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Você sabia que… o ex-bilionário Eike Batista fabricou carros no Brasil?

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Isso mesmo, o ex-bilionário mineiro Eike Batista já se aventurou na fabricação de automóveis no Brasil. Ele fundou a JPX em 1992 e o primeiro veículo a ser produzido pela empresa foi o utilitário Montez (jipe e picape). O ricaço foi preso no começo de 2017, 16 anos depois do fechamento da fábrica.

por Marcos Cesar Silva

A JPX ficava em Pouso Alegre (MG), e entre 1993 e 2001 produziu o simpático jipe Montez, a versão nacional do francês Auverland A-3, por sua vez evolução do Cournil. Com nome JPX Indústria e Comércio Ltda., a empresa foi criada em 1992. Eike, que na época frequentava as listas de homens mais ricos do mundo, alugou as instalações desativadas da Facit (máquinas de escrever e calculadoras), instalando ali a linha de montagem do novo carro. A carroceria era toda de aço, fornecida pela Brasinca, que também estava instalada em Pouso Alegre.

Além da carroceria, o projeto de nacionalização do Montez incluía o chassi, suspensão -produzidas pela própria JPX- e outros componentes. Todo o resto da mecânica era importado: motor diesel XUD-9A e câmbio BA 7/5, ambos da Peugeot; caixas de redução e transferência Auverland A-80 e eixos e diferenciais italianos HS, da marca italiana Carraro. Em 1996 o câmbio passou a ser feito aqui, atingindo índice de nacionalização de 70% (em valor).

O Montez era 4×4 e permitia o engate e desengate da tração com o veículo em movimento. O motor diesel de quatro cilindros tinha injeção direta, 1.905 cm3 e 71 (aspirado) ou 90,5 cv (turbo), freios a disco ventilados na frente e a tambor atrás. Tinha bom desempenho no fora de estrada graças à suspensão. O Montez era disponibilizado em três modelos: Trail (capota de lona), Bravo e Bravo Turbo (capota de fibra), e ar condicionado, guincho elétrico e quebra-mato eram itens opcionais.

Cada jipe vinha acompanhado de um cartão magnético que permitia ao fabricante acompanhar seu histórico de manutenção e agilizar o atendimento ao proprietário e o fornecimento de peças e serviços. A empresa chegou a expor o Montez, em 1994, no Salão do Automóvel de Paris, visando exportações. Apesar dos planos de produção de 250 unidades por mês no primeiro ano, erros de gestão impediram que a meta fosse atingida, permitindo serem entregues, até novembro de 1994, apenas 120 veículos mensais. Além disso, foi interrompido o credenciamento de novos revendedores, dificultando a manutenção dos veículos já vendidos. No final do ano, a administração da empresa foi trocada e as metas redefinidas – em níveis ainda mais difíceis ainda: 400 unidades/mês a partir de maio de 1995.

No uso diário, o Montez apresentava alguns problemas, sendo o principal a tendência o superaquecimento e alguma instabilidade em terrenos ruins, algo até simples de corrigir. E assim foi. Para resolver as deficiências, na metade de 1995 foi adotado um radiador de maior capacidade, com duas ventoinhas, e aplicação de barra estabilizadora no eixo dianteiro. Foi a oportunidade para modificar alguns itens de conforto, como novos bancos dianteiros, banco traseiro bipartido, vidros laterais com acionamento por manivela, painel mais resistente e para-choque tubular na traseira.

Em julho de 1995 foi lançada a picape Montez 4×4. Com capacidade de carga de 1.050 kg (ou 1.270 litros) e direção hidráulica de série, apresentava as mesmas características técnicas do jipe, mesmos opcionais e mesmo conjunto mecânico importado. Podia ser fornecido com ou sem caçamba (de aço ou madeira) e cabine simples ou dupla (duas portas), nas versões Standard e CD. Só estava disponível com motor turbo de 90,5 cv.

O Montez só resolveu a questão do superaquecimento em maio de 2000, quando passou a utilizar uma nova versão do motor Peugeot, com turbo e intercooler originais de fábrica. O modelo também ganhou nova grade, entrada de ar adicional sobre o capô e saídas laterais, novo painel de instrumentos e melhor acabamento interno.

Mas a imagem da marca estava prejudicada, não tanto pelas dificuldades normais de um novo produto, mas também pela relação da fábrica e concessionários com os proprietários, incomodados pelosdefeitos do carro. A concorrência dos importados também pesou. Em dezembro de 2001, tendo sido fabricados em torno de 2.800 carros (450 para o Exército), a produção do Montez foi suspensa e a JPX fechada. A desculpa foi a alta do dólar que, onerando os componentes importados, deixou o carro pouco competitivo.

Mas a grande dúvida, até hoje sem resposta, é o motivo pelo qual a JPX não utilizou motor diesel nacional no lugar do importado, algo que havia sido cogitado em março de 1997. Isto resolveria de uma tacada só três problemas: redução do custo e preço final do veículo, maior facilidade de manutenção e eliminação do pesadelo do superaquecimento do motor.

Eike em 2017 foi preso por algum envolvimento com a Operação Lava-Jato e outras suspeitas. Ficou detido por três meses, mas saiu e recuperou cerca de US$ 200 milhões de sua fortuna, e segue envolvido em projetos mais discretos de investimento. Havia ficado rico atuando nas áreas de mineração, petróleo, energia, óleo e gás natural, logística, indústria naval e outras. Em 2012 era o homem mais rico do Brasil, com fortuna avaliada em US$ 12 bilhões.


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