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Ferrari vai se separar da Fiat? Mais ou menos…

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A Ferrari e o grupo Fiat Chrysler vão se separar para que possam percorrer caminhos diferentes e ambas possam ter um futuro mais tranquilo. Pelo menos é isso que Sérgio Marchionne pensa e acredita. Mas ao quwe parece, a separação é mais aparente que outra coisa, pois apenas 10% do capital será oferecido na bolsa de valôres, e o restante ficará nas mãos dos acionistas do grupo FCA.

“Após a aquisição da Chrysler no início do ano e a transformação da Fiat e da Chrysler em FCA (Fiat Chrysler Automobiles), a operação foi concluídaa no início de outubro com a nossa estréia na bolsa de Nova Iorque. Agora, passamos à próxima fase, e para que o nosso ‘business plan’ 2014-2018 possa avançar sem problemas, maximizando o valor do negócio para os nossos acionistas, é necessário que a FCA e a Ferrari sigam caminhos separados”. Estas são palavras de Sérgio Marchionne, o chefão da FCA e da Ferrari, depois de ter dado uma coletiva de imprensa no Salão de Paris, no mesmo dia em que conseguiu colocar para fora da Ferrari o veterano e então todo-poderoso da casa de Maranello, Luca di Montezemolo.

Quando saiu, Montezemolo afirmou que “a Ferrari terá importante papel dentro do grupo FCA quando este entrar em bolsa. Assim, será aberta uma nova fase que, julgo, será liderada pelo CEO do grupo”. Parece que foi esta idéia de Montezemolo que entrou em rota de colisão com Sérgio Marchionne e o colocou para fora da Ferrari. E pelo que foi anunciado, a marca vai mesmo seguir um caminho diferente daquele pensado por Montezemolo.

AÇÕES

Atualmente, a FCA controla 90% da Ferrari, sendo os outros 10% propriedade de Piero Lardi Ferrari, o único familiar vivo de Enzo Ferrari. Ora, A FCA vai colocar à venda em bolsa 10% da sua quota, sendo os 80% restantes distribuídos pelos acionistas da FCA. Acredita-se que o capital que a FCA deseja abrir mão seja colocado em bolsa nos Estados Unidos e na Europa já em 2015.

Sobre esta decisão de Marchionne, John Elkann, presidente da FCA, explicou que “a separação da Ferrari do grupo FCA vai preservar a herança da marca e o sucesso do negócio Ferrari, permitindo aos acionistas do grupo FCA continuarem se beneficiando do substancial valor do negócio FCA e Ferrari”. Com este anúncio, o valor de cada ação da FCA subiu 5% na bolsa de Nova Iorque.

Recuando algumas semanas, recordamos a entrevista coletiva que Marchionne deu em Paris, quando o novo CEO da FCA afirmou que “o Luca e a sua equipe fizeram um excelente trabalho na construção da divisão de carros de rua da Ferrari, bastando para isso olhar para os diversos produtos e para aquele que acabamos de apresentar, o 458 Speciale A. Eu tenho uma Ferrari Enzo e estou ansioso para acompanhar este novo 458! Fica assim evidente que a Ferrari avançou, muito, em termos tecnológicos, nestes últimos 10 anos”.

ATAQUE

Elogios feitos, Marchionne passou ao ataque. “Existe uma tradição que não pode ser interrompida pela mudança de administração e, sendo a Ferrari única em termos de valor de marca e de capacidade tecnológica, temos de manter essa exclusividade. E digo isto para que os boatos que me acusam de querer fazer da Ferrari uma espécie de Lamborghini, acabem. Mesmo que quisesse fazer, não conseguiria. Mesmo que estivéssemos desesperados para isso”.

Enviada a farpa ao grupo VW, Marchionne lembrou que “a exclusividade da marca e da sua tecnologia é algo que temos de conservar a todo o custo, e por isso fica evidente que não vão ver uma significativa deriva da estratégia implementada por Montezemolo.” Mesmo porque, “as proezas tecnológicas da marca devem ser preservadas”, e Marchionne pensa que “há peças e desenvolvimentos técnicos que deveriam estar disponíveis para uma maior clientela, bem como vender tecnologia e serviços de engenharia.”

Para Marchionne, uma das razões para esta mudança de liderança reside na F-1. “A questão da Fórmula 1 é mais complicada. Sou constantemente lembrado que o automobilismo não é uma ciência exata, mas depois vou a Monza e os seis primeiros classificados não são nem Ferrari e nem com motor Ferrari, e a minha tensão arterial dispara! Perder uma ou duas vezes, acontece, mais que isso deve obrigar-nos a acordar e pensar que poderá haver uma forma melhor de fazer isto. Desde 2008 que temos conhecidos percalços, perdemos campeonatos na última corrida, mas temos pilotos fenomenais. Ou seja, alguma coisa se passa para que não exista química entre todos que funcione”.

FÓRMULA 1

Por isso, resolver os problemas da Ferrari na Fórmula 1 é “o principal objetivo para conseguir fazer a marca seguir em frente. Uma Ferrari que não ganha na F-1 não é uma verdadeira Ferrari. Posso viver momentos de falta de sorte, mas isso não pode passar a ser estrutural dentro da equipe. Por isso tivemos de dar alguns ‘pontapés no traseiro’ de alguns e rapidamente, podemos estragar tudo com esta reação, mas tínhamos de fazer alguma coisa”.

Sobre o aumento da produção, até hoje autolimitada, Marchione foi claro. “Tentamos perceber quais os impactos financeiros de passar a produção das 7 mil para as 10 mil unidades, em especial o progresso no aumento dos lucros e do ‘cashflow’. Porém, dizer agora que vamos passar para as 10 mil unidades anuais é prematuro e sem sentido. O plano apresentado em maio contabiliza apenas sete mil carros e foi desenhado sem aumento de produção. Mas é algo que está em cima da mesa”.

E sobre a acusação que o valor das Ferrari usadas iria descer, Marchionne lembrou que “a marca de Maranello sempre manteve exclusividade e durante a crise de 2007-2008, continuamos a esgotar a produção, deixando muitos pedidos de fora, poir isso nunca existe um problema com os usados da Ferrari. Uma Ferrari nunca será acessível, mas se a população que pode comprar os nossos produtos crescer muito, naturalmente que temos que satisfazer o mercado. Mas tudo isso não passa de intuições e, por isso, o futuro dirá o que fazer. Agora, há uma coisa que não quero que volte a acontecer: uma Ferrari não é um produto fácil de comprar, mas um cliente não pode esperar 24 meses por um carro. As pessoas têm que sentir a exclusividade e esperar pelo seu carro, mas não tanto tempo”.

ESGOTADA

E para ressaltar suas palavras, Sérgio Marchionne lembrou que “a LaFerrari esgotou os 499 carros disponibilizados assim que foi anunciada, e a F60 America, acabou de ser apresentada e já está esgotada. São 10 versões únicas, a mais de US$ 3 milhoes e estão todos vendidos. Ou seja, podemos apresentar o carro, mas comercialmente o carro está vendido. Não sei se vamos aumentar para 20 as unidades produzidas, mas penso que um produto de sucesso como este deve estar disponível. Ou seja, a exclusividade não pode ser levada tão longe, pois estamos perante um negócio e por isso temos que ter os produtos disponíveis. Não pode haver uma restrição absoluta”!


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