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Quem lembra do Volvo 3CC 2005, conceito elétrico e de três lugares?

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Parece que foi outro dia, mas lá se vão quase 20 anos. Em 2005, exatos 19 anos atrás, a Volvo se posicionava sobre como imaginava que utilizaremos os nossos automóveis no futuro, com o seu protótipo 3CC sendo apresentado ao público europeu pela primeira vez, no Salão Automóvel de Genebra daquele ano. O caminho imaginado estava certo, pois o carro não estava muito distante dos elétricos que vemos hoje nas ruas.

Por fora, o Volvo 3CC tinha um formato cônico diferenciado, projeto que inspirou dois anos depois o C30, em termos visuais. Sob o capô tinha um powertrain elétrico, que impulsionava de maneira silenciosa o 3CC até a velocidade máxima limitada pouco acima dos 135 km/h (85 mph) e proporcionava aceleração de zero a 100 km/h (62 mph) em aproximadamente 19 segundos. E com zero emissões!

Com apenas 3899 mm de comprimento, 1624 mm de largura e 1321 mm de altura (52,0 polegadas), o Volvo 3CC tinha dimensões semelhantes às de um carro esportivo da época, de dois lugares. Mas é aí que as semelhanças acabam. O esportivo da Volvo trazia uma surpresa: a configuração interna 2+1, proporcionando bancos dois adultos na frente e uma solução única no banco traseiro -mais estreito- para um adulto adicional ou duas crianças.


Esta configuração de três lugares oferecia uma experiência única no que diz respeito à comunicação entre os ocupantes, conforto sem precedentes para os ocupantes traseiros e visibilidade panorâmica para todos os passageiros. “Com o 3CC, a Volvo é pioneira numa nova forma de encarar a mobilidade, para que as gerações futuras possam desfrutar das mesmas liberdades que o automóvel proporcionou à minha geração. Acreditamos que é necessário mostrar novas formas de ajudar a reduzir a poluição e o congestionamento”, afirmou na época Lars Erik Lundin, então vice-presidente e gerente geral do Volvo Monitoring and Concept Center.

O 3CC foi uma criação dos desenhistas, engenheiros e empresários do grupo Volvo Monitoring and Concept Center, que ficava na Califórnia. A sua tarefa era criar um “conceito preparado para o futuro” que melhorasse a mobilidade sustentável. Um automóvel não só econômico em termos de consumo de combustível, versátil, confortável e seguro, mas também emocionante de conduzir e de olhar.

Apesar de ser compacto, o Volvo 3CC foi concebido para parecer espaçoso, por meio de linhas muito limpas orgânicas e cores claras. No interior, a ergonomia criava uma sensação de amplitude, auxiliada por três painéis transparentes no teto. À medida que as portas se abriam girando para cima, um painel de instrumentos flutuante deslizava para a frente, para facilitar a entrada e saída dos ocupantes. Um sistema exclusivo de banco deslizante também auxilia no acesso e saída do banco traseiro. Os pedais também se ajustavam às necessidades individuais.

Mas o objetivo da Volvo não era apenas fazer com que o 3CC tivesse boa aparência; eles também queriam cumprir as necessidades gerais de mobilidade sustentável, oferecendo excelente eficiência. A Volvo alcançou esse objetivo por meio de boa aerodinâmica em um formato compacto (o que não é fácil), materiais de carroceria leves e powertrain elétrico.

A Volvo optou por dar ao Volvo 3CC uma estrutura de aço de alta resistência e painéis de piso tipo “sanduíche”, para garantir segurança e leveza. A carroceria era de fibra de carbono. A rigidez do chassis resultante e a sua suspensão inovadora também conferiam ao carro excelentes características de manobrabilidade.

“O piso duplo utilizado para abrigar as baterias torna o conceito à prova de futuro, pois o layout pode ser adaptado para o powertrain mais adequado no futuro, seja ele a gasolina, diesel, biogás ou elétrico híbrido”, explicou Ichiro Sugioka, então Diretor Científico do VMCC na Califórnia. “Aqui, estamos demonstrando o trem de força elétrico, um dos mais desafiadores para incorporar em um veículo, para destacar seu potencial onde há abundância de energia renovável que pode ser convertida em eletricidade”.

Testes meticulosos em túnel de vento resultaram em eficiência aerodinâmica aprimorada, 30% melhor que a do então novo sedã S40. Com autonomia potencial de mais de 300 km (180 milhas) em determinadas condições de condução, a relação torque/peso é comparável à do potente modelo T5, mas disponível entre 0–3500 rpm.

Este desempenho é conseguido graças à transmissão especificamente concebida para o 3CC, embora também fosse um protótipo. A fonte de energia era um motor de 80 kW, que fornecia torque de 22 mkgf continuamente em rotações mais baixas, para aceleração rápida. A potência máxima de 107 cv era entregue até 12.000 rpm. O motor também podia ser utilizado para frear o carro (com torque de 11 mkgf. Durante a frenagem, a energia era utilizada para recarregar as baterias, aumentando assim a autonomia de condução. Até 20% da energia podia ser recuperada através da frenagem regenerativa.

A energia elétrica vinha de baterias de lítio, idênticas às usadas em laptops, acondicionadas em um fino piso tipo “sanduíche”. 3.000 células eram combinadas para fornecer entre 330 e 420 volts em até 250 amperes. As baterias podiam ser carregadas em qualquer tomada de 110–240 volts, 50–60 Hz CA. A carga era controlada pelo mesmo gerenciador que controlava o motor. O motor pesava 50 kg e a unidade eletrônica de potência mais 30 kg. Ambas as unidades eram resfriadas com ventiladores.

Com tração dianteira, o 3CC tinha suspensão dianteira e traseira de duplo braço. A suspensão dianteira incluía amortecedores ajustáveis ​​montados horizontalmente, que permitiam linha de capô baixa. A suspensão traseira usava amortecedores ajustáveis ​​montados verticalmente. Devido ao peso leve do veículo e à potência da frenagem elétrica regenerativa, os freios não assistidos proporcionavam um bom poder de frenagem. O 3CC usava pneus Michelin Pilot Sport 215/45 ZR18, que normalmente eram encontrados em carros esportivos de maior desempenho.

O interior do Volvo 3CC oferecia posicionamento ergonômico tanto para o motorista como para o passageiro dianteiro. Soluções exclusivas incluiam a substituição dos botões do painel por sensores de proximidade que eram ativados por um dedo conforme chegasse a 5 mm de distância, para ajustar as luzes, climatização e sistema de áudio.

“Em vez de refinar os carros e tecnologias existentes para novos mercados, a Volvo ouviu, questionou e especulou sobre o futuro e desenvolveu este conceito totalmente novo”, afirmou Lex Kerssemakers, que era o vice-presidente de marca, produto e estratégia empresarial da Volvo. “Acreditamos que o 3CC abre uma porta para esse futuro e garanto que iremos desenvolver ainda mais o conceito”.

Desnecessário dizer que este protótipo nunca entrou em produção, e foi necessário esperar até 2019 para ver o primeiro Volvo totalmente elétrico deixar a linha de montagem, o XC40 Recharge, que foi seguido, pouco depois, pelo C40 Recharge.


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