O truque simples da Citroën para atrapalhar os nazistas

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A Citroën está celebrando neste ano de 2022 o seu centenário, e muitas histórias do passado da marca francesa estão sendo recontadas, umas de muito sucesso, outras que parecem surreais. Esta que trazemos é das mais criativas.

por Ricardo Caruso

O caminhão Citroën T45, que de maneira proposital, durava pouco.


 
Quando a Alemanha ocupou a França, em 1940, os nazistas obrigaram as fábricas locais a produzir aquilo que melhor lhes convinha no momento, e coube à Citroën ser escalada para produzir caminhões. Pierre-Jules Boulanger, presidente da marca na época, aceitou resignado esta missão, mas com planos em mente para criar problemas para os alemães com a fabricação dos caminhões nazistas. A primeira solução foi estabelecer um processo de fabricação muito lento para montar os caminhões exigidos pelo exército alemão.

Quebrou…


 
A ideia mais brilhante foi a seguinte. Durante o processo de produção, Boulanger informou os seus trabalhadores de que, quando estivessem fabricando as varetas do óleo, definissem o nível de óleo um pouco mais acima do seria o correto, indicando que os motores dos caminhões T45 tivessem mais óleo no cárter do que realmente tinham, fazendo com que andassem sempre com níveis baixos de lubrificante. Os mecânicos germânicos não descobriam o esquema, pois a vareta indicava o nível correto. Isto fazia quebrar os motores, surpreendendo os militares nazistas.

O mais inteligente desta decisão foi que o dano ao motor, que inevitavelmente iria ocorrer devido à falta de lubrificante, aconteceria a quilômetros da fábrica. E sem uma causa aparente, uma vez que a vareta continuaria marcando o nível correto de óleo.


 
Mais tarde, com o final da Guerra, quando a resistência francesa invadiu a sede da Gestapo em Paris, descobriu que Boulanger estava listado entre os “Inimigos do Terceiro Reich”.

Pierre-Jules Boulanger (foto abaixo) foi uma figura bastante importante na indústria automotiva francesa, contribuindo para a evolução da Citroën, graças ao seu espírito inovador. Em 1936 iniciou o projeto TPV, que significava “Très Petite Voiture” (algo como “Carro Bem Pequeno”), um automóvel que poderia ser conduzido por todos, em todos os tipos de terrenos, além de ser barato de manter. Posteriormente, o projeto desaguou no Citroën 2CV, iniciando a produção em 1948. Dois anos depois, Boulanger faleceu num acidente de carro.
 


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