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Como nos velhos tempos: Salão de Tóquio

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Lembra aquela conversa de algumas montadoras em situação de puro flagelo econômico, decretando por meio de factóides o fim dos Salões de Automóvel? Parece que não é bem assim, e o pavor da chegada dos chineses felizmente está trazendo de volta esse tipo de evento. O Salão de Detroit mudou de data e local, o de Frankfurt foi para Munique, Paris e Genebra estão se ajustando… E assim tudo vai voltando para os eixos, fazendo alguns “gênios ” do marketing lembrarem que o mundo do automóvel não vive e nunca viveu só de pensar em vendas e lucros. É algo que ainda envolve paixão, e os Salões são a melhor oportunidade para a publicidade institucional, que gera fidelidade à marca, que gera vendas… Prova disso foi o Salão de Tóquio deste ano, onde não faltaram novidades -em especial na forma de protótipos e conceitos— e até fez lembrar os grandes Salões de outros tempos…

por Marcos Cesar Silva

Isso mesmo. A edição deste ano do Salão de Tóquio fez lembrar dos tempos áureos não só deste evento nipônico, mas também dos Salões de automóveis no geral. Houve a apresentação de incontáveis novidades e, fazendo justiça à história do salão japonês, uma grande parte dela na forma de conceitos, uns muito futuristas e outros apenas modelos de produção disfarçados.

Esta é a primeira edição do evento desde 2019, depois que o Salão do Automóvel de Tóquio foi cancelado em 2021 devido à pandemia de Covid-19. Este ano, 475 empresas participaram, muito mais do que as empresas presentes em 2019.

Ainda que o nome oficial do evento —”Japan Mobility Show“— sugerisse uma ligação maior com a mobilidade, a verdade é que as novidades em quatro rodas dominaram a cena. Aqui estão alguns destaque da mostra.

Daihatsu

O espaço reservado pela Daihatsu chamava atenção com a exposição do novo Vision Copen, um roadster para disputar compradores com o Mazda MX-5. No entanto, próximo dele estavam duas novidades bastante interessantes, direcionadas à mobilidade urbana. Uma delas era o Daihatsu me:MO (parece que novos tempos exigem nomes estranhos), com menos de três metros de comprimento e cerca de 1,5 m de largura. É um conceito minimalista que faz lembrar de modelos como o Citroën AMI, mas com mais lugares a bordo. É um protótipo 100% elétrico e que inclui um detalhe muito original: há diversas partes da carroceria (e até mesmo as rodas) que podem receber peças coloridas, como se fossem peças de Lego. Desta forma, cada proprietário poderá personalizar o seu me:MO ao gosto.

Daihatsu me:MO 3/4 de frente

Além do me:MO, a Daihatsu também apresentou o Osanpo (abaixo), que é um kei car (3,4 m de comprimento e 1,47 m de largura) conversível de dois lugares e 100% elétrico. Dado as dimensões muito compactas, a marca afirma que “é tão simples de conduzir como ir dar um passeio a pé”.

Honda

A marca criada por Soichiro Honda trouxe de volta algumas lembranças ao revelar o novo Honda Prelude Concept. Mas Toshihiro Mibe, o atual chefão da marca, preparou mais surpresas. Uma delas era o Cruise Origin, uma espécie de sala sobre rodas e autônoma, com quatro lugares a bordo.

Honda Cruise Origin 3/4 de frente

Além deste, o Honda Sustaina-C Concept (abaixo) —remetendo ao desenho do primeiro Honda City— destacou-se pelo uso de materiais reciclados na sua fabricação. Entre eles, resinas acrílicas, que podem ser reutilizadas no futuro.

Fazendo companhia a eles, o Honda CI-MEV representa uma nova solução de mobilidade, destinada às regiões em que não existem alternativas de transporte. Trata-se de um modelo muito compacto, com apenas dois lugares, mas que recorre à condução autônoma para garantir o máximo de segurança e tranquilidade, mesmo nos deslocamentos mais curtos.

Infiniti

A Infiniti, marca de luxo da Nissan, não é vendida no Brasil. A sua maior novidade no Salão de Tóquio foi o Vision Qe Concept, um modelo futurista que antecipa o primeiro carro da marca 100% elétrico.

Infiniti Vision Qe concept 3/4 de frente

Trata-se de um modelo com estilo bastante arrojado, que também dá uma boa ideia da evolução da marca neste quesito. Mesmo se tratando de um sedã de quatro portas, o visual consegue aproximá-lo formalmente de um cupê. Além disso, a combinação de cores da carroceria traz um tom de azul-escuro com pigmentos em dourado e diversos detalhes também em dourado. Ou seja, um elegante conjunto de “ouro sobre azul”.

Mitsubishi

A proposta da Mitsubishi para o Salão foi uma minivan eletrificada, de características mais aventureiras. Chama-se D:X Concept e inclui um avançado sistema de tração integral, sistemas de iluminação em laser capazes de projetar imagens no piso e seis lugares no interior.

Mitsubishi DX Concept 3/4 de frente

 

O espaço a bordo é amplo, com vistas panorâmicas para todos os lados, incluindo para cima. No caso da vista para a frente, conta com a ajuda de um enorme monitor, que dá a ideia de não haver mais nada na dianteira do Mitsubishi D:X Concept.

Ao que consta, este Mitsubishi D:X Concept dá as primeira indicações do que será a próxima geração da minivan Delica.

Subaru

A Subaru é uma marca “escondida” no Brasil, mas que faz muita gente sonhar. No Salão de Tóquio, seu maior destaque foi um modelo arrojado, o Sport Mobility Concept, destinado a relembrar o lado mais esportivo da marca.

Subaru Sport Mobility Concept 3/4 de frente

Trata-se de um conceito 100% elétrico, com um formato de cupê, duas portas e dois lugares, mas com visual muito futurista. Pode ser até que antecipe um novo capítulo visual na marca.

Segundo a Subaru “terá capacidade de ir a qualquer lugar e em qualquer momento, oferecendo elevado prazer de condução em qualquer ambiente”.

Toyota

O maior dos gigantes do mundo automotivo contou com um espaço adequado ao seu tamanho, que encheu de novidades na forma de muitos conceitos. No entanto, Koji Sato, chefão da Toyota, ainda tinha mais novidades para apresentar.

Uma das de maior destaque é o Toyota FT-3e, protótipo 100% elétrico que inclui diversos serviços conectados e personalizados. O seu formato de SUV aproxima-o visualmente do também tecnicamente próximo Lexus LF-ZL, mas conta com uma imagem mais esportiva.

Toyota FT-3e 3/4 de frente
© TOYOTA

Por meio de telas no exterior da carroceria, é possível verificar a carga da bateria, a temperatura no habitáculo e a qualidade do ar a bordo, mesmo antes de entrar.

Já o Toyota IMV 0 é uma pequena picape elétrica de dois lugares, com visual que lembra o Land Cruiser BJ70, destinada em especial ao mercado comercial.

Toyota IMV 0 na versão coffee shop

Destaca-se pela capacidade de poder ser transformada de incontáveis formas, de acordo com as necessidades de cada cliente. Pode ser um veículo de carga convencional, um food truck ou uma coffee-shop, ou até transformá-la num veículo de competição.

Toyota Kayoibako 3/4 de frente

Mais ou menos no mesmo contexto, o Toyota Kayoibako (acima) também se pode adaptar a um elevado número de necessidades, graças ao formato inspirado num conteiner de transporte de mercadorias. Entre os exemplos apresentados no Salão, está uma configuração de comercial leve para entregas, ou um veículo de lazer. Outros exemplos mostram uma solução de mobilidade compartilhada, com facilidade de acesso a cadeiras de rodas, escritório móvel e uma pequena loja.

Mais destaques

A Yamaha revelou o Tricera EV, de três rodas (abaixo), e o buggy YXZ1000R a combustão de hidrogênio. O primeiro é descrito como um “automóvel elétrico de três rodas abertas”, criando outro novo nicho no mercado. Quanto ao YXZ1000R, seu motor queima hidrogênio, tem injeção direta e praticamente não polui.

As montadoras estrangeiras foram escassas no evento deste ano no Japão, e BMW, Mercedes-Benz e a chinesa BYD tiveram presença pequena. O estande da BMW inclui modelos já mostrados antes, como o X2 e o Vision Neue Klasse, enquanto a Mercedes mostrou o EQG elétrico. A BYD, por sua vez, é a primeira montadora chinesa a participar do evento em seus 47 anos de história, mostrou o sedã elétrico Seal, entre outros.


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