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Matra Bagheera e a regra de três

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A Mécanique Avion Traction, ou simplesmente Matra, era desde a década de 1950 uma empresa francesa com vasto leque de atividades relacionadas, em especial, com a indústria aeronáutica e de armamentos, e por isso muito respeitada nesses segmentos.

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No início dos anos 1960 passou a fabricar carros, com a ajuda de René Bonnet, um nome de destaque em modelos esportivos e de competição. A pequena empresa passou então a se chamar Matra Sports. O nome de Matra foi primeiro usado para carros de rua, com o Matra Djet de motor da Renault. O Djet foi substituído com o Matra 530, que tinha motor V4 do Ford Taunus.

A Matra também desenvolveu ampla parceria com a Simca nos anos 1970, produzindo carros esportivos com motores Simca, como o revolucionário Bagheera, Murena e Rancho, este último um dos precursores das SUVs, que foi baseado na pickup Simca 1100. Este carro permaneceu em produção nos anos 1980, após a aquisição da Simca pela Peugeot.

A BONNET

Voltando no tempo, em 1964 a Matra, comprou a Bonnet, uma pequena empresa que produzia carros esportivos, comandada por René Bonnet. Eram carrinhos leves e pequenos, que usavam motores de série de fabricantes franceses. O primeiro foi o Jet com motor Renault, mas a produção só chamou atenção com o 530, que usava um V4 da Ford alemã, o mesmo dos Taunus.

Em abril de 1969 a Matra assinou um acordo com a Chrysler francesa, que era dona da Simca. A idéia era criar um pequeno esportivo para ser lançado depois de quatro anos, em 1973. E assim foi. Em abril de 1973 foi mostrado oficialmente o Matra Simca Bagheera, um projeto bastante original. A carroceria era de fibra de vidro, com a frente baixa e faróis escamoteáveis; linhas retas; motor central e longa tampa traseira de vidro, entre outros.

O carro foi desenhado pelo grego Antoni Volanis, que anos mais tarde assinou os projetos do Renault Espace e do conceito Xanae, que deu origem ao Citroën Picasso. Duas minivans de sucesso.

MOTOR

O motor era Simca, o mesmo do 1100 TI, montado transversal na parte central-traseira. Tinha 1300 cm3, 84 cv de potência máxima e era alimentado por dois carburadores Weber de corpo duplo. Apesar da baixa potência, era confiável e durável, e levava o modelo aos 185 km/h. O câmbio era de quatro marchas e os freios a discos nas quatro rodas. Seu peso era baixo, de apenas 885 kg.

O recurso da tampa traseira com acesso ao motor já fora utilizado no Alpine A310, mas não era muito prático. A traseira era alta e o carrinho tinha 3,9 metros de comprimento. As lanternas traseiras horizontais traziam entre elas a inscrição Bagheera, como nos Porsche 911.

matra simca bagheera

Mas o melhor de tudo estava na parte interna: a Matra Bagheera tinha três lugares, um ao lado do outro, configuração inédita para um esportivo. O volante era de um raio só, enquanto o painel incluía manômetro de óleo junto aos instrumentos convencionais. O rádio ficava em posição vertical. No lado do motorista ficava a alavanca de câmbio e freio de estacionamento. O acabamento era caprichado, em duas cores, combinando com a cor da carroceria.

ESTÁVEL

Mesmo sendo de fibra de vidro e montado num chassi de aço, era um carro silencioso e confortável, estável e com bom acerto de direção. Isso apesar dos pneus 155 e rodas aro 13. Por coincidência, as primeiras Bagheera chegaram às lojas cerca de um mês depois da vitória do Matra MS 670, na “24 Horas de Le Mans”, em julho de 1973, o que ajudou nas vendas.

Em 30 de setembro de 1974 foi apresentada a versão Courrèges, nome de André Courréges, o famoso costureiro francês. O acabamento era mais luxuoso, os revestimentos eram em padronagem exclusiva bege e os bancos de couro branco; a pintura do carro só era disponível na cor branca, a preferida do costureiro.

Em junho de 1975 foi a vez da versão S, mais esportiva ainda, com motor 1500 do Simca 1308 GT. Os vidros tinham controles elétricos e eram verdes (um luxo para a época), teto solar opcional, rodas de alumínio e cintos de segurança retráteis.

A Matra Bagheera ganhou ampla reestilização em 1977, onde recebeu pára-choques mais reforçados, vidros maiores nas laterais e outras lanternas traseiras. Foi batizada de Bagheera S2. Foram feitas ainda alterações na parte mecânica: freios a disco mais eficientes, melhor arrefecimento do motor, novo sistema de escapamento e caixa de câmbio com relações mais longas. No ano seguinte, 1978, foi apresentada a versão X, que substituiu a Courréges: bem mais equipada, trazia novas cores de carroceria e bancos revestidos de veludo.

O FIM

Em 1979 foi apresentado o Jubilé, que seria uma série comemorativa, com pintura em dois tons e bem equipada, mas que não chegou a ser produzida. Em abril de 1980 a fabricação do Bagheera foi encerrada, com 360 unidades entregues naquele ano.

O curioso esportivo de três lugares fez sucesso e marcou época na indústria automobilística francesa: foram vendidos 47.796 exemplares, alguns poucos no Brasil. No mesmo ano fábrica passou a se chamar Talbot-Matra. O Murena, também desenho de Antoni Volanis, foi lançado em 1978 para suceder o Bagheera, mas não teve a mesma repercussão por ser um carro mais convencional, apesar do desenho atraente..


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