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TESTE: Renault Mégane E-Tech, só o preço atrapalha

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Esqueça tudo o que você sabe sobre a Renault no Brasil nas últimas três décadas. A marca se reposicionou no mercado, deixou de lado a busca pelos consumidores menos abonados e aos poucos vai lançando produtos mais sofisticados, melhor acabados e, assim, renascendo atualizada e mais forte. Bom exemplo disso é o SUV Megane E-Tech, importado que chegou no final de 2023 e é um produto importante para a montadora francesa. Afinal, ele simboliza o também o renascimento da linha elétrica da marca e abre o caminho para os futuros modelos eletrificados da Renault. Dependendo dos olhos de quem o observa, pode ser identificado como SUV, hatch ou cupê, mas é a mistura disso tudo, mais próximo de um SUV médio. Chegou ao mercado esbanjando beleza e qualidades, com muitos atributos e preço errado para a realidade atual: R$ 279.900. 

por Ricardo Caruso

O Megane E-Tech (cujo sobrenome é EV60 Optimum Charge) é maior que o falecido Zoe, e tem 4,20 metros de comprimento mas distância entre-eixos de 2,70 m, o que permite espaço interno de modelos maiores. A altura é de 1,52 m, obtida graças à pouca espessura da bateria, que tem somente 11 cm, a mais estreita usada na marca e que permitiu baixar o centro de gravidade e, com isso, além da maior altura, há um ganho importante na estabilidade.

O SUV foi mostrado no formato do conceito Mégane E-Tech Electric, quando foi exibido ao público foi apresentado no “IAA Mobility” de 2021, em Munique, Alemanha. Apenas o nome Mégane faz este elétrico ter alguma conexão com os Mégane do passado. É montado na plataforma CMF-EV, com linhas elegantes e limpas, num desenho moderno que arrancou elogios. O Mégane e-Tech usa rodas de 18 polegadas, carroceria volumosa, linha de cintura alta e muito estilo. Destaque ainda para o conjunto de faróis e lanternas em LEDs, pintura do teto em preto (no modelo avaliado), maçanetas das portas dianteiras retráteis e e das portas traseiras posicionados nas colunas C.

Toda a modernidade e elegância se repete por dentro, acrescentando ótima dose de modernidade, mesclando a justa ostentação e com praticidade e funcionalidade, num ambiente bastante agradável e aconchegante. O acabamento interno é de alta qualidade, tanto em materiais quanto no processo de montagem. Poucos plásticos rígidos, revestimentos suaves ao toque e ecologicamente corretos.

Quem vai na frente tem bom espaço para as pernas; o console não é muito largo, mas tem dois “andares”. Os bancos são confortáveis e com ótimo revestimento em tecido ecológico, mas o assento do motorista conta apenas com ajustes manuais, por conta da necessidade da marca em não elevar muito o preço final. Na parte traseira a sensação de bom espaço se repete, com o assoalho plano e conforto. O porta-malas é muito bom, com 440 litros, destaque no segmento.Renault Mégane E-Tech (BR)

O grupo de instrumentos é uma tela digital de 12,3 polegadas, de leitura fácil e com diversas configurações possíveis. O sistema de multimídia é o “OpenR” da marca tela de 9 polegadas, conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay. Funciona bem mas é uma tela pequena para os padrões atuais; no mercado europeu é usada uma tela maior posicionada e vertical. Destaque para as informações detalhadas sobre o carro, consumo, forma de condução, e eficiência energética do carro. Os comandos do sistema de ar-condicionado são físicos, com as informações projetadas na tela. Renault Mégane E-Tech (BR)

Bons detalhes são o apoio central de braço na dianteira, que tem um pequeno compartimento para armazenar moedas ou a chave tipo “cartão” do carro, que aloja duas tomadas USB-C e uma de 12 V. Na parte de trás do apoio de braço temos mais dois conectores USB Tipo C. Na base da central multimídia há uma “prateleira” para acomodar um smartphone com carregamento por indução. 

E COMO ANDA?

Retiramos o carro para avaliação em São Paulo. Carga a 100%, a autonomia indicada era de 338 km, suficiente para chegarmos em Poços de Caldas, MG, atualmente nossa base, a 260 km de distância. Dirigindo normalmente no modo de condução ECO, chegamos com ainda 30% de carga, e num carregador rápido voltou a 100% em duas horas. Guiar carro elétrico é sempre aquela sensação de quando éramos “duros”, com curva orçamentária limitada, e dirigíamos o tempo todo de olho no marcador de combustível, pedindo a Deus alguma ajuda para chegar em casa. Mas conforme as autonomias das baterias vão aumentando e o hábito de guiar elétricos vai ensinando alguns truques, tudo fica mais fácil.

Foi uma agradável semana na companhia do Megane E-Tech. Posição de dirigir e visibilidade muito bons; o espelho retrovisor interno é convencional ou basta virar um controle e ele se transforma numa útil tela digital, que deixar[á seu cunhado morrendo de inveja. A única crítica fica para a posição das três alavancas que ficam na direita, atrás do volante (seletor de marchas e limpador de para-brisas muito próximas), que pode causar alguma confusão. Mas depois você se acostuma e presta atenção para não se confundir.

Rodamos entre cidade e estrada cerca de 2000 km. O SUV agradou pela qualidade da rodagem, mesmo com as suspensões com calibragem mais firme. A suspensão tem bom acerto e favorece o conforto e dirigibilidade para quem quer acelerar mais. O bom acerto dinâmico que a Renault promoveu, calibragem de direção mais direta e com peso certo, freios suficientes e motor elétrico invejável torna o ato de dirigir o E-Tech algo muito agradável e prazeroso. Os decentes 220 cv de potência e 30 mkgf de torque são mais do que necessários para você deixar na saudade a maioria dos carros que encontrar pelo caminho. Tudo num silêncio franciscano, com excelente isolamento acústico e com a aerodinâmica cuidando dos ruídos de vento.

Espelho ou tela digital? Você escolhe.

Coração do carro elétrico, a bateria NMC de 12 módulos tem 60 kWh de capacidade (65 kWh brutos) e é completamente nov. É mais fina, pesa 395 quilos e utiliza a química NMC (níquel, manganês, cobalto) da LG, que contém mais níquel e menos cobalto para uma maior densidade de energia – a autonomia declarada é de 337 km pelo PBEV do Inmetro, com números um pouco melhores na vida real.

Novo logo da Renault é projetado no piso assim que as portas são destravadas.

O Mégane E-Tech é baseado numa arquitetura elétrica de 400 volts, e o pode recarregar em pontos com até 22 kW de potência em AC, o que é interessante quando se utiliza carregadores públicos trifásicos comuns, quando a maioria dos carros elétricos irá carregar a no máximo 11 kW. Já em corrente contínua DC a potência é de 129 kW. E o que isso significa? Indica que, na prática, é possível recarregar de 15% a 80% da carga em 1 hora 50 minutos usando um carregador público de 22 kW, ou 40 minutos em um ponto de 130 kW. Com um wallbox doméstico de 7,4 kW, essa carga leva pouco mais de 5 horas. Nenhum problema com essa parte da avaliação. 

O Megane E-Tech oferece quatro modos de condução (Eco, Comfort, Sport e Individual). Com o uso do modo Eco rodamos praticamente o tempo todo, com excelente equilíbrio entre desempenho e eficiência energética. A aceleração de zero a 100 km/h foi feita em 7,2 segundos, melhor que a oficial de 7,4 segundos. Já a velocidade máxima é limitada em 160 km/h, marca mais do que suficiente para um veículo tipicamente familiar. As ultrapassagens são muito fáceis, claro. renault-megane-e-tech-br

O sistema de frenagem regenerativa está sempre ativo quando o seletor de marcha está na posição D. Sacada inteligente é que você pode ajustar os níveis de atuação por meio de “borboletas” por atrás do volante. São quatro níveis de regeneração, de 0 (sem regeneração) a 3 (regeneração otimizada de energia e frenagem). Esta posição é o que se chama de condução “One Pedal” ideal para uso na cidade ou descidas de serra, para poupar energia. É como guiar aqueles carrinhos de trombada de parque de diversões: para andar, acelera, e para frear, solte o pedal… Renault Mégane E-Tech (BR)

Mimos que agradam o público feminino são a boa qualidade do sistema de áudio, os faróis dianteiros que piscam repetidas vezes e a projeção do logotipo da Renault no chão quando as portas são destravadas.

CONCLUSÃO

Não dá para negar que o Mégane E-Tech é um excelente carro, tecnológico, equilibrado e muito interessante. Mas é o típico exemplo de carro certo com preço errado. Cheio de qualidades, é o mais agradável dos elétricos que avaliamos até agora, esbanjando conforto, desempenho de esportivo, altamente eficiente e espaçoso, com visual muito bem cuidado e que não passa despercebido. O único defeito é mesmo o preço, pois poderia custar menos e se tornar a melhor opção para quem quisesse partir para um elétrico sem migrar desviando dos chineses.

Com o preço pedido nele, quase dá para comprar um BYD Dolphin Plus e mais um Dolphin Mini juntos. Ou a marca revê o preço, ou infelizmente do E-Tech corre o risco de encalhar nas concessionárias. O que seria uma pena.

Renault Mégane E-Tech (BR)
Renault Mégane E-Tech (BR)
Renault Mégane E-Tech (BR)
Renault Mégane E-Tech (BR)
Renault Mégane E-Tech (BR)
Renault Mégane E-Tech (BR)
Renault Mégane E-Tech (BR)


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