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Bielas feitas de fibra de carbono já são possíveis

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A Naimo Composites, uma start-up que desenvolve peças de alto desempenho para automóveis, anunciou aquilo que muitos pensavam ser impossível: a aplicação de fibra de carbono em componentes internos de motores a combustão, no caso, bielas.

Foi por isso que Chris Naimo criou a Naimo Composites, start-up 100% dedicada ao desenvolvimento de peças em materiais sintéticos. “A minha ideia original era produzir pistões em carbono-cerâmica. Algo que já havia sido tentado sem sucesso. Enquanto amadurecia essa ideia, lembrei-me das bielas, elementos menos complexo e, por isso, mais viáveis de produzir”.

O resultado é aquele que se espera de um componente de engenharia de ponta. Além de cumprir a função de conectar os pistões ao virabrequim, é um elemento de elevada beleza. Tão belo que não merecia ficar escondida no interior de um motor.

Os trabalhos e pesquisas da Lamborghini no que diz respeito ao desenvolvimento de componentes em carbono não são de hoje. No que diz respeito a componentes em carbono para motores, a Lamborghini também já tentou e não conseguiu.

“Quando começamos a projetar a nossa biela, não tínhamos 100% certeza de que era possível, mas quando começamos a analisar as possibilidades, chegamos à conclusão que era um conceito razoável”, explicou Chris Naimo.

Até agora, o grande obstáculo à introdução de peças em carbono na mecânica dos motores, tem sido apenas um: a temperatura. As resinas usadas para dar forma e consistência às fibras de carbono tradicionais não são especialmente resistentes ao calor.

“As fibras de carbono mais comuns recorrem a resinas epóxi, que em termos de gestão do calor, têm temperatura de transição vítrea muito baixa”, afirmou Naimo. De forma muito simplificada, a transição vítrea diz respeito à temperatura a partir da qual as propriedades de um determinado material começam a se alterar. Entre outras, a rigidez ou a resistência à torção.

É aqui que tem residido o problema. Ninguém quer uma biela que se dobra ou dilata quando exposta a elevadas temperaturas. De acordo com Naimo, sua empresa desenvolveu um polímero capaz de manter a estabilidade operacional do componente até os 148 ºC. Isto significa que a temperatura para a transição vítrea também é muito superior, e que seria necessário muito mais temperatura para comprometer o componente.

As vantagens desta solução são evidentes. Todo o peso que se retire das peças móveis de um motor traduzem-se em menor inércia, ganho de potência, melhor velocidade de resposta e, consequentemente, possibilidade de aumentar a faixa de rotação. Como sabemos, há uma relação direta entre o peso e a velocidade de um objeto (kgf, ou quilograma força).

As primeiras bielas da Naimo Composites estão sendo desenvolvidas para motores aspirados, que são motorizações menos exigentes para os componentes internos que os motores turbo, mas esta solução ainda não foi testada. As simulações em computadores revelam resultados animadores, mas falta colocar a solução em prática. É aqui que surge uma má notícia. A tecnologia ainda precisa de algum desenvolvimento e testes práticos até chegar aos motores. 


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