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ZIL 41047 1978: a limusine comunista com motor 7.7V8

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Nascido no centro do poder da antiga União Soviética, antes de se tornar um clássico o ZIL 41047 foi incumbido da árdua responsabilidade de transportar a cúpula do governo durante o tempo em que permaneceu em serviço. A verdade é que os automóveis do lado de lá da “cortina de ferro” eram, por diversas razões, pouco apreciados, embora chamem atenção pela exclusividade e raridade; em geral, são pouco conhecidos e apreciados. Mas são muito interessantes.


 
As razões são diversas e discutíveis, mas há um consenso: a austeridade estilística. Existem também traços peculiares, como a robustez e a praticidade no seu sentido simplista. Posto isto, os automóveis na antiga União Soviética, não só estavam reservados a certas classes, como eram idealizados como um meio de transporte no seu sentido puro. Não tinham que ser bonitos, tinham que transportar pessoas de um ponto a outro, de preferência sem quebrar pelo caminho.

No Ocidente, os automóveis eram -e ainda são- objetos de expressão artística, motivo de paixões, alegrias, emoções, discussões e desilusões. Para o camarada, a desilusão nem sequer se cogitava, pois, sabia exatamente com o que contar nos produtos da  orgulhosa indústria automobilística soviética.
 

 
Toda esta introdução serve para contextualizar e para apresentar um clássico que pode ser considerado de diversas formas, menos vulgar: o ZIL 41047. Até o nome é sinônimo de simplicidade e austera imponência!
As três primeiras letras são referentes à fábrica, Zavod Imeni Likhachov, isto é, “Fábrica em Nome de Likhachov”, que foi por ela responsável durante muito tempo.  A fábrica começou em 1916, produzindo caminhões Fiat sob licença, e teve muitos nomes, devido à influência dos vários líderes comunistas ao longo do tempo, mas em 1956 adquiriu definitivamente a designação ZIL.
 
Se as letras são simples, os números são frios Com cinco algarismos, dificilmente encontramos na história do automóvel um modelo cujo nome possa transmitir tanta austeridade: simplesmente se chama 41047.
 

 
O ZIL 41047 sucedeu ao ZIL-4104 como limusine presidencial, incluindo o mesmo luxo e robustez. A construção destes modelos foi feita sob rigorosa supervisão da KGB, que dispunha de uma divisão especial para a manutenção e preservação destes automóveis enquanto no serviço ativo. Estima-se que esta limusine seja equipada com vidros blindados de três camadas, com capacidade anti-bala e, segundo alguns especialistas, proteção contra radiação. O interior era revestidos de madeira de bétula, o chão forrado de carpete e, o espaço, suficiente para uma viagem confortável para sete pessoas. Por isso tudo hoje este carro chama atenção de colecionadores. Isto, claro, sem ter em conta a história em redor do veículo.
 
Pesando perto de 3.500 kg, foi necessário usar um motor gigantesco, 7.7V8 de 7,7 litros, um autêntico big block comunista! O motor estava acoplado a uma caixa de câmbio automática de três velocidades, e tinha cerca de 315 cv de potência máxima e estonteantes 60 mkgf de torque máximo a apenas 2500 rpm. A velocidade máxima era impressionante, oficialmente foi relatada como sendo de “não menos de 190 km/h com dois passageiros”, como se o peso influísse nisso.
 

 
Baseados na mesma plataforma, foram ainda construídas os modelos sedã, conversível e wagon funerária (41042). Todas estes modelos diferiam do 41047 na distância entre-eixos, que na limusine era de 3,8 metros, contrastando com os 3.,3 metros nas restantes.

 

 
Após a queda da União Soviética, alguns colecionadores sortudos do Ocidente conseguiram adquirir alguns exemplares, que ainda inspiram respeito quando circulam impávidos em alguma cidade. O 41047 foi lançado em 1978 e produzido por cinco anos, e apenas 160 unidades foram fabricadas nas três carrocerias.
 

 

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