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Não bastava ser muscle car, tinha que ser Pontiac…

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A expressão muscle car é algo que até hoje evoca potência, desempenho e presença, tanto quanto convida ao deboche ocasional, por incorporar excessos de todos os tipos, ainda mais em época de incontáveis “mimimis” e atitudes “politicamente corretas”. Embora existam marcas e modelos que resistiram à passagem do tempo, como Dodge e Plymouth, Challenger e Charger, Ford Mustang e o Chevrolet Camaro, vamos deixar para os debates de mesa de boteco se os dois últimos são considerados muscle cars ou apenas pony cars. Nenhuma conversa séria sobre muscle cars é possível sem mencionar uma lenda de tempos passados: a Pontiac.

por Ricardo Caruso

Pontiac GTO “The Judge” 1969

Provavelmente a atual geração “mimisenta” de gearheads não sabe do que se trata, mas aqueles que viveram a maior parte dos últimos 60 anos ainda se lembram do nome Pontiac e seus estonteantes muscle cars, que colocava nas ruas carros que abriam buracos no asfalto a cada acelerada mais entusiasmada.

Afinal, o que é um muscle car?

Embora a definição do que faz um carro ser um muscle car seja algo em constante movimento, há uma série de características obrigatórias para rotular um carro como muscle car. Por um lado, ter um V8 debaixo do capô é fundamental pr-e-requisito para começar a conversa, de preferência em seu estado de calibragem mais potente no que diz respeito a uma determinada série de modelos. Outro requisito é a tração traseira, para o motorista lidar com a deliciosa saída de traseira e trabalhar os braços para manter o carro em linha reta nas acelerações. Nada de infantis auxílios eletrônicos; muscle car é carro para macho, não para crianças imberbes!

Ajudando a busca por todas essas emoções e desempenho, está um estilo de carroceria leve, com poucos equipamentos, preferencialmente de duas portas, embora isso ainda esteja em disputa, já que o rótulo de muscle car até agora escapou de vários carros que atendem a esses critérios, enquanto muitos sedãs também foram considerados muscle cars.

E embora a questão da acessibilidade financeira seja discutível (tinham preço médio de menos de US$ 19.000 atualizados), um muscle car tem obrigatoriamente que nascer e ser criado nos Estados Unidos, normalmente entre as décadas de 1960 e 1970. A Pontiac era uma divisão da General Motors, fundada em 1925 e morta pela própria GM em 2010, sob a alegação de “vendas baixas”. Plagiando a fala do ditador morto, “saiu da vida e entrou para a história”.

Resumindo: o muscle car era a versão americana do que os brasileiros amam e veneram como “carro popular”, só que para compensar a falta de luxo, aplicavam um motor V8 de alta potência. Deu para entender?

História dos muscle cars Pontiac

A Pontiac não foi a primeira a ter a ideia de um muscle car, já que essa glória pertence em grande parte ao seu “irmão corporativo” Oldsmobile (outra marca que a GM desprezou, em 2004), com o Rocket 88 em 1949. Isso foi seguido em 1955 pelo Chrysler C-300 e pelo Studebaker Golden Hawk em 1956.

O primeiro dos muscle cars Pontiac veio na forma do Bonneville em 1957, comercializado como um conversível de luxo que, por acaso, abrigava um motor V8 de 300 cv. O Bonneville atravessou 10 gerações com uma variedade de estilos de carroceria, terminando sua carreira em 2005, mas trazendo no currículo o fato de ter aberto caminho para os muscle cars Pontiac, começando com o GTO que popularizou o gênero.

O que se seguiu foi uma série de plaquetas de identificação que deixaram sua marca na história do muscle car, com nomes como Grand Prix, Firebird, Catalina e G8. Os muscle cars clássicos da Pontiac têm todas as formas e tamanhos, mas nesta lista estão os mais marcantes.

Pontiac GTO

Considerado como o primeiro muscle car “moderno”, o Pontiac GTO adotou seu nome do italiano “Gran Turismo Omologato”, inspirado na Ferrari 250 GTO, indicando tanto o uso em corrida como nas ruas e estradas.

A primeira geração do Pontiac GTO funcionou de 1964 a 1967, com até 360 cv entre duas opções de motor V8, que alimentavam uma série de estilos de carrocerias: hardtop, conversível e cupê de duas portas. Sua segunda geração foi vendida de 1968 a 1972, adotando o estilo fastback junto com faróis duplos, enquanto um motor 455V8 mais potente estava disponível debaixo do capô.

A terceira geração do Pontiac GTO existia apenas para o ano-modelo de 1973, ainda equipado com as opções de motor V8, mas desta vez vendido exclusivamente como um cupê hardtop, com a potência máxima caindo para 250 cv. Da mesma forma, 1974 foi o ano solitário para a quarta geração do Pontiac GTO, com um 350V8 como opção de motor único graças à crise do petróleo.

A quinta e última geração do Pontiac GTO faria seu caminho de 2004 a 2006 (imagem acima) como uma versão do australiano Holden Monaro (uma das gerações do Omega importado vendida aqui, mas duas portas), com 400 cv e muitas mudanças para atender os padrões de segurança do mercado americano.

Pontiac Firebird

Originalmente projetado como a resposta da Pontiac ao Ford Mustang (que nunca foi um muscle car autêntico), a primeira geração do Firebird -versão Pontiac do Chevrolet Camaro- foi vendida de 1967 a 1969, com três opções de motores V8. Uma Ram Air IV opcional (tomada de ar forçado junto ao capô e direcionada para os carburadores) para o ano modelo 1969 fornecia até 345 cv e 43 mkgf de torque. O Ram Air agia como um “compressor” de ar natural.

Para a segunda geração, de 1970 a 1981, o Pontiac Firebird oferecia a enorme variedade de 12 opções de motores, quase todos V8, com até 345 cv. O ano-modelo de 1979 registrou as vendas mais fortes do modelo, com um total de 211.453 unidades saindo das concessionárias. Destaque para as versões ainda mais esportivas: Formula 400 e o antológico Trans Am (abaixo).

A terceira geração do Pontiac Firebird foi de 1981 a 1992, incorporou a questão do aumento dos custos de combustível em seu projeto e engenharia. Para isso, o peso foi reduzido, com apenas dois dos seis motores oferecidos sendo V8. O Pontiac Firebird se tornaria uma estrela da mídia, aparecendo em filmes como “Smokey and the Bandit” (“Agarra-me se puderes”) ou séries de TV como “Knight Rider” (“Super Máquina”).

Para a quarta geração em 1993 (acima), o Firebird veio com uma linha de motores ainda mais reduzida e com airbags duplos, caixa de direção hidráulica com pinhão e cremalheira e freios ABS como equipamentos de série.

Pontiac Grand Prix

O Pontiac Grand Prix atravessou oito gerações ao longo de quatro décadas, começando como um modelo de desempenho de alto nível em sua estreia, em 1962. Foi um dos dois muscle cars (o outro foi o GTO) desenvolvido com a supervisão de John DeLorean, tornando-se uma das linhas mais populares que a General Motors tinha para oferecer.

A primeira geração oferecia generosos detalhes de acabamentos em madeira e ar condicionado automático “Comfort Control” como opcional. Em 1969, o GP apresentava melhor desempenho ainda, evidenciado pela instrumentação e pelo motor 428V8 de alta potência, que entregava 390 cv.

A quarta geração de 1973 a 1977 foi a maior que o Grand Prix já teve, com a potência dos motores V8 inibida um pouco pelo peso dos novos para-choques, necessários por conta da legislação e, principalmente pelos sistemas de controle de emissões. A quinta geração, entre 1978 e 1987, foi a mais longa do GP, com seis opções de motor, incluindo um V8 a diesel.

Na sexta geração, em 1988, o Pontiac Grand Prix mudou para tração dianteira, enquanto reduzia a potência do V8, que não seria mais o mesmo até até a última geração, em 2005-2006 (acima).

Pontiac Bonneville

Se o GTO foi o primeiro muscle car oficial, ele foi precedido de maneira extra oficial pelo Bonneville em 1958, como um modelo de alto desempenho ee duas portas. A primeira geração do Bonneville vinha equipada com o estreante sistema de injeção de combustível da Pontiac, chegando a 310 cv.

Uma variedade de carrocerias de duas e quatro portas tornou-se disponível para a segunda geração do Bonneville, apresentando bitolas mais largas, que o tornou o melhor carro em curvas em do mercado na época. Claro que os padrões de estabilidade americanos eram outros… Para a terceira geração, até 376 cv estavam disponíveis a partir do motor 421V8 , superado apenas pelos 425 cv oferecidos na versão Super Duty.

O Pontiac Bonneville de quinta geração manteve o 455V8 da quarta geração, embora agora com apenas 250 cv, resultante de uma mudança nas medições de potência da indústria. Apesar de ter sido reduzido em tamanho, o modelo continuou a servir como modelo principal da marca, por meio de 10 opções de motor, embora isso marcasse o fim dos Pontiac V8. No entanto, a potência do V8 acabaria por regressar na 10a. décima geração do Pontiac Bonneville em 2000, com 275 cv e 30 mkgf de torque.

Pontiac Catalina

Ao contrário do posicionamento da linha Bonneville, o Pontiac Catalina fez parte da oferta mais jovem da marca, que durou de 1950 a 1981. Começou como um nível de acabamento para as linhas Pontiac Chieftain Series e Star Chief no início dos anos 1950, e se tornou um modelo independente em 1959.

O Pontiac Catalina tornou-se um muscle car no ano-modelo 1965, semelhante ao GTO, com um Super Duty 421V8 Tri-Power no compartimento do motor. Para 1971, a Pontiac introduziu o acabamento “Catalina Brougham”, que enfatizava o aumento do luxo em três estilos de carroceria, mas que não sobreviveu em 1973.

Os Pontiac V8 acabaram sendo banidos pela Califórnia em 1977 por não cumprirem os padrões estaduais de emissões de poluentes, e a própria Pontiac se afastou dos carros de grande porte como parte do downsizing da GM. Quando a produção do Pontiac Catalina terminou, em 1981, mais de 3,8 milhões de unidades haviam sido vendidas em mais de duas décadas.

Pontiac G8

O Pontiac G8 se destaca nesta lista como outro muscle car da Pontiac que não foi desenvolvido e montado em terras americanas; este foi um produto trazido da divisão australiana da GM, a Holden, e era o Commodore. Vendido de 2008 a 2009, estava entre os sedãs de quatro portas e tração traseira oferecidos pela Pontiac no novo milênio, após a descontinuada quinta geração do GTO.

Três opções de motores foram oferecidos, dois deles V8, e três níveis de acabamento. A potência máxima foi de 415 cv e 41,5 mkgf de torque, permitindo acelerar de zero a 100 km/h em 4,5 segundos. Infelizmente, as dificuldades financeiras da Pontiac e da própria GM significaram o fim do G8 após o ano-modelo de 2009, com a própria marca se desaparecendo em 2010.

Conclusão

A Pontiac pode ter sido superada por seus contemporâneos, mas suas inovações influenciaram tecnologias que ainda são encontradas nos modelos de muscle cars sobreviventes de hoje em dia. Do estilo distinto, seus modelos faziam cabeças virarem com a mesma facilidade com que seus carros contornavam curvas, e a potência exagerada dos seus motores V8 mostraram muita disposição nas pistas. Por isso, não é surpresa a forma como proprietários e entusiastas mantêm o” fogo” Pontiac, aceso mesmo com um antigo muscle car do passado.

A tecnologia da nossa era, na forma de mídias sociais, permite que eles se conectem e compartilhem livremente ideias e pontos de vista, além de encontrar peças e acessórios. Mais importante, as plataformas de compartilhamento de vídeo permitem que aqueles que só agora estão descobrindo o legado e história da Pontiac apreciem o lugar da marca na história do automóvel. A “musculatura” automotiva americana não teria sido a mesma sem as contribuições da Pontiac, que mantiveram seus rivais sempre ligados numa saudável concorrência. Algo pelo qual os fãs de muscle cars serão eternamente gratos.


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