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CLASSIC CARS: GALAXIE 45 ANOS

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O Galaxie, no Salão de 1966.

O maior carro já produzido no Brasil -5,40 metros de comprimento- teve sua origem nos Estados Unidos. Em 1959 o nome Galaxie 500 surgiu naquele país, indicando a versão top de linha do Ford Fairlane, que era o mais cobiçado sedã da marca. O nome é alusão a era da corrida espacial (Galaxie vem de Galaxy, Galáxia em português) e o número 500 era homenagem à vitória em 1958 na “500 milhas de Daytona”. A série saiu de linha em 1974, depois de 16 anos na ativa. Foram seus herdeiros o LTD e o Crown Victoria.

Em 1966, num raro lampejo de ousadia da Ford, o Galaxie americano serviu de inspiração para a versão brasileira, sendo a única carroceria prevista a Sedan; o motor escolhido foi o 272V8, que já era usado por aqui nas pickups e caminhões da marca.

Foi no dia 16 de fevereiro de 1967 que o primeiro Ford Galaxie 500 saiu da linha de montagem, e já tinha chamado atenção no final do ano anterior, ao ser exposto no “V Salão do Automóvel de São Paulo”. Foi o primeiro automóvel de passeio nacional da Ford. A marca que já operava aqui desde
1919, com a montagem de automóveis e fabricação de caminhões e utilitários.

Época da ditadura e milagres econômicos, o Galaxie atendia quem buscava um carro luxuoso, confortável e moderno. O motor 272V8 tinha  164 cv, euquanto o câmbio manual de três marchas tinha alavanca na coluna. A carroceria tinha 5,40m de comprimento e 1,99m de largura (de maçaneta a maçaneta), muitos cromados, imensos parachoques e grade com quatro faróis.

Se o nome era espacial, as cores não deixavam por menos. Eram oito tons no catálogo: vermelho Marte, bege Terra, verde Júpiter, preto Sideral, cinza Cósmico, azul Infinito, azul Ágena e branco Glacial. Opcionalmente a capota poderia vir na cor branco Glacial. Um luxo.

As rodas, pintadas na mesma cor da carroceria podiam ser equipadas com duas opções de calotas: uma pequena; outra integral, que cobria as rodas por inteiro, feitas de alumínio polido. Por dentro, os bancos inteiriços podiam ser revestidos de vinil ou de tecido com vinil. O interior era disponível nas cores preto, bege, azul ou vermelho, que resultavam em 52 combinações. O painel tinha uma cobertura almofadada na cor do bancos.

Um detalhe curioso era a ausência do retrovisor externo, item não obrigatório na época, mas que acabou adotado pela maioria dos motoristas devido ao tamanho do carro.

Em 1968 o carro praticamente não recebeu mudanças, a não ser na cobertura do painel. Já em 1969, uma pequena novidade: a antena passou a ser fixada no paralama dianteiro esquerdo. O Galaxie 500 ganhou a companhia do Galaxie LTD, versão ainda mais luxuosa, com teto de vinil, ítem que o acompanharia até o final de sua trajetória.

Dois opcionais passaram a ser oferecidos, ar-condicionado e câmbio automático, pela primeira vez equipando um carro nacional. Na parte mecânica, o 500 não teve mudança, mas o LTD ganhou novo motor: 292V8 de 190cv.

Antecipando o que seriam os carros populares anos depois, a Ford criou a versão básica do modelo em 1970, com o nome de Galaxie (sem o 500) conhecido como Standard. O carro era espartano, sem direção hidráulica, ar-condicionado, rádio ou relógio. As calotas eram pequenas, os frisos sumiram e o revestimento interno era preto.

Em 1971 a versão top de linha passou a ser a LTD Landau. O carro ganhou ainda mais conforto, o vidro traseiro ficou menor e a coluna coluna “c” recebeu um adorno em forma de “S” –a idéia era lembrar as carruagens francesas chamadas landau (“landô”).

Assim, até 1983, o Landau reinou absoluto com seu motor 302V8 (desde 1976). Foi o carro oficial preferido e, justiça seja feita, o modelo mais luxuoso já feito no Brasil. Em fevereiro daquele ano, o último Ford Galaxie Landau deixou a linha de montagem, idêntico ao modelo 82. Os 125 veículos fabricados em 1983 marcaram o fim de uma era, sepultados pela crise do petróleo. Oficialmente o carro foi substituído pelo Del Rey, basicamente um Corcel II mais luxuoso e confortável, na realidade daqueles anos duros. Foram fabricados 87.647 carros, em suas quatro versões (Standard, 500, LTD e Landau).

O adeus, em 1983.

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