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O país onde todos os carros são brancos

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Lembra da história de que, no início dos anos 1920, você podia comprar um Ford de qualquer cor, desde que fosse preto? Alguém lembrou disso e colocou a ideia em prática. No caso da Ford, a marca buscava economia na sua linha de montagem; no caso atual, não há explicação. Um ditador acordou de mau humor e decretou que, em seus país, todos os carros deveriam ser brancos. Isso vai na contra-mão do que acontece hoje. O mercado de veículos, tanto novos como usados, não é igual em todo o mundo: há locais onde alguns modelos são preferidos e outros não, países que aplicam restrições ou regiões onde determinadas marcas automóveis sequer são vendidas.

por Ricardo Caruso

No entanto, há um caso em particular que causa surpresa: se você por acaso morasse no distante Turcomenistão, poderia escolher a marca ou modelo que preferisse, mas desde que seja um carro branco. Qualquer outra cor no veículo e as autoridades vão retirá-lo de circulação. E mais, grades, pára-choques e outros detalhes também devem ser brancos. E não adianta argumentar.

Trata-se de um país situado na Ásia Central. Faz fronteira com o Cazaquistão a noroeste, Uzbequistão a nordeste e leste, Afeganistão a sudeste, Irã ao sul e sudoeste, e o mar Cáspio a oeste. A capital do Turcomenistão, Ashgabat, é citada no “Guinness – Livro dos Recordes” por ser a cidade do mundo com maior densidade de edifícios revestidos de mármore; esse fato é notado pelos turistas, que salientam que até o aeroporto é forrado neste material.

Só carros brancos circulando nas nas ruas e estradas de Ashgabat não é novidade: desde 2015, quem quisesse comprar um carro naquele país deveria encomendá-lo na cor branca. As autoridades começaram a reprimir todas as outras cores automóveis e retirá-los de circulação: quando os proprietários iam buscá-los, eram obrigados a assinar um documento no qual concordavam em mudar a cor da carroceria do veículo imediatamente.

Mas o que justifica a obrigação de apenas carros brancos poderem circular em Ashgabat? O Governo local não deu qualquer explicação que fornecesse alguma lógica à medida: alguns meios de comunicação noticiaram que o presidente do país, Gurbanguly Berdymukhammedov, ainda no poder, é supersticioso e acredita que o branco traz boa sorte. Só não deu sorte para os donos de carros “coloridos”…

Na verdade, a decisão repressiva do Governo local obrigou muitos proprietários a venderem os seus carros de outras cores em países próximos do Turcomenistão, uma vez que os serviços de pintura subiram de preço e eles não conseguiam suportar o custo da repintura do veículo. A Lei da Oferta e Procura fazendo mais vítimas.

Desde 2014 que Berdymukhammedov toma algumas decisões excêntricas. Por exemplo, forçou todos os cidadãos de Ashgabat a removerem os aparelhos de ar condicionado de suas casas e apartamentos, para tornar a capital do Turcomenistão “mais estética”. Ele também é conhecido por sua paixão por carros (ao menos isso). Em novembro de 2017, foi pessoalmente inspecionar os BMW esportivos, adquiridos para uso do Centro Nacional de Esportes Automobilísticos, propriedade do Ministério da Administração Interna. Em um deles, branco, é claro, ele próprio acelerou pela pista; desde a inauguração do Centro em 2013, Berdymukhamedov participou de diversas corridas.

O ditador-piloto. É o mesmo que ficou famoso por, numa reunião com Putin, ter levantado um cachorrinho pelo nuca e acabou advertido pelo russo…

As autoridades do Turcomenistão impõem outros requisitos aos motoristas, que não estão descritos nas leis. Por exemplo, desde 2018, foi introduzida no país uma proibição “não oficial” de condução para mulheres; a elas, não são concedidos novos direitos e os antigos não são mais aceitos, isso em diversas áreas. Tudo surreal que até parece um filme do Borat, mas é a pura realidade.


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