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TEST DRIVE: Peugeot 208 Griffe 1.6

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O Peugeot 208 foi lançado em 2020 e logo chamou atenção pelo visual e pelo salto de qualidade, mesmo ainda usando o veterano motor 1.6 aspirado. Além disso, custava mais caro que seus concorrentes diretos, em especial Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Volkswagen Polo. Era uma estratégia errada da marca, que se justificava apenas pela longa lista de equipamentos e acessórios. Como o Brasil é um país que compra pelo preço, e não pela qualidade, claro que não deu certo e as vendas eram muito baixas. Isso continuou por 2021 (ele vendia menos de 1000 unidades/mês), até que veio a fusão do Grupo PSA (Peugeot Citroën) com a Fiat e outras marcas, que resultou na Stellantis. E tudo mudou.

por Ricardo Caruso

A primeira providência foi recalibrar as suspensões, e logo depois a nova empresa tratou de alterar o posicionamento do carro dentro das novas estrategeias das marcas do Grupo. Com isso, o 208 melhorou e ficou mais barato, ganhando espaço até então inimaginável no mercado brasileiro, com menos versões e preços mais controlados. Contornada a questão de preços, logo ele começou a surgir nas listas de carros mais vendidos e a Peugeot voltou a seduzir clientes. O carro atrai pelo desenho, muito bem aplicado, e na versão que avaliamos, 1.6 Griffe, chamou atenção por onde passou, graças à sua cor Azul Quasar, realmente perfeita para o modelo, e suas luzes dianteiras verticais daylight com justiça batizadas de “dentes de sabre”, em alusão ao extinto carnívoro. A marca do leão com os dentes do extinto tigre. E não é que deu certo?

Aliás, o motor 1.6 está dando adeus, e será substituído na linha 2023 pelos Firefly Fiat,1.0 Turbo GE Flex e 1.3. Com isso, o hatch vai dar um outro passo adiante para se tornar mais econômico e ter melhor desempenho. Com o 1.6, o 208 roda sempre suave e silencioso, com seus 118 cv de potência máxima a 5.750 rpm e 15,4 mkgf de torque máxima a 4.000 rpm, no etanol. É um velho conhecido, de manutenção muito simples. Não decepciona, mas começa a perder para os concorrentes turbo. Para fazer o 0-100 km/h, precisa de pouco mais de 12 segundos, com 190 km/h de final. O consumo também começou a sofrer. Marcamos 7,9 km/litro na cidade e 11 km/litro na estrada, que hoje em dia não é exatamente o ideal, um pouco pior do que a concorrência. O câmbio é automático de seis marchas da Aisin, de funcionamento irrepreensível.

Se por fora ele agrada, por dentro não foge à regra, transpirando modernidade. Tudo é bem desenhado e pensado, com materiais de qualidade e quase isento daquele apanhado de botões que mais atrapalham do que ajudam. Há uma fileira de botões ao centro do painel, abaixo das saídas de ar. Mas (sempre existe um “mas”…) os comandos do ar-condicionado estão sendo feitos entre esse teclado e a tela do multimídia, o que gera certa confusão.

São usadas duas telas no painel. Uma central de 7 polegadas para a central multimídia, “flutuante” e já aplicada em outros carros da marca, mas sem interface para Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A outra tela, ainda mais interessante, é usada para o painel de instrumentos, com efeito 3D alcançado pelo uso duas telas sobrepostas, que criam a projeção de imagens entre elas. É o melhor conjunto de instrumentos do segmento.

Os instrumentos são posicionados acima do volante, numa solução interessante, mas que exige alguma ginástica para encontrar os ajustes corretos de banco e volante. Mas depois que se consegue, tudo fica tranquilo. Os bancos, aliás, são realmente bonitos e com desenho esportivo. O volante é pequeno, multifunções e de excelente “pega”.

Outro exemplo de requinte são os faróis são full-led, com sistema de nivelamento automático do facho, útil para não ofuscar outros motoristas ao passar por lombadas ou valetas, por exemplo. Tem ainda frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão e assistente de permanência na faixa. E mais: acendimento automático de faróis, câmera de ré, sensor de chuva, carregador sem fio para celular, partida no botão, teto solar panorâmico, rodas aro 16 com pneus 195/55, direção com assistência elétrica e discos ventilados na frente (com tambores atras). Em termos de dimensões, tem 4,05 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,45 m de altura e entre-eixos de 2,53 m

E o 2087 1.6 ainda vale a pena? Como todos os carros ficaram muito caros no Brasil, o Peugeot 208 Griffe é uma boa escolha entre as versões top de linha dos hatches pequenos. Seu preço de R$ 113 mil está agora na mesma faixa dos demais carros deste segmento. Pode ser até interessante aguardar alguns dias para poder comprar o hatch francês feito na Argentina com motores Fiat, mas o preço poderá ser uma surpresa não muito agradável.


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