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EA 48 1955: o desconhecido avô do Volkswagen Gol

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Com receio que este “Mini alemão” canibalizasse o Fusca, a Volkswagen cancelou o projeto do EA 48. AUTO&TÉCNICA relembra esta história, que teve seu conceito aplicado 25 anos depois no Gol brasileiro.

Desconhecido da maioria do público, o Volkswagen EA 48 (nome-código) é um modelo que a marca alemã discretamente deixou de lado. O seu desenvolvimento começou em 1953, pelas mãos dos engenheiros Gustav Mayer e Heinrich Siebt. A missão deles era projetar um automóvel de quatro lugares que fosse barato e fácil de manter. Conseguiram, mas o EA 48 nunca chegou a entrar em produção.

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Nascido numa época em que a indústria automotiva era pródiga em inovações e em que a sua massificação dava os primeiros passos no mundo, o Volkswagen EA 48 merece mais reconhecimento do que as poucas honras que tem recebido.

E isso tem explicação. Em muitos aspetos, o EA 48 foi um modelo revolucionário para sua época. Todo desenhado e desenvolvido pela Volkswagen sem qualquer interferência da família Porsche, o Volkswagen EA 48 era um modelo urbano de tração dianteira e baixo custo, que se tivesse sido fabricado poderia até ter colocado em risco o sucesso do Mini, que também recorria à mesma fórmula de pequenas dimensões, mais tração e motor dianteiro. Chegaram a pensar no nome Volkswagen 600, porém, como nunca chegou ao estágio de produção, ficou conhecido mesmo pelo nome de código EA 48.

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O EA 48 queria ser uma proposta ainda mais acessível que o Volkswagen Fusca. A sua plataforma era totalmente nova e recorria a soluções inovadoras para a época. O pequeno modelo, com apenas 3,5 metros de comprimento (35 cm a menos que o Fusca) recorria na dianteira a suspensões do tipo McPherson, algo quase inexistente na época. A adoção deste esquema de suspensões permitiu aos engenheiros da marca liberar espaço na dianteira para acomodar o pequeno motor de dois cilindros opostos  arrefecido a ar com 18 cv de potência, e aumentar o espaço disponível a bordo. A principal preocupação da equipe de desenvolvimento era mesmo ganhar o maior espaço possível para o habitáculo. 

Apesar da sua baixa potência (18 cv a 3.800 rpm), graças ao baixo peso do conjunto -de apenas 574 kg- o pequeno carrinho alemão conseguia atingir os 100 km/h. Contudo, o EA 48 sofria de um problema de aquecimento excessivo que a marca só conseguiu resolver com o uso de sistema de arrefecimento com ventoinha do motor emprestado pela Porsche.

Na carroceria a ideia era o máximo de austeridade. Apesar de esteticamente interessante, todas as soluções adotadas no EA 48 visavam mais que tudo reduzir ao máximo os custos de produção e assim baixar o preço de venda ao público. No interior, a simplicidade também reinava e não havia espaço para nenhum tipo de luxo ou supérfluo. Os quatro bancos dos passageiros assemelhavam-se a cadeiras de praia e os passageiros do banco traseiro nem tinham direito a janelas.

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Numa época em que se pensava que o Volkswagen EA 48 (ou Volkswagen 600) ia entrar em produção, Heinz Nordhoff, presidente da Volkswagen, decidiu cancelar o projeto por dois motivos. O governo alemão temia que o lançamento de um modelo com estas características colocasse em risco a sobrevivência de marcas menores, e em segundo lugar, Nordhoff temia que o Volkswagen EA 48 canibalizasse as vendas do Fusca, pois ainda faltava amortizar parte dos custos de desenvolvimento do modelo.

No final dos anos 1950 foi lançado pela Morris no Reino Unido o Mini. Um modelo com conceito em tudo semelhante ao EA 48, mas mais evoluído, como o uso de  motor de quatro cilindros arrefecido a água  montado transversalmente (algo inédito na época). Se a Volkswagen tivesse lançado o seu modelo, talvez o curso da história automóvel tivesse tomado outro rumo.

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Mas a ideia da mudança estava lançada. Chegaram os anos 1970 e a Volkswagen despediu-se de vez das motorizações traseiras “a ar”. O resto é a história que todos nós conhecemos. O curioso é que a fórmula do motor “a ar” dianteiro e suspensões McPherson reapareceu no Brasil 25 anos depois, em 1980, no primeiro Gol.


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