disponibiliza numerosos veículos eletrificados, em três versões sem emissões locais. Bestsellers como o Opel Corsa e Mokka e o trio de veículos comerciais leves Combo, Vivaro e Movano são, todos eles, elétricos alimentados a bateria, enquanto o Opel Grandland e o Opel Astra são híbridos plug-in.

O portfólio de sistemas de propulsão eletrificados é atualmente completado pelo Opel Vivaro-e HYDROGEN. Os jovens motoristas europeus com 15 ou mais anos já podem iniciar a sua viagem para a mobilidade elétrica graças ao quadriciclo Opel Rocks-e de dois lugares.

Antes da pandemia, a Stellantis estudava trazer modelos da Opel para o mercado brasileiro, importados. Agora resta esperar todas as crises se dissiparem, a oferta de chips ser restabelecida e o mercado brasileiro aquecer, de forma que justifique trazer os carros que um dia inspiraram a Chevrolet aqui e agora são, em boa parte, responsáveis pela incrível reerguida que a Peugeot teve nos últimos tempos.


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