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TESTE: Fiat Strada T200 Ultra

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A Fiat Strada foi o carro nacional mais vendido de 2023. Isso significa que, dos 2,17 milhões de veículos leves vendidos no Brasil no ano passado -crescimento de 11,3% comparado com 2022, de acordo com a Fenabrave-, a picape teve 120.599 unidades emplacadas. Foi em 2021 que a Strada se tornou a primeira picape a dominar o ranking anual de vendas no Brasil, lugar que historicamente só era frequentado por modelos hatch, como Chevrolet Onix e VW Gol. E ali se manteve em 2022 e 2023, transformando-se numa referência do mercado.

Lançada em outubro de 1998, a Fiat Strada acabou de completar 25 anos de existência. Em agosto do ano passado, a picape desenvolvida e fabricada em Betim, MG, ultrapassou a marca de 400 mil unidades produzidas e apresentou a sua linha 2024. A principal novidade foi o motor 1.0 Turbo 200 Flex, que a tornou a primeira picape compacta turbo flex no mundo. Sempre acoplado ao câmbio CVT de sete marchas simuladas, o motor turbo estreou nas versões mais caras da picape, a Ranch e a inédita Ultra, ambas R$ 132.990. Para quem tem dúvidas, a Strada é montada na plataforma MPP da Stellantis, diferente do Pulse e Fastback, que usam a plataforma MLA.

por Ricardo Caruso

 AUTO&TÉCNICA avaliou a nova versão Ultra. O fato de ter cinco versões cobrindo um bom espectro do mercado onde atua, sem dúvida é um dos fatores que explicam o sucesso da Strada. As versões disponíveis são Endurance, Freedom, Volcano, Ranch e Ultra, em sete configurações. Ranch e Ultra tem o mesmo preço, a primeira voltada para uso no fora de estrada leve, e a Ultra avaliada tem uma pegada mais esportiva. Confira!

A versão Ultra, assim coma a Ranch, são as primeiras picapes compactas turbo flex do mundo. O motor 1.0 Turbo 200 Flex não é novidade, pois estreou há cerca de dois anos com o SUV Fiat Pulse e está presente no Fiat Fastback 2024 e no Peugeot 208. Trata-se de um três cilindros -motores amados por uns e odiados por outros- mas que está dentro da tendência mundial de downsizing, ou seja, motores cada vez menores e mais leves, mas potentes o suficiente para não passar vergonha.

Esse 1.0 é equipado com um turbocompressor BorgWarner com válvula de alívio eletrônica, que se ajusta rapidamente às exigências do acelerador, e traz ainda injeção direta e o sistema MultiAir III, recurso eletro-hidráulico que faz o controle das válvulas de admissão e ajuda a manter o desempenho sem afetar o consumo de combustível. A potência máxima é de 130 cv com etanol (125 cv com gasolina) e torque máximo de 200 Nm (este é o “200” do sobrenome…) ou 20,4 mkgf, desde as 1750 rpm. Este motor permite que a Strada Ultra acelere de zero a 100 km/h em 9,5 segundos, de acordo com a Fiat, sendo a mais rápida neste quesito entre as concorrentes.


A Strada Ultra ganhou visual mais agressivo e esportivo, mas sem exageros. O destaque o novo para-choque dianteiro, com faróis de neblina em LEDs e uma grade hexagonal com superfície em “colmeia”. O conjunto de faróis ficou mais afilado e o skidplate (acabamento que fica na parte inferior do pára-choque) também é novidade. Ela se diferencia da Ranch pelo friso vermelho no pára-choque. As rodas são de liga leve, aro 16, com acabamento diamantado e pintura escura.

Além disso, na Ultra o acabamento é em grafite na borda superior da grade, no skidplate e nas molduras das luzes de neblina. Na traseira, nada de novo, e apenas os logotipos “Turbo 200” e “Ultra” ou “Ranch” identificam as duas versões de maior potência.

No interior, volante com base levemente achatada e o grande logo da Fiat ao centro, muti-funcional e com o botão vermelho que aciona ou desativa o modo “Sport” de condução. Há paddle shifts por trás, para as trocas de marcha manuais. Os bancos são revestidos de material sintético que imita couro (não é permitida a expressão “couro sintético”, simplesmente porque não existe couro sintético nem vaca plástica)… Os revestimentos internos são na cor preta, com pespontos vermelhos nos bancos e volante; o banco do motorista conta com regulagem e tem apoio central dobrável para o braço. Bom espaço e conforto para quatro ocupantes.

O painel de instrumentos apresenta o grupo de mostradores analógicos, com um conta-giros pequeno na esquerda, marcador de nível de combustível na direita e um grande velocímetro central, tudo de fácil leitura. Uma telinha digital central exibe as funções do computador de bordo e dados diversos, como temperatura do motor e pressão do turbo.

Destaque para o sistema multimídia Uconnect 7, com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay (a tela touchscreen é de apenas 7 polegadas, algo pequena em relação aos veículos mais atuais, com verdadeiros tablets cumprindo essa função). O condicionado de ar é digital e automático e o carregador sem fio para smartphones. O volante tem regulagem de altura do volante, mas sentimos falta do ajuste de distância. A picape também tem câmera de ré, sensor de estacionamento e retrovisor direito com tilt down.

Algo que a Stellantis poderia rever são os porta-objetos internos, que são limitados e pouco práticos.

Entre os equipamentos de série que formamo o conteúdo da Ultra, há controles de estabilidade e de tração, direção elétrica progressiva, quatro airbags, conjunto de faróis full LED, vidros elétricos nas quatro portas com função one touch, carregador de celular por indução, computador de bordo, entradas USB-A e capota marítima na caçamba. Isso torna a picape uma opção atraente para quem procura um veículo bem equipado. A Ultra oferece acessórios Mopar, como extensor e rampa para a caçamba, organizador, estribos e “santoantonios”

A Fiat Strada traz ainda o útil sistema “Hill Holder”, que aciona o freio automaticamente por dois segundos ao sair em ladeiras e em manobras de ré. Também interessante é o TC+ (Traction Control PLus), que controla de maneira eletrônica o eixo de tração em situações mais tranquilas de off-road, freando a roda que tiver menos tração e proporcionando maior aderência em terrenos ruins. Sentimos falta também do “piloto automático”.

Na parte mecânica, a direção de assistência elétrica foi recalibrada e ficou mais pesada em alta velocidade, necessário para um carro que ficou 20% mais potente. Freios e suspensões também ganharam ajustes para a nova realidade que vivenciarão. Assim, com essas mudanças, a Strada Ultra se mostrou estável e segura, mesmo em alta velocidade e curvas mais fechadas, sem abrir mão do conforto.

Nas nossas medições, o consumo na cidade foi de 11,8 km/litro de gasolina e 8,3 km/l etanol; em rodovias, ficamos em 13 km/l de gasolina e 9,1 km/l de etanol. Interessante notar que, ao acionar o modo Sport, o motorista percebe toda a disposição do motor, com a potência disponível permitindo boas retomadas, o que significa segurança nas ultrapassagens. O modo Sport coloca o motor em giros mais altos

A caçamba da Strada, que é cabine dupla, tem 844 litros de capacidade e 650 kg de limite de peso, números bons numa picape pequena. Conta com quatro ganchos inferiores e seis superiores de fixação, o que facilita a arrumação para o transporte de cargas. A capacidade da Strada Ultra de reboque é de 400 kg. Os ângulos de entrada e saída são de 23 e 29 graus, respectivamente.

CONCLUSÂO

A versão Ultra, top de linha da Strada 2024 ficou realmente interessante com o novo motor turbo, com mais torque e potentes, o que torna a direção mais prazerosa e facilita o uso do veículo na estrada e na cidade. É uma picape bonita, bem equipada, confortável e que apresenta alguma valentia em uso mais esportivo

O veículo é confortável dentro de sua proposta, e oferece bom consumo e acelerações divertidas são grandes. Os pouco inconvenientes, como port-objetos que deixam a desejar, ausência de “piloto automático” e falta de regulagem de profundidade do volante são coisas simples da Stellantis resolver.

O preço, de R$ 132.990, está longe de ser barato, mas qual carro é barato hoje no Brasil? É uma boa relação custo/benefício pela potência, desempenho, estilo e conforto da Strada. Impossível não se apaixonar pela Strada Ultra, com toda a versatilidade que oferece.


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