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Como a Ford roubou o nome Mustang

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A Ford comemora este ano os 50 anos do Mustang. Mas, e se afirmarmos que o Ford Mustang não foi o primeiro “Mustang”? E se afirmarmos que o primeiro “Mustang” não é de 1964, e sim que foi construído em 1948 por um visionário de Seattle, Washington, que mais tarde processou a Ford em US $ 10 milhões por uso indevido do nome Mustang?

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É tudo verdade, e AUTO&TÉCNICA mostra esse outro lado da história, praticamente esquecida no mundo do automóvel. O carro com nome Mustang foi idéia de Roy McCarty, gerente de serviço em uma concessionária da Lincoln e sonhador em grandes proporções. Ele tinha estudado algumas teorias sobre como construir um carro mais seguro, melhor e mais barato para as massas, e decidiu ir atrás de seu sonho.

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No papel, tudo parecia certo. Ele planejava usar em todos os sistemas do carro peças de modelos que já estavam em fabricação e adaptá-las ao seu carro. Assim, a direção era de Jeep Willys, motor Hercules 2.6 de 59 cv, câmbio Warner de três marchas, eixos Spicer originalmente destinados a outros carros… O custo/benefício, facilidade de acesso a peças de reposição e mão de obra contavam muito. A desvantagem é que Roy McCarty não tinha dinheiro, e a criação de uma fábrica de automóveis num canto distante dos Estados Unidos, longe de Detroit, não era uma tarefa fácil.

A HISTÓRIA

Embora tenhamos encontrado os números de produção do Mustang original -12 unidades- enquanto a Ford vendeu mais de 10 de milhões de exemplares do seu pony car, temos certeza de que esta história tem grande valor histórico, em especial porque, ao ser acionada judicialmente pelo uso do nome, alguém na Ford pensou: “Ok, vá em frente e nos processe se você quiser, nós vamos enterrá-lo”.

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O história do primeiro Mustang é melhor contada por meio de documentos históricos e informações fornecidas por Tracy McCarty, casada com o neto de Roy McCarty. Ela forneceu praticamente tudo o que tem sobre o carro, e as imagens publicadas aqui são de sua coleção. Importante o fato de que a família manteve estes documentos. Hoje, qualquer um que tivesse algum membro da família com a presença de espírito e dedicação para iniciar sua própria fábrica de carros, também iria preservar cada pedaço dessa história.

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Roy McCarty sabia que seria um enorme trabalho de vendas convencer as pessoas de que precisavam comprar seu carro, com linhas estranhas para 1948. Por isso a empresa Mustang fez algumas publicidades realmente criativas e criou bastante material para elucidar a razão do carro ser como era. A Pacific Car foi responsável pela montagem do primeiro exemplar, em forma de gota e com carroceria toda de alumínio. Algumas das fotos que publicamos explicam a lógica por trás da forma de gota do Mustang.

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Curiosamente, um carro quase idêntico feito pela Fiat, o Multipla, desembarcou nos Estados Unidos em 1950. Talvez um projeto não tenha influenciado o outro. Ou sim. O Mustang não foi um projeto aleatório, e muitos neurônios foram consumidos até chegar à forma de lágrima, ou gota, ou baleia…

TUDO SIMPLES

O desenho do chassi e da estrutura do carro é simples, e percebemos que a marca divulgava as marcas de consumo entre 12 e 15 km/litro. Isso parcialmente por conta do peso baixo. O motores Continental e as relaçõees de marcha curtas permitiam que o carro atingisse os 100 km/h. Para promover o Mustang, McCarty viajou por toda a Costa Oeste com o carro, e fazia apresentações para mostrar suas virtudes e sondar interessados em serem revendedores.

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Com um Mustang na estrada como veículo promocional e protótipos em testes, McCarty tentou captar dinheiro para financiar a expansão da empresa. Infelizmente esse crescimento nunca aconteceu, e tudo o que descobrimos é que no máximo 12 Mustang 1949 foram realmente construídos.

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Assim, a Mustang passou a ser mais uma entre tantas empresas de fabricação de automóveis inovadores, que no final não conseguiu nada. Isso acontece desde os primórdios do automóvel. Há um exemplar numa coleção particular nos Estados Unidos e os outros 11 carros estão perdidos. Poderia ser esse o final da história, na distante 1949, mas não é. Ainda resta um capítulo. Roy McCarty demitiu-se do conselho de administração da empresa que criou em maio de 1949. Era ele quem usou o nome Mustang pela primeira vez e tinha a marca registrada.

QUEM PAGA?

Quando a Ford lançou o seu novo Mustang 1964 ½, houve muitas festas e celebrações. Mas um esquecido senhor de Washington tinha uma reclamação legítima sobre o uso desse nome. Era o próprio Roy McCarty, e ele foi atrás de Ford para exigir a milionária soma (é muito hoje, imagine em 1965!) de US$ 10 milhões!

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Nesse ponto, começou uma breve troca de cartas com os advogados da Ford. Não existe nenhuma indicação de que a Ford pagou alguma coisa a McCarty, pois simplesmente não levou a sério suas justas reivindicações. E então a história acaba aí.

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Este parece ser mais um caso de uma empresa gigante triturando um nanico.

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