1953: O AEROCAR ARGENTINO

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Em 1953, na Argentina peronista, muitos devaneios sobre rodas foram apresentados. Um dos mais curiosos era o Aerocar, carro movido a hélice traseira, criado pelo búlgaro Eugene Grosovich e pelo argentino Juan Franco Hrieei. A base era um robusto chassi de longarinas e travessas, com 1,6 mm de largura de perfil.

As suspensões eram independentes nas quatro rodas, com paralelogramas. A “mola” de cada roda era de fricção, formada por nove aros de borracha, separadas entre si por oito discos de aço de 1 mm de espessura. Estes cilindros eram fixados na parte superior do chassi e a parte inferior do paralelograma.

A carroceria, com pretensões aerodinâmicas, se parecia com o Tatra, e tinha interior bastante amplo, com dois bancos que podiam acomodar até seis ocupantes. Na dianteira ficava o tanque de gasolina e o estepe.

O Aerocar usava o tradicional motor Chevrolet de seis cilindros em linha, de 90 cv, montado sobre o eixo traseiro. A potência era transmitida para a hélice por meio de seis correias de perfil trapezoidal paralelas. A hélice, de duas pás, não tinha nenhum tipo de proteção, com passo de nove graus e media 1,5 metro de ponta a ponta. Um convite a arrancar a cabeça de qualquer argentino mais entusiasmado que se aproximasse demais. Criar uma proteção para a hélice seria
muito simples.

Como em todas as tentativas de carros acionados por hélices, a aceleração era ruim, e por falta de reações rápidas, não se adaptava ao trânsito urbano. Demorava para chegar aos 60 km/h e, daí por diante, disparava até os 160 km/h. Nas curvas, a boa construção do chassi e das suspensões surpreendia pela estabilidade.

Os especialistas diziam que, se usasse hélice de três pás com passo variável, melhoraria o desempenho e, invertendo o ângulo das pás, conseguiria um efeito de frenagem melhor, como um reverso dos motores a jato. Pesando pouco menos de 1000 kg, os freios a tambor eram suficientes.

Diz a lenda que a Chrysler Corporation na época demonstrou interesse em comprar a patente, mas isso nunca se concretizou. Tempos depois a hélice foi retirada, e os contsrutores adaptaram no Aerocar uma caixa de câmbio, diferencial e semi-eixos, e ele passou a ser usado como um carro normal. Mais adiantes, como tantas outras coisas interessantes, desapareceu…


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