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Porsche 911 GT3 R Rennsport: exclusivo e acima de US$ 1 milhão

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O evento “Rennsport Reunion” foi criada pelo ex-piloto Brian Redman e pelo assessor de imprensa da Porsche Cars North America, Bob Carlson, em 2001, para celebrar o legado da marca nas competições. Eles idealizaram um grande encontro no qual pilotos, proprietários, admiradores e imprensa especializada poderiam se reunir para celebrar as corridas e homenagear os homens e carros que ajudaram a construir a história da Porsche. O evento não tem data fixa, e voltou a acontecer este ano para comemorar os 75 anos da Porsche, em Monterey, California. O evento é tão importante que conta com patrocinadores do quilate da Mattel – Hot Wheels, Tag Heuer, Michelin, Bose, Mobil e outros. A Porsche Design lançou um relógio exclusivo para marcar o encontro e, a Puma, uma linha de tênis especiais.

por Ricardo Caruso

Nesta sétima edição, havia boatos de que a Porsche tinha alguma surpresa reservada, mas ninguém imaginava que poderia ser algo tão espetacular. Batizado de Porsche 911 GT3 R Rennsport, trata-se de um modelo em série limitada, baseado no 911 GT3 R. Apenas 77 unidades serão disponibilizadas aos clientes, com preço inicial de US$ 1 milhão, mais impostos e equipamentos exclusivos,o que pode acrescentar fácil mais US$ 200 mil na nota fiscal.

Criado como o sucessor moderno do histórico Porsche 935, difere do modelo de produção por ostentar a carroceria de fibra de carbono quase toda redesenhada. Ela foi tão modificada, que apenas o teto e o capô permanecem em comparação com o 911 GT3 R, segundo a Porsche. São sete cores oferecidas (uma das pinturas é conhecido como “Flacht Design”, que apresenta um esquema de cores vermelho e branco inspirado nas cores tradicionalmente usadas pela Porsche Motorsport; o nome vem da área de Flacht, em Weissach, onde fica o departamento de competição da Porsche) e há até a opção de fibra de carbono aparente, mais uma generosa lista de acessórios. A equipe de desenho da Porsche, liderada por Grant Larson e Thorsten Klein -que são responsáveis por projetos de carros de baixo volume na marca- deu ao carro um pouco mais de largura e visualmente esticou o comprimento.

Quanto às mudanças feitas, destaque para o novo para-choque dianteiro com entradas de ar maiores, coberturas das rodas dianteiras redesenhadas e espelhos retrovisores digitais. Mas o mais marcante está na traseira, especialmente pela faixa horizontal de LEDs que atravessa toda a carroceria e o gigantesco aerofólio cujo desenho lembra o do Porsche 935 da Brumos Racing dos anos 1970. E por falar em asa traseira, os valores de downforce produzidos são tão altos, que a Porsche foi obrigada a reforçar este recurso aerodinâmico com dois suportes verticais extras para que não quebrasse.

Por dentro, esta série limitada traz telas digitais para os espelhos retrovisores, iluminação ambiente e “santoantonio”, entre outros, num ambiente claramente de competição. Em nível técnico, mantém os amortecedores de competição KW ajustáveis (de cinco vias) e suspensão com dois triângulos sobrepostos. Os pneus são aro 18 da Michelin, os Pilot Sport M S9, feitos sob medida para o modelo (calçando rodas BBS), enquanto os os freios AP de competição (monobloco de alumínio, com placas traseiras de titânio nas pastilhas, recurso que ajuda a economizar aproximadamente 2,2 quilos de massa não suspensa) e o tanque de combustível de 117 litros são novos.

Debaixo da tampa traseira encontramos o motor 4.2 de seis cilindros aspirado, o mesmo da versão de corrida. A grande novidade é que esse motor não tem as restrições de regulamento. Chega a 9.400 rpm e oferece desejáveis 620 cv de potência máxima. Isso equivale a 148 cv por litro de cilindrada (potência específica) e relação peso/potência de 2 kg/cv.

Provavelmente isso é um recorde para um motor naturalmente aspirado. É significativamente mais potente do que o motor original, que pode desenvolver 565 cv no 911 GT3 R. O motor de quatro válvulas e arrefecido a água com injeção direta de combustível foi projetado para usar combustíveis E25.

Isso inclui bioetanol e os chamados ReFuel (combustíveis regenerativos), além de e-fuels, que operam praticamente neutros em emissões de CO2. Devido à menor tendência a pré-detonar, o E25 (25% de etanol e 75% de gasolina) permite maior avanço da ignição e maior compressão na câmara de combustão.

Pistões e eixos de comando de válvulas foram desenvolvidos especificamente para o GT3 R Rennsport e oferecem maior desempenho, especialmente com combustível E25. No entanto, também pode usar gasolina convencional. A transmissão de potência para as rodas traseiras, incluindo a caixa sequencial de seis velocidades, vem do 911 GT3 R com pequenas modificações.

Sua seleção de marchas é feita por pads junto ao no volante, que acionam um atuador eletrônico. A relação entre a quarto, quinta e sexta marchas corresponde à configuração “Daytona” usada no GT3. Em sexta marcha, a 9.000 rpm, atinge velocidade máxima cerca de 20 km/h superior à versão de relações mais curtas do GT3 R, homologada pela FIA.

Na versão sem silenciador, o sistema de escapamento com saídas duplas localizadas no centro, permite aquilo que tanto gostamos, o som autêntico de um carro de competição, algo sempre emocionante. Existem duas opções de escapamento equipadas com silenciadores e catalisadores, disponíveis, para circuitos com restrições de ruídos (sim, eles existem).

A verdade é que o Porsche 911 GT3 R Rennsport não está homologado para competição nos campeonatos oficiais GT3 e também não pode andar nas ruas. Isso, somado à exclusividade é que o torna o modelo tão especial. É um “monstro” puro, liberto das limitações dos regulamentos, verdadeiro brinquedo de gente grande (e abonada). Talvez seja o track day car mais fantástico que a Porsche já produziu.


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