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Raros: 10 protótipos da coleção da FCA

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A fábrica da Fiat de Mirafiori foi -e ainda é- muito importante para a história da marca italiana. O “Stabilimento di Mirafiori”, como é chamado, foi inaugurado no dia 15 de maio de 1939, e chegou a ser o maior complexo industrial da Itália, além de ser a mais antiga fábrica de automóveis da Europa, ainda em atividade.

O complexo ocupa cerca de 2.000.000 m2 e é ligado por várias linhas férreas, com 20 km no total, assim como 11 km de estradas subterrâneas. Hoje são produzidos ali o Maserati Levante e o Fiat 500.

A importância da fábrica de Mirafiori é gigantesca, mas ela abriga outra grande atração, o “Heritage HUB” do Grupo FCA. O grande objetivo do Heritage HUB é proteger e promover a história das marcas do Grupo FCA, com destaque para a Fiat, Lancia, Alfa Romeo e Abarth, mas também da Autobianchi e Jeep.

Foi fundado em 2015, mas só em 2019 é que abriu as portas, e tem em seu acervo mais de 300 automóveis do grupo, desde automóveis de produção e competição a protótipos e conceitos. Todos os automóveis estão prontamente aptos a circular e participam em diversos eventos de carros clássicos.

AUTO&TÉCNICA traz 10 exemplos de protótipos, alguns até estranhos e que ficaram esquecidos, mas que agora podem ser vistos no Heritage HUB da FCA.

Fiat 100 1951


O projeto do Fiat 100 iniciou-se em 1951, como um substituto do 500 original, o “Topolino”. Aquele 500 foi um modelo que vendeu bem, mas após a Segunda Guerra Mundial, era um automóvel que já mostrava a sua idade. A equipe começou os trabalhos no seu sucessor, mas sabia que não podia seguir o caminho de um motor à frente e tração traseira, devido à distribuição de peso. Os engenheiros eguiram uma solução menos comum, com motor traseiro e tração frontal. O desenho do Fiat 100 iria ser transposto para o 600 lançado em 1955. Ao contrário do 600 que está equipado com um motor de quatro cilindros com arrefecimento líquida montado na traseira, o 100 tinha motor de dois cilindros e arrefecimento a ar.

Lancia Flaminia Loraymo 1960


Vários foram os encarroçadores que transformaram o Lancia Flaminia nas décadas de 1950 e 1960. No entanto, a grande maioria situava-se na Itália, ao contrário do Flaminia Loraymo, que foi criado pelo franco-americano Raymond Loewy e apresentado no Salão de Paris de 1960. O resultado final foi um desenho diferente e único, que misturava a beleza italiana com o estilo inspirado na aviação, presente em muitos automóveis americanos. A carroceria foi construída na Itália, mais precisamente em Turim, na Rocco Motto, sendo totalmente de alumínio. O motor 2.5V6 original passou dos 120 para os 150cv com alterações promovidas pela Nardi. Apesar de ser um protótipo, este Flaminia Loraymo foi o automóvel pessoal de Loewy durante muitos anos.

Fiat 850 City Taxi 1968


A Fiat revolucionou o mundo quando lançou a minivan 600 Multipla, em 1956, demonstrando que não é preciso ser um automóvel grande para ter muito espaço interior. Cerca de 12 anos mais tarde, desenvolveu um protótipo com base no Fiat 850, destinado aos motorstas de táxi. Foi um dos últimos automóveis desenhados por Pio Manzù. A carroceria é completamente diferente, e só os faróis da frente são compartilhados com o 850. O motorista acessa o interior por meio de uma porta convencional, enquanto que os passageiros utilizam uma porta deslizante. Para aumentar o espaço interior, o banco do passageiro da frente foi retirado. A mecânica permaneceu inalterada.

Fiat 130 Familiare 1972


O Fiat 130 era o top de linha da marca italiana, sendo o mais caro e o maior carro do portfóilio. Apesar de estar disponível nas versões sedã e cupê, a wagon nunca foi lançada, apesar de pelo menos quatro terem sido produzidas, a pedido de Giovanni Agnelli, presidente da Fiat na época. Desenhadas pelo Centro Stile Fiat, esta que está no museu foi utilizada pelo irmão de Giovanni, Umberto Agnelli. Está equipada com o motor 3.2V6 de 160cv.

Fiat ESV 1500 1972


De modo a baixar o número de mortes nas estradas, as autoridades americanas pediram a diversos fabricantes, para desenvolverem protótipos capazes de diminuir as fatalidades em caso de acidente. Várias foram as marcas que responderam à questão, como a Honda, a Ford, Mercedes-Benz, MG e Volvo, entre outras, e como não poderia faltar, a Fiat. Nenhum dos protótipos ESV foi desenvolvido para entrar em produção, mas sim para servir de laboratório para diversas tecnologias de segurança. O primeiro modelo a ser concebido foi o ESV 1500, com base no Fiat 500, mas com traços do 126 e vários equipamentos de segurança, como os para-choques de borracha em toda a volta do automóvel. Apesar dos testes terem sido bons, os equipamentos eram demasiado pesados. Cerca de 13 exemplares do ESV 1500 foram construídos.

Fiat X1/23 1972


O X1/23 poderia ser o Smart da década de 1970, mas a Fiat decidiu deixá-lo somente como protótipo. Apresentado no Salão de Turim de 1972, este pequeno automóvel tinha interior minimalista, apenas dois lugares, janelas grandes para aumentar a visibilidade e carroceria que servia como célula de segurança. Por incrível que possa parecer, estava equipado com ar condicionado, porque as janelas eram todas fixas. Em 1976 este automóvel foi melhorado e recebeu um motor elétrico. Este era mesmo o automóvel Fiat do futuro em 1976.

Lancia Gamma Elaborazione 3V 2500 I.E. 1980


Quando o Lancia Gamma foi lançado, em 1976, o seu desenho fastback não foi do agrado da maioria do público, e isso refletiu-se nas vendas. A maioria dos automóveis deste segmento eram três volumes, e isso foi considerado pela Lancia, com o protótipo Gamma 3V. A grande parte das alterações situam-se na traseira, onde os desenhistas adicionaram um par de janelas laterais, tampa da mala plana e lanternas horizontais. A mecânica ficou inalterada, mantendo o motor de quatro cilindros opostos, 2.5 e 140cv. O projecto acabou sendo abortado, pois a Lancia já estava planejando substituir o Gamma pelo Thema.

Lancia Trevi Bimotore 1984


No início dos anos 1980, a Audi surpreendeu o mundo dos ralis com o seu sistema de tração integral, tornando o Lancia 037 obsoleto com somente tracção traseira. Giorgio Pianta, responsável pelo departamento de competição da Abarth, começa a desenvolver um automóvel de tração integral, com base no Lancia Trevi e equipado com dois motores. Os dois motores eram 2.0 e equipados com compressor volumétrico, para entregar 150 cv cada. Apesar dos dois motores não estarem conectados, Pianta conseguiu desenvolver um sistema em que só necessitava de uma alavanca de câmbio e um pedal de embreagem. As portas traseiras do Trevi foram soldadas e foram inseridas entradas de ar para arrefecimento do motor traseiro. O projeto não vingou devido à sua complexidade, e porque o motor traseiro tinha enorme vocação para superaquecer.

Lancia ECV2 1988


A equipe de rali da Lancia desenvolveu o ECV2 em 1988, para aumentar os seus conhecimentos em relação aos materiais sintéticos. Assim, a carroceria, eixo de transmissão e rodas eram feitos, principalmente, de fibra de carbono e Kevlar, pesando menos 20% que o Delta S4. O seu baixo peso era complementado com um desenho aerodinâmico. O motor que equipa o ECV2 é de quatro cilindros e 1,8, com dois turbos e dois intercoolers, desenvolvendo 600 cv. Infelizmente, todos sabem o que aconteceu com o Grupo B, e o Grupo S nem chegou a existir. Dessa forma, tudo que se aprendeu com o ECV2 não foi utilizado.

Fiat Oltre 2005


Ser o “Hummer italiano” era o que a Fiat queria ao apresentar o protótipo Oltre. Apesar de ser somente um conceito, o Oltre é totalmente funcional, estando mesmo perto de ser um modelo de produção, tendo inclusive placas para circular em via pública. O chassi base é do Iveco LMV, utilizado nas forças armadas da Itália. O motor é 3.0 de quatro cilindros turbo-diesel, que envia os 185 cv para as quatro rodas.

Dez protótipos esquecidos que estão presentes na Heritage HUB da FCA



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