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O MOTORAMA DA GENERAL MOTORS

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Motorama

Pode até parecer uma espécie de Salão do Automóvel, mas não é. O Motorama era um espetáculo realizado pela General Motors nos Estados Unidos entre 1949 e 1961, onde as atrações eram os carros. De linha ou de sonho. Chevrolet, Cadillac, Pontiac, Buick e Oldsmobile povoavam o imaginário das pessoas.

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E quando analisamos o período em que acontecia este evento, percebemos sua magnitude e importância na história do automóvel. Anos antes do primeiro show criado pela General Motors, Alfred P. Sloan -que foi um dos primeiros diretores da montadora- já discutia a idéia de um evento desse tipo nos restaurantes do Waldorf Astoria Hotel, em Nova Iorque. Lá, acontecia o “New York Auto Show”, sempre na primeira semana de janeiro.

Ao descrever o que viam, os freqüentadores, colaboradores e jornalistas especializados falavam sobre carros de sonho, carros experimentais e carros de teste (produzidos para perceber a reação do público), mas para a Chevrolet, este era um “evento para apresentar sonhos sobre rodas”. Foi assim que Harley Earl definiu o evento Motorama GM.

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Naquela época não existia a expressão concept cars (carros conceito), e as montadoras abusavam mesmo dos dekiciosos devaneios chamados de dream cars (carros de sonho). A diferença é que os carros conceito apresentam soluções, idéias ou tendências que quase sempre são apresentados em futuros lançamentos; já os dream cars mostravam até onde podia ir a imaginação dos desenhistas.

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A atração principal dos Motorama, claro, eram os veículos, mas simultaneamente aconteciam apresentações de filmes, exposições, cantores, músicos, mágicos e shows de vários artistas. E para que todos tivessem acesso ao espetáculo, o Motorama era itinerante. Foi configurado e começou em Nova Iorque, mas passou por Boston, Miami, San Francisco e Los Angeles.

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A cada evento, a GM percebeu que podia investir mais no projeto de seu próprio Salão, ao ver a espera e as grandes filas que o público formava para chegar perto e admirar os veículos de suas diversas marcas. Sem saber, a GM estava fazendo marketing viral.

A Estréia

Era um começo difícil. A indústria americana e a matéria-prima tinham sido focalizadas no esforço conjunto da II Guerra, e os países estavam se reerguendo. A indústria automobilística teve grande participação nesse recomeço, principalmente a GM.

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O primeiro Motorama aconteceu em 1949, en Nova Iorque e Boston. Era um ano decisivo e a indústria automotiva não podia cometer erros. Seus carros eram, na maioria, projetados antes da Guerra, e os bons lucros futuros dependiam do espetáculo. A GM preparou tudo nos mínimos detalhes. Havia sete Cadillacs exclusivos, incluindo uma série especial do cupê e outra de sedã, que receberam chassis inéditos. Eles ainda seriam exibidos em alguns países do Caribe e na embaixada americana.

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A imprensa especializada compareceu em grande número, assim como o público. Os ingressos em Nova Iorque e Boston, contabilizaram 591.971 pessoas.

1950

Prestes a completar meio século de produção, a Cadillac apresentou como grande destaque um conversível com banos revestidos de pele de leopardo, o que hoje seria politicamente incorreto. Além disso a marca exibiu uma série com 60 veículos sedãs especiais, e mostrou o Cadillac Eldorado, que entraria em produção de grande escala em 1953. O Motorama de 1950 teve público recorde em Nova Iorque: 320 mil pessoas.

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1953

Depois de uma parada de três anos, o Motorama retornou em 1953. Foi o ano em que a GM oficializou que o evento viajaria pelos Estados Unidos. Por isso, naquele ano, quase 1,5 milhões de pessoas compareceram ao espetáculo. Apenas no dia da abertura, que aconteceu em Nova Iorque, 45 mil pessoas estiveram presentes. O cerimonial contou com orquestra, bailarinos e cantores.

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 Vários modelos foram expostos, como Buick Wildcat, Pontiac La Parisienne, Oldsmobile Starfire, Chevrolet Corvette, Cadillac Orleans e Le Mans. Não é necessário ter comparecido ao evento para saber que o veículo que mais chamou a atenção foi o esportivo Corvette, lançado no Motorama.

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Foi a primeira vez que um carro americano foi totalmente produzido em fibra de vidro. E além do Corvette, os Wildcat, Le Mans e Starfire exibidos também tiveram as carrocerias feitas de fibra de vidro, o que permitiu que ganhassem estilo e desenho mais modernos, arrojados e aerodinâmicos.

 

1954

 O dia 21 de janeiro de 1954 marcou a abertura de mais um Motorama. Novamente uma orquestra estava presente, acompanhada por um coral, que fazia fundo musical para seis shows diferentes. Mas o grande diferencial daquele foi a Chevrolet ter contratado personalidades da moda e vários atores do elenco da Broadway para apresentarem os novos veículos.

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 Em exposição estavam o experimental Oldsmobile Cutlass F88, Buick Wildcat II, Chevrolet wagon Nomad, Pontiac Bonneville Special, Cadillac El Camino, Cadillac La Espada e Cadillac Park Avenue, estes últimos feitos de fibra de vidro. O destaque do Motorama de 1954 foi um carro totalmente novo e experimental, movido por turbina a gás, o XP 21 Firebird.

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 Mais de 1,9 milhões de visitantes assistiram à exposição em 1954, que começou em 26 de janeiro no Waldorf Astoria Hotel.

1955

O Motorama ganhou tanta notoriedade que a atração de 1955 teve a abertura apresentada em um especial na rede de tv CBS. Quando as cortinas se abriram, mais de 80 toneladas em carros foram vistas em cima do palco, entre eles o Buick Wildcat III, Chevrolet Bel Air Nomad, Cadillac LaSalle II Roadster e sedã e o Cadillac Eldorado Brougham.

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O evento permaneceu em Nova Iorque de 20 e 25 janeiro, e depois foi para Miami (5 a 13 de fevereiro), ficou em Los Angeles (5 a 13 de março), esteve em San Francisco (de 26 março até 3 abril), até chegar a Boston (23 abril a 1 maio).

 

1956

Para muitos fãs de automóveis que viveram aquela época, o Motorama de 1956 é o preferido. Não se trata apenas da exibição futurista que a GM desenvolveu ou a exibição do Firebird II. Além de outra opção de carro com turbina ter surgido, cinco novos “dream cars” nasceram ali.

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Porém, o que torna o Motorama de 1956 especial para muitos (se não para a grande maioria), é o fato que a Chevrolet apresentou ao público o que se tornaria um mito entre os carros americanos: o Impala. A GM gastou US$ 10 milhões (cerca de US$ 80 milhões em valores atualizados) para promover esta edição do Motorama, o que está longe de ser um pequeno investimento, mesmo para uma das maiores e bem sucedidas empresas do mundo.

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Outros veículos também merecem destaque, como o Oldsmobile Golden Rocket, Pontiac de Mer, Buick Centurion e Cadillac Brougham. O show ainda teve 63 exposições e 26 carros de produção, que ocuparam os 26 mil m2 de espaço do salão, além de salas vizinhas.

A turnê do Motorama de 1956 teve cinco dias de shows em cada uma das cinco cidades por onde passou, ao longo de quatro meses, dando trabalho para centenas de atores, cantores, músicos, técnicos e produtores, com material transportado em 125 carretas.

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Mas o retorno do investimento foi visto no público. Crescendo a cada evento, em 1956 o Motorama quebrou todos os recordes de visitantes: 2,2 milhões de pessoas compareceram.

Pausa

Estrategicamente, a GM interrompeu a seqüência do Motorama, e nos anos de 1957 e 1958 não aconteceram os shows, o que causou certo alvoroço no público e na imprensa especializada. Se o evento fazia cada vez mais sucesso, porque interromper ?

Para a montadora, aquele hiato serviria para atrair ainda mais atenção para a marca e mexer com a opinião pública. O que será que estão desenvolvendo? Qual será o grande lançamento? E por isso o próximo Motorama faria mais sucesso que todos os outros juntos.

Mas para que a concorrência não conquistasse o público da GM, a montadora inovou, e enquanto o Motorama não voltava às suas atividades, vários carros eram expostos em diferentes locais. A Cadillac, por exemplo, deixou o Eldorado Brougham exposto nas cinco cidades que o Motorama tinha passado em 1956. Depois, em 1958, um Cadillac conversível, chamado de Eldorado Biarritz, mostrou toda a evolução e tecnologia da marca.

O carro era equipado com sensor de chuva, por exemplo, a grande noviidade. Um sensor detectava a presença de água e levantava automaticamente a capota e todos os vidros das janelas. Foi um alvoroço.

 1959

 No ano que marcava o retorno do Motorama, a GM decidiu impressionar com robótica. Batizados de “grass-hoppers”, gigantescos braços mecânicos seguravam e moviam os carros sobre os palcos. A multidão delirava quando os braços mecânicos, sem o menor esforço, levantavam e aproximavam da platéia os cinco “dream cars” apresentados pela Chevrolet.

 A atração principal no show foi a terceira geração do Firebird III, carro com turbina a gás. Foi o único “dream car” do evento exibido em uma plataforma rotativa em frente ao palco principal. O Cadillac Cyclone também recebeu muita atenção do público.

1961

 Três cidades foram escolhidas e receberam o último Motorama: Nova Iorque, San Francisco e Los Angeles. Apenas nestes três lugares, mais de um milhão de pessoas compareceram ao evento, que viram os mesmos carros futuristas de sempre, com muitas novidades estéticas e várias opções de cores.

Foram necessários mais de 100 caminhões para transportar todo o material, carros e plataformas. “A Touch of Magic” foi o filme oficial do encerramento do Motorama 1961, o último de todos os grandes shows organizados pela GM.

O total de 10,5 milhões de visitantes estiveram no Motorama entre 1949 e 1961. Até hoje a GM não explicou a razão para que o evento não fosse realizado novamente. Custos? Mudança de estratégia? Se hoje em dia existem diversos Salões do Automóvel espalhados pelo mundo, os admiradores da marca ainda sonham com um evento onde estejam apenas com os veículos do grupo GM. Como seria a primeira edição do Motorama GM no século XXI???

 

 

 


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