A HISTÓRIA DA CHRYSLER NA ARGENTINA

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Imagen obtenida de www.argentochrysler.com.ar

A história da Chrysler na Argentina é bem mais antiga, mas não menos tumultuada, que no Brasil. Em 1910, Julio Fevre fundou a Julio Fevre y Cía., empresa dedicada à importação de carros das marcas francesas Mors, Aries, Delage e Berliet. Seis anos mais tarde, obteve a representação exclusiva na Argentina da Dodge Brothers, e iniciou a importação de automóveis e comerciais Dodge. A marca já era a terceira em importância nos Estados Unidos, e teve grande aceitação no mercado argentino.

Inicialmente, os modelos importados eram o Sedán, Automóvil de Turismo e um utilitário, o Automóvil Comercial Enrejado. Até 1927 a lista cresceu com os modelos Doble Pheaton Standard y Especial, Voiturette Sport, Doble Pheaton Standard, Sedán Especial, Sedán de Lujo, Sedán Señor, Cupé Especial e Cabriolet Señor, denominações que recebeu no país vizinho.

Por outro lado, em 1927, a Resta Hermanos, empresa de capital totalmente argentino, obteve da Chrysler Corporation a autorização para representar a marca na Argentina. No “X Salón del Automóvil”, em dezembro daquele ano, apresentou a linha de modelos, composta pelos “72”, “8 Cilindros”, “Imperial 80” e “Gran 62”.

PALÁCIO CHRYSLER

Em 1º. de dezembro de 1928, a empresa inaugurou oficialmente um impressionante edifício construído especialmente para exposição e vendas de veículos Chrysler, na atual Avenida Figueroa Alcorta 3300, em pleno bairro de Palermo Chico.

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O local logo foi batizado de “Palácio Chrysler” e ocupava um quarteirão, com amplo show-room que tomava toda a frente do imóvel. Na parte de trás ficavam os escritórios e oficinas de montagem e fabricação de peças de reposição. No primeiro andar ficavam os locais de pintura e acabamento, e depósito dos carros prontos para entrega.

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A pista de testes, no alto do Palácio.

Sem dúvida, o que mais chamava atenção no edifício era a impressionante pista de testes, circular e com curvas inclinadas, montada no teto do prédio, a primeira e única de toda América Latina. A pista era chamada de “Estádio Olimpo”, e tinha como principal finalidade realizar os últimos testes das unidades terminadas, porém era também lugar de reuniões sociais e esportivas. Tinha 1.730 metros comprimento e tribunas com capacidade para 3.000 espectadores.

Depois, o palácio passou para as mãos do Comando de Arsenales del Ejército e foi sede do Registro Nacional de Armas. Em 1994 foi reformado e se transformou em luxuoso edifício residencial, rebatizado de Palacio Alcorta. A construção original foi obra de Mario Palanti, famoso arquiteto italiano que viveu entre 1885 e 1979. Chegou à Argentina em 1909 e seu talento está gravado em muitos dos edifícios que desenhou. O mais famoso é o Palacio Barolo, na Avenida de Mayo, mas isso é outra história.

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O Palácio hoje: apartamentos de luxo.

En 1928, Diego Basset se associou à Fevre, e mudou seu nome para Fevre y Basset. Pouco tempo depois, em 1931, adquiriu a Resta Hermanos, distribuidora dos Chrysler.

MONTAGEM

Em 1932 começou a montagem de autos e caminhões, no Palácio Chrysler. Dois anos depois, a empresa mudou de nome mais uma vez, passando a se chamar Fevre y Basset Limitada S.A.I.C., e manteve a produção e importação dos modelos Chrysler, Plymouth, Dodge e pickups e caminhões Fargo.

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Em pouco tempo, as vendas triplicaram e, em 1937, o vice-presidente de Chrysler Corporation, W. Leyland Mitchell, visitou a Argentina, o que foi um empurrão no futuro da empresa e na indústria automobilística local. Este crescimento foi interrompido com o começo da II Guerra, por causa da falta de matéria-prima.

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Valiant V200.

Ao mesmo tempo, a fábrica ficou “travada” por causa da urbanização que aconteceu ao seu redor. Entre 1948 e 1950, a  empresa construiu sua nova fábrica num terreno de 38 hectares, em San Justo. Foi feita a mudança das instalações e equipamentos do Palácio Chrysler, para colocar em funcionamento a fábrica.

Dodge GTX Coupe 1976

Apesar do esforço, a produção ficou dificultada por uma série de restrições à importação de matérias-primas, e por quase cinco anos ficou praticamente paralisada. Em 1957 e durante curto período, foram produzidos em San Justo os caminhões médios Krupp e poucas unidades do Fusca. Quase uma premonição do que iria ocorrer 30 anos depois, lá e no Brasil.

PICKUPS E CAMINHÕES

Os primeiros Chrysler argentinos foram a pickup D-100 e o caminhão D-400, lançados em 1960. Ambos estavam equipados com motores e câmbios produzidos localmente. Em paralelo, avançavam os trabalhos para o lançamento do primeiro carro, que chegou em 1962. Era o Valiant V200, um compacto de origem norte-americana. Naquele ano foram fabricados 4.500 carros e 5.500 utilitários.

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Ao mesmo tempo, começou a fabricação de caixas de câmbio, destinadas a veículos próprios e também para terceiros. Entre 1962 e 1964 foram feitas 27.000 transmissões. Equipado com o motor Slant Six de 3.687 cm3, o Valiant V200 teve as versões II em 1963, III em 1964 e IV em 1965, com evoluções em sua motorização e mudanças na carroceria. Aos poucos, as linhas de pickups e caminhões também foram melhoradas. Vendidos com as marcas Dodge, Fargo e De Soto, tinham diversas opções de motores, equipamentos e capacidade de carga.

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Em 29 de novembro de 1965, a empresa se transformou na Chrysler Fevre Argentina S.A.I.C.. A fábrica de San Justo ocupava 100 mil m2, e tinha setores de estamparia, motores, transmissão, pintura e montagem. O número de funcionários era de 3.000 pessoas. Ainda em 1965, comprou uma fábrica que havia pertencido à desaparecida Siam Di Tella, em Monte Chingolo, que recebeu a linha de montagem dos caminhões e pickups.

A ERA DODGE

A linha Valiant foi substituída por completo em 1969, com o lançamento de um carro maior, baseado no Dodge Dart americano, diferente do Dart brasileiro. Em 1971, com a produção do Dodge 1500 (o nosso “Dodginho”), a Chrysler foi a primeira empresa norte-americana a lançar no mercado argentino um carro médio.

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Dodge 1500.

Durante a década de 1970 manteve a produção de caminhões e pickups; a linha Dodge ganhou o modelo cupê em 1971 e, em 1978 o Dodge 1500 ganhou atualização, incluindo um modelo wagon. No começo de 1978, a produção total de Chrysler Fevre Argentina havia superado as 295.111 unidades.

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Dodge 1500 Rural.

Em 1979, como havia acontecido no Brasil, foi anunciada a venda da empresa para a Volkswagen, que se concretizou em 5 de maio de 1980 com a constituição da Volkswagen Argentina S.A. Fora o Dodge 1500, que passou a se chamar VW 1500, toda a linha Dodge foi descontinuada.

O REGRESSO

Em 1996 foi anunciado o regresso da Chrysler à Argentina. Com investimento de US$ 170 milhões, foi erguida em Ferreyra, Córdoba, uma fábrica destinada à produção dos Jeep Grand Cherokee e Cherokee. A fábrica foi inaugurada em 1997, mas ficou ativa por pouco tempo, até acontecer a fusão internacional da Mercedes Benz com a Chrysler, e posterior criação da Daimler-Chrysler Argentina.

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Esportividade em 1976.

Em janeiro de 2008, a partir da separação com a Mercedes- Benz, a empresa passou a se chamar Chrysler Argentina S.R.L., representante das marcas Chrysler, Jeep e Dodge. Agora que a Fiat assumiu o controle da Chrysler, é possível que mais um capítulo da história da marca na Argentina seja escrito.

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